domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
{fotografia com histórias dentro}
há alguns anos atrás, na fraga[lá na terra dos sonhos]. foi preciso andar através de mato cheio de silvas sem se conseguir ver nada: chão ou céu [porque o mato era bem maior que nós], para ali chegar... mas chegamos. só porque eu pedi... para estes dois homens [o meu pai e o meu tio], eu continuo aquela menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa. e isso, sabe-me tão bem...[estou com tantas saudades... mas o verão está a chegar!!!]
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
{caleidoscópio}

@
hoje levantei-me cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. é minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. posso reclamar porque está a chover ou agradecer às águas por lavarem a poluição. posso ficar triste por não ter dinheiro ou sentir-me encorajado para gerir as minhas finanças, evitando o desperdício. posso reclamar sobre a minha saúde ou dar graças por estar vivo. posso me queixar dos meus pais por não me terem dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a deus. posso lamentar decepções com amigos ou entusiasmar-me com a possibilidade de fazer novas amizades. se as coisas não saíram como planeei posso ficar feliz por ter o dia de hoje para recomeçar. o dia está na minha frente à espera para ser o que eu quiser. e aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. tudo depende só de mim.charles chaplin
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
{twittering}
estou com sono | estou com frio | preciso limpar a casa | não quero
[há dias em que me só apetece ser homem]
sábado, 15 de janeiro de 2011
{delírio onírico}
hoje sonhei com o tiago... pelo menos, era assim que se chamava. eu não gostei muito do nome mas, quando pensei nisso[enquanto sonhava], o nome soou ainda mais alto.
um sonho estranho, como todos os meus sonhos[eu sonho tanto... a grande maioria, sonhos maus ou mesmo muito maus: uma espécie de pesadelos hardcore. outras vezes, a minha mente fica-se pelos thrillers, ou seja, não são assim tão maus mas também não me deixam ter um sono descansado... aliás, é raro ter um sono sossegado].
sonhei que não conseguia dormir e, por isso, apaguei todas as luzes. ao acordar, ouvi uma voz dizer-me que tinha nascido. o tiago[pois, realmente, o nome não me apaixona... but...what ever]. ninguém sabia como tinha nascido, já que eu estava a dormir. isso, porém não me interessava, segurei-o nos meus braços e ele era lindo. começou a saltar, com as suas perninhas nas minhas[ah, pois... isto nos sonhos é tudo muito rápido: acabadinho de nascer e já saltava no meu colo]. acordei a sorrir.
e pronto. foi só isto. o sonho.
[já comentei como ele era bonito?]
atalhos:
lucid dreams what else?
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
{looking down the road}
há uns tempos, apesar da minha convicção[que não vale a pena votar], resolvi que jamais voltaria a falhar um acto eleitoral. agora, vejo-me completamente perdida porque não quero falhar com a minha resolução. a questão que eu me colocava antes, mantém-se... em quem?
as campanhas, mais uma vez, têm tido somente um exercício de ataques pessoais. não há nenhum candidato que não tenha atirado pedras ao telhado de um outro candidato. as campanhas eleitorais têm como função esclarecer os eleitores sobre as propostas que cada candidato tem para o seu país... pois. está bem. ainda não ouvi nenhuma proposta. nenhuma.
são estas campanhas[da treta] que me fazem desanimar. não há ideias novas, não há uma plano de trabalhos, não há nada. só se sabe que fulano fez aquilo e sicrano fez pior. ou então, não, porque são tudo calúnias... que por acaso[só por acaso], são provadas no dia seguinte.
[o nosso país é um paraíso para os mentirosos, incrível. será que ninguém - durante as suas infâncias - lhes contou a história do pedro e do lobo?]
há um descrédito total nos candidatos[e em tudo que gira à volta da política], por parte da população em geral. ouve-se, sente-se isso. claro está que, na minha opinião, nós[população em geral] somos os principais culpados. se não fossemos um povo de brandos costumes, se não estivéssemos tão[estranhamente] acomodados, serenos, quase tranquilizados, isto não teria chegado onde chegou.
cavaco silva diz que vai utilizar todos os seus poderes para que portugal encontre o rumo certo. bem... se é assim, porque é que não o fez ainda? já é presidente há tanto tempo... não tinha deixado o país chegar onde chegou. digo eu. não sei. já josé manuel coelho parece-me uma personagem saída do looney tunes. manuel alegre muda de opinião com uma facilidade que me assusta. defensor moura... muita parra... pouca uva? francisco lopes, o discurso camarada de sempre. escapa-se fernando nobre... mas também ele ainda não me explicou como irá pôr em prática tudo o que disse no seu discurso de apresentação de candidatura.
continuo como touro no meio da ponte[que, muito provavelmente, não vai dar a nenhum lado]. espero que até dia 23 de janeiro, alguém consiga mostrar querer, de facto, fazer alguma coisa por um país à beira-mar plantado, muito perto de morrer...
as campanhas, mais uma vez, têm tido somente um exercício de ataques pessoais. não há nenhum candidato que não tenha atirado pedras ao telhado de um outro candidato. as campanhas eleitorais têm como função esclarecer os eleitores sobre as propostas que cada candidato tem para o seu país... pois. está bem. ainda não ouvi nenhuma proposta. nenhuma.
são estas campanhas[da treta] que me fazem desanimar. não há ideias novas, não há uma plano de trabalhos, não há nada. só se sabe que fulano fez aquilo e sicrano fez pior. ou então, não, porque são tudo calúnias... que por acaso[só por acaso], são provadas no dia seguinte.
[o nosso país é um paraíso para os mentirosos, incrível. será que ninguém - durante as suas infâncias - lhes contou a história do pedro e do lobo?]
há um descrédito total nos candidatos[e em tudo que gira à volta da política], por parte da população em geral. ouve-se, sente-se isso. claro está que, na minha opinião, nós[população em geral] somos os principais culpados. se não fossemos um povo de brandos costumes, se não estivéssemos tão[estranhamente] acomodados, serenos, quase tranquilizados, isto não teria chegado onde chegou.
cavaco silva diz que vai utilizar todos os seus poderes para que portugal encontre o rumo certo. bem... se é assim, porque é que não o fez ainda? já é presidente há tanto tempo... não tinha deixado o país chegar onde chegou. digo eu. não sei. já josé manuel coelho parece-me uma personagem saída do looney tunes. manuel alegre muda de opinião com uma facilidade que me assusta. defensor moura... muita parra... pouca uva? francisco lopes, o discurso camarada de sempre. escapa-se fernando nobre... mas também ele ainda não me explicou como irá pôr em prática tudo o que disse no seu discurso de apresentação de candidatura.
continuo como touro no meio da ponte[que, muito provavelmente, não vai dar a nenhum lado]. espero que até dia 23 de janeiro, alguém consiga mostrar querer, de facto, fazer alguma coisa por um país à beira-mar plantado, muito perto de morrer...
[afogado]
domingo, 9 de janeiro de 2011
{ipod}
Dido
in your life, your mad
in your car, your sad
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses
A R R
if I rise, they are on my drive
if I believe, it's more than it is
more than it is
Dido
if i rise, one more chance
all our dreams, more than this
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses
A R R
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is
Child Chorus
if I thought i wanted more
get the life more
just one more call
though i've never lost
believe i don't care
never again
A R R & Dido
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is
Child Chorus
if i thought i wanted more
get the life more
just one more call
Dido
if i believe, there's more than this
anymore than this
in your life, your mad
in your car, your sad
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses
A R R
if I rise, they are on my drive
if I believe, it's more than it is
more than it is
Dido
if i rise, one more chance
all our dreams, more than this
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses
A R R
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is
Child Chorus
if I thought i wanted more
get the life more
just one more call
though i've never lost
believe i don't care
never again
A R R & Dido
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is
Child Chorus
if i thought i wanted more
get the life more
just one more call
Dido
if i believe, there's more than this
anymore than this
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
{safe trip home}

mais um ano que começa, mais uns quantos passos na caminhada...
cada vez mais perto de casa.
o caminho torna-se mais fácil de se fazer. menos íngreme, as pedras são muito poucas. e pequenas. os meus pés adaptaram-se, finalmente, à forma dos novos sapatos.
também não estou mais sozinha com o caminhante que me ajudou a dar início a esta caminhada. muitos outros caminhantes juntaram-se a nós e, agora, somos cada vez mais e mais unidos.
sinto-me bem[e tu?], feliz. segura.
[o medo. o tal medo que me castrava, ficou para trás. não cabia na mochila. tal como não havia lugar para as desilusões (comigo/com os outros). as feridas, tratadas, já não doem mais. não as esqueço, sei disso... as cicatrizes não o permitem. mas, como disse, já não doem mais]
um novo ano começa. e a viagem continua...
sábado, 1 de janeiro de 2011
{receita do ano novo}
para você ganhar belíssimo ano novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
ano novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
é dentro de você que o ano novo
dorme e espera desde sempre.
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
ano novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
é dentro de você que o ano novo
dorme e espera desde sempre.
carlos drummond de andrade
...feliz ano novo...
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
{31 de dezembro de 2010}

uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.
carlos drummond de andrade
hoje é o último dia do ano. tanto caminho percorrido... tanto que mudou, a minha vida.
pessoas que chegaram. pessoas que ficaram. mais vitórias alcançadas. sonhos realizados. alegrias vividas [e, que ainda se estão a viver].
pessoas que chegaram. pessoas que ficaram. mais vitórias alcançadas. sonhos realizados. alegrias vividas [e, que ainda se estão a viver].
e amanhã é dia...
Feliz Ano Novo
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
{short cut}
Aparecem de mansinho, durante a noite, enquanto dormimos. São crianças com botinhas de lã que se passeiam pela casa por horas tardias e não querem acordar os seus pais.
São pequeninas, pelo menos no início. Ouvi dizer que algumas já nascem em nós, mas eu não acredito. Acho que vêm pela calada da noite, sorrateiramente, enfiam-se por debaixo dos lençóis e agarram-se a nós. E cá ficam. Pelo menos até as mandarmos embora.
Mas não depende só de nós. Dizem que elas crescem e que podem perder tamanho, consoante a quantidade de comida (importância) que lhes damos. São alimentadas por mim. E por ti. E por todos que comigo se cruzam.
Aparecem, agarram-se a nós. Por vezes, são alimentadas de tal maneira que perdemos o seu controlo e passamos a ser nós alimentados por elas. Chamam a isto: loucura, insanidade, perda de consciência. Dominam-nos.
Há aquelas que são boas. Há aquelas que são más. É preciso cuidado com a quantidade de comida (importância) que lhes damos.
Ouvi dizer que algumas morrem, e dão lugar a novas crianças, com o mesmo nome, com características semelhantes, mas diferentes. Mesmo aquelas que têm o mesmo nome são diferentes. Elas são sempre diferentes. Não há duas iguais. É, pura e simplesmente, impossível.
Variam consoante tudo. Tudo as transforma. São muito sensíveis, mais do que nós próprios, e mais do que aquilo que queremos que elas sejam. Captam tudo, sem que nos apercebamos, só para mais tarde nos lembrarem (qual dor, ou alegria!). Já deixei algumas morrer. Algumas felizmente. Outras infelizmente. Mas com tudo é assim. Nada permanece igual. Tudo muda. TUDO.
Elas ensinam coisas importantes. Manter o que deve ser mantido. Libertar o que deve ser libertado. E não fazer muitas perguntas. São crianças. Não sabem o que é o mundo. Limitam-se a guiar-nos. E, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos guiar, cegamente, por elas.
Ouvimos as suas vozes e sorrimos ou choramos, de uma maneira ou de outra, elas controlam-nos e, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos controlar. Paramos sempre para as ouvir. Elas manipulam-nos.
Eu paro e escuto. E o que escuto? Ah...risos! Gargalhadas de crianças (felizes!), e o vento que agita as folhas. Sim, ouço as folhas roçarem umas nas outras emitindo sons que se assemelham ao amachucar do papel. E deixo-as plantar (novamente). Foram elas. Só podem ter sido elas.
Durante a noite, pé ante pé, plantaram. E sussurram aos meus ouvidos palavras indecifráveis que me fazem sorrir. O que dizem elas? Não sei, e nem vou tentar descobrir. Mas, na imensidão de vozes que ouço consigo identificar uma frase. Constante. Uma e outra vez. E outra vez. E sorrio.
São pequeninas, pelo menos no início. Ouvi dizer que algumas já nascem em nós, mas eu não acredito. Acho que vêm pela calada da noite, sorrateiramente, enfiam-se por debaixo dos lençóis e agarram-se a nós. E cá ficam. Pelo menos até as mandarmos embora.
Mas não depende só de nós. Dizem que elas crescem e que podem perder tamanho, consoante a quantidade de comida (importância) que lhes damos. São alimentadas por mim. E por ti. E por todos que comigo se cruzam.
Aparecem, agarram-se a nós. Por vezes, são alimentadas de tal maneira que perdemos o seu controlo e passamos a ser nós alimentados por elas. Chamam a isto: loucura, insanidade, perda de consciência. Dominam-nos.
Há aquelas que são boas. Há aquelas que são más. É preciso cuidado com a quantidade de comida (importância) que lhes damos.
Ouvi dizer que algumas morrem, e dão lugar a novas crianças, com o mesmo nome, com características semelhantes, mas diferentes. Mesmo aquelas que têm o mesmo nome são diferentes. Elas são sempre diferentes. Não há duas iguais. É, pura e simplesmente, impossível.
Variam consoante tudo. Tudo as transforma. São muito sensíveis, mais do que nós próprios, e mais do que aquilo que queremos que elas sejam. Captam tudo, sem que nos apercebamos, só para mais tarde nos lembrarem (qual dor, ou alegria!). Já deixei algumas morrer. Algumas felizmente. Outras infelizmente. Mas com tudo é assim. Nada permanece igual. Tudo muda. TUDO.
Elas ensinam coisas importantes. Manter o que deve ser mantido. Libertar o que deve ser libertado. E não fazer muitas perguntas. São crianças. Não sabem o que é o mundo. Limitam-se a guiar-nos. E, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos guiar, cegamente, por elas.
Ouvimos as suas vozes e sorrimos ou choramos, de uma maneira ou de outra, elas controlam-nos e, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos controlar. Paramos sempre para as ouvir. Elas manipulam-nos.
Eu paro e escuto. E o que escuto? Ah...risos! Gargalhadas de crianças (felizes!), e o vento que agita as folhas. Sim, ouço as folhas roçarem umas nas outras emitindo sons que se assemelham ao amachucar do papel. E deixo-as plantar (novamente). Foram elas. Só podem ter sido elas.
Durante a noite, pé ante pé, plantaram. E sussurram aos meus ouvidos palavras indecifráveis que me fazem sorrir. O que dizem elas? Não sei, e nem vou tentar descobrir. Mas, na imensidão de vozes que ouço consigo identificar uma frase. Constante. Uma e outra vez. E outra vez. E sorrio.
***
a marina escreve de uma forma que nos toca, bem lá no fundo da nossa alma. hoje sorri... e não resisti: "roubei-lhe" sorrateiramente este texto do seu blog unthought known e trouxe-lo para aqui.
sábado, 25 de dezembro de 2010
{hoje é dia de natal...}
hoje é dia de era bom.
é dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
é dia de pensar nos outros — coitadinhos — nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
comove tanta fraternidade universal.
é só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao criador.
e mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
de novo a melopeia inunda a terra e o céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(vossa excelência verificou a hora exacta em que o menino jesus nasceu?
não seja estúpido! compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilowatts,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
é como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
a oratória de bach embruxa a atmosfera do arruamento.
adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
e a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra — louvado seja o senhor! — o que nunca tinha pensado comprado.
mas a maior felicidade é a da gente pequena.
naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
de manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
ah!!!!!!!!!!
na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do menino jesus.
jesus
o doce jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do pedrinho
uma metralhadora.
que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
o pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
já está!
e fazia-as erguer para de novo matá-las.
e até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
dia de confraternização universal,
dia de amor, de paz, de felicidade,
de sonhos e venturas.
é dia de natal.
paz na terra aos homens de boa vontade.
glória a deus nas alturas.
é dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
é dia de pensar nos outros — coitadinhos — nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
comove tanta fraternidade universal.
é só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao criador.
e mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
de novo a melopeia inunda a terra e o céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(vossa excelência verificou a hora exacta em que o menino jesus nasceu?
não seja estúpido! compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilowatts,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
é como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
a oratória de bach embruxa a atmosfera do arruamento.
adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
e a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra — louvado seja o senhor! — o que nunca tinha pensado comprado.
mas a maior felicidade é a da gente pequena.
naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
de manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.
ah!!!!!!!!!!
na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do menino jesus.
jesus
o doce jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do pedrinho
uma metralhadora.
que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
o pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
já está!
e fazia-as erguer para de novo matá-las.
e até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.
dia de confraternização universal,
dia de amor, de paz, de felicidade,
de sonhos e venturas.
é dia de natal.
paz na terra aos homens de boa vontade.
glória a deus nas alturas.
antónio gedeão
***
hoje é Dia de Natal... está na hora de Ser mesmo natal.
...feliz natal para todos...
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
{as filhoses, os coscorões e as azevias já estão...}
feliz natal
[cheio de luz, de amor, de carinho... afinal, é natal é só isso.]
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
{dicionário de bolso | b}
balanço
s. m.
1. movimento de oscilação ou de vaivém.
2. sacudidela, solavanco.
3. trapézio.
4. Fig. Hesitação.
5. mudança (sem carácter!caráter de duração).
6. com. operação de contabilidade tendente a conhecer a receita e a despesa de uma casa comercial.in priberam
faz um ano que o meu caminho se dividiu em dois. a vida deu-nos esse milagre a que chamamos livre-arbítrio. e eu escolhi. ser feliz.
este ano foi muito importante para mim. ano de mudança, de retorno, de devolução. devolvida a vida, devolvida a esperânça, a vontade de recomeçar.
[não tenho uma crise daquelas mesmo feias há cerca de uma ano*. meu corpo retorna, aos poucos, à sua forma antiga. não estou totalmente livre de dores mas, comparando... posso dizer que estas dores, quase nem as sinto. ou se sinto, não me aborrecem. porque a doença entrou em remissão há um ano. e é isso que importa. só isso que importa]
com esta reviravolta na minha vida, tudo mudou. tudo está a mudar. sinto-me como se tivesse acordado de um coma de quase nove anos[um buraco negro ou um espaço em branco na minha existência... nada foi escrito ou tudo foi apagado por uma onda gigante que destruiu mas não levou os destroços com ela: deixou-os para que - se acordasse - nada fosse esquecido].
acordada do coma, há que retomar o caminho, voltar à estrada. aos poucos, tenho conseguido reconstruir o que a onda gigante destruiu. a casa[o lar], a família, os amigos. estou a aprender a aceitar[me], a perdoar[me] o passado.
o passado já passou, não existe mais. é um facto. mas pode deixar feridas que têm de ser tratadas, porque há sempre o risco de degenerar para algo mais sério. mas colocar um penso rápido não é o suficiente. para que a ferida cicatrize mais rapidamente e evitar possíveis infecções há que lavar primeiro, não só a ferida como também a zona circundante com um sabão, de preferência anti-séptico, de forma a remover tudo tudo o que seja necessário remover. depois, aplicar um desinfectante na ferida para que esta seja desinfectada correctamente. finalmente, proteger a ferida com a aplicação de um penso ou compressa...
com o tempo, fica só a cicatriz. não nos esquecemos que ali esteve uma ferida. mas também já não dói mais.
[é isto que eu tenho feito, estas últimas semanas: tratar as minhas feridas que, escondidas por debaixo de um penso rápido, não cicatrizavam e a infecção começava a alastrar]
o nosso corpo é fantástico. eu aprendi a escutar e a interpretar os seus sinais. sinais de algo que possa não estar bem. nestes últimos tempos[esta história do natal...] dei mais atenção às feridas. e quanto mais atenção dava, mais o meu corpo doía. mas, a doença está estável e as análises clínicas são prova disso...
não bastava refazer a minha vida, continuar a caminhar por um caminho cheio de destroços - os tais, que a onda deixou. por isso, tenho estado a limpar, a desimpedir o caminho... e sim, já tudo começa a ficar mais claro. as flores, mais coloridas e até o seu perfume chega até mim com muito mais intensidade. com o caminho desimpedido, mais e mais caminhantes têm se aproximado de mim. não feches a porta a quem te ama, a avó tite disse-me. e assim estou a fazer.
os episódios negativos estão a ser submetidos a uma espécie de triagem. na miscelânea de maus e muito maus, comecei a procurar algo que pudesse ser considerado mais ou menos e, surpresa das surpresas: encontrei muitos bons e até excelentes.
este é o eterno problema de muitas pessoas. eu, incluída. claro. infelizmente. fixei-me no feio e o bonito passou-me ao lado como se nem tivesse existido. e apesar da pouca ou nenhuma importância que lhe dei[por estar demasiado centrada em direccionar todas as minhas energias para coisas absurdas, passadas], deu frutos que hoje, estão maduros, cheios de cor e com aquele cheirinho bom...
este ano foi, também, um ano decisivo para o meu pai. a sua recuperação está a ser um sucesso e os seus "colegas na doença" vêm-no como um exemplo a seguir. a minha mãe teve a sua primeira actuação em público! o verdadeiro bichinho do mato[porque a vida foi demasiado madrasta para ela] fartou-se de dançar e rir... estou totalmente babada com estes meus dois pilares que amo tanto.
*[é verdade que estou a passar por uma pequena crise: começou há sensivelmente duas semanas e há dois dias que atingiu o seu pico de dor. mas, acredito que seja porque estive mais de dois anos sem fazer fisioterapia e agora, o corpo ressentiu-se. estou da cama, é verdade. também é verdade que ontem, a mãe do meu bebé teve que me trazer para casa, antes da minha hora de saída porque eu já não conseguia fingir mais e as dores estavam estampadas na minha cara (levei um sermão por lhe ter ocultado o que se passava), e é verdade que quase que teve que ser o toni a dar-me a sopa à boca, como antigamente. tal como é verdade que chorei de medo, muito medo... que tudo voltasse ao pesadelo que era.
contudo, algo em mim me diz que é só um susto. um halloween atrasado. e por isso, não choro mais e o medo foi-se com a noite... agora, aproveito o dia. tenho estado a dormir, a descansar. eu estava mesmo a precisar de uma folga. é isso. um dia de merecida preguiça... patrocinada por uma família linda que me acolheu e me mima...tanto]
este ano foi muito importante para mim. ano de mudança, de retorno, de devolução. devolvida a vida, devolvida a esperânça, a vontade de recomeçar.
[não tenho uma crise daquelas mesmo feias há cerca de uma ano*. meu corpo retorna, aos poucos, à sua forma antiga. não estou totalmente livre de dores mas, comparando... posso dizer que estas dores, quase nem as sinto. ou se sinto, não me aborrecem. porque a doença entrou em remissão há um ano. e é isso que importa. só isso que importa]
com esta reviravolta na minha vida, tudo mudou. tudo está a mudar. sinto-me como se tivesse acordado de um coma de quase nove anos[um buraco negro ou um espaço em branco na minha existência... nada foi escrito ou tudo foi apagado por uma onda gigante que destruiu mas não levou os destroços com ela: deixou-os para que - se acordasse - nada fosse esquecido].
acordada do coma, há que retomar o caminho, voltar à estrada. aos poucos, tenho conseguido reconstruir o que a onda gigante destruiu. a casa[o lar], a família, os amigos. estou a aprender a aceitar[me], a perdoar[me] o passado.
o passado já passou, não existe mais. é um facto. mas pode deixar feridas que têm de ser tratadas, porque há sempre o risco de degenerar para algo mais sério. mas colocar um penso rápido não é o suficiente. para que a ferida cicatrize mais rapidamente e evitar possíveis infecções há que lavar primeiro, não só a ferida como também a zona circundante com um sabão, de preferência anti-séptico, de forma a remover tudo tudo o que seja necessário remover. depois, aplicar um desinfectante na ferida para que esta seja desinfectada correctamente. finalmente, proteger a ferida com a aplicação de um penso ou compressa...
com o tempo, fica só a cicatriz. não nos esquecemos que ali esteve uma ferida. mas também já não dói mais.
[é isto que eu tenho feito, estas últimas semanas: tratar as minhas feridas que, escondidas por debaixo de um penso rápido, não cicatrizavam e a infecção começava a alastrar]
o nosso corpo é fantástico. eu aprendi a escutar e a interpretar os seus sinais. sinais de algo que possa não estar bem. nestes últimos tempos[esta história do natal...] dei mais atenção às feridas. e quanto mais atenção dava, mais o meu corpo doía. mas, a doença está estável e as análises clínicas são prova disso...
foi quando me apercebi que estava
na hora
na hora
não bastava refazer a minha vida, continuar a caminhar por um caminho cheio de destroços - os tais, que a onda deixou. por isso, tenho estado a limpar, a desimpedir o caminho... e sim, já tudo começa a ficar mais claro. as flores, mais coloridas e até o seu perfume chega até mim com muito mais intensidade. com o caminho desimpedido, mais e mais caminhantes têm se aproximado de mim. não feches a porta a quem te ama, a avó tite disse-me. e assim estou a fazer.
os episódios negativos estão a ser submetidos a uma espécie de triagem. na miscelânea de maus e muito maus, comecei a procurar algo que pudesse ser considerado mais ou menos e, surpresa das surpresas: encontrei muitos bons e até excelentes.
este é o eterno problema de muitas pessoas. eu, incluída. claro. infelizmente. fixei-me no feio e o bonito passou-me ao lado como se nem tivesse existido. e apesar da pouca ou nenhuma importância que lhe dei[por estar demasiado centrada em direccionar todas as minhas energias para coisas absurdas, passadas], deu frutos que hoje, estão maduros, cheios de cor e com aquele cheirinho bom...
e os laços, rompidos à força, começam-se a
e
n
t
r
e
l
a
ç
a
r
aos poucos.
e
n
t
r
e
l
a
ç
a
r
aos poucos.
este ano foi, também, um ano decisivo para o meu pai. a sua recuperação está a ser um sucesso e os seus "colegas na doença" vêm-no como um exemplo a seguir. a minha mãe teve a sua primeira actuação em público! o verdadeiro bichinho do mato[porque a vida foi demasiado madrasta para ela] fartou-se de dançar e rir... estou totalmente babada com estes meus dois pilares que amo tanto.
e pronto... balanço do ano feito.
*[é verdade que estou a passar por uma pequena crise: começou há sensivelmente duas semanas e há dois dias que atingiu o seu pico de dor. mas, acredito que seja porque estive mais de dois anos sem fazer fisioterapia e agora, o corpo ressentiu-se. estou da cama, é verdade. também é verdade que ontem, a mãe do meu bebé teve que me trazer para casa, antes da minha hora de saída porque eu já não conseguia fingir mais e as dores estavam estampadas na minha cara (levei um sermão por lhe ter ocultado o que se passava), e é verdade que quase que teve que ser o toni a dar-me a sopa à boca, como antigamente. tal como é verdade que chorei de medo, muito medo... que tudo voltasse ao pesadelo que era.
contudo, algo em mim me diz que é só um susto. um halloween atrasado. e por isso, não choro mais e o medo foi-se com a noite... agora, aproveito o dia. tenho estado a dormir, a descansar. eu estava mesmo a precisar de uma folga. é isso. um dia de merecida preguiça... patrocinada por uma família linda que me acolheu e me mima...tanto]
atalhos:
balanço,
caminhos meus,
dicionário de bolso
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
{rewind}

lembro-me de chegares. trazias qualquer coisa dentro do teu casaco... o que trazes aí? a tua prenda de natal... posso ver já, posso? vá lá!!!
abriste o casaco e na tua mão estava uma coisinha muito pequenina, branquinha com duas manchinhas castanhas em volta dos olhinhos. um cãozinho?! sim... agora tens de ser tu a tratar dele, segura-o devagarinho. cuidado, é muito pequenino. e era! cabia na mão da minha mãe! eu tive que usar as duas porque eu também era pequenina.
a pantufa cresceu ao meu lado e eu cresci com ela. aprendemos muitas coisas juntas. para onde eu ía, ela seguia-me, sempre com o rabito a abanar.
quando a minha irmã nasceu, a pantufa tornou-se a sua "sombra". não permitia que ninguém tocasse na bebé e chegou a salvar a minha irmã, por várias vezes[a minha irmã era assim, como eu: só se metia em sarilhos. quando a pantufa pressentia algum tipo de perigo para a bebé, ficava louca a ladrar e a puxar a saia da minha mãe].
abriste o casaco e na tua mão estava uma coisinha muito pequenina, branquinha com duas manchinhas castanhas em volta dos olhinhos. um cãozinho?! sim... agora tens de ser tu a tratar dele, segura-o devagarinho. cuidado, é muito pequenino. e era! cabia na mão da minha mãe! eu tive que usar as duas porque eu também era pequenina.
a pantufa cresceu ao meu lado e eu cresci com ela. aprendemos muitas coisas juntas. para onde eu ía, ela seguia-me, sempre com o rabito a abanar.
quando a minha irmã nasceu, a pantufa tornou-se a sua "sombra". não permitia que ninguém tocasse na bebé e chegou a salvar a minha irmã, por várias vezes[a minha irmã era assim, como eu: só se metia em sarilhos. quando a pantufa pressentia algum tipo de perigo para a bebé, ficava louca a ladrar e a puxar a saia da minha mãe].
aquele natal, lembro-me, foi o melhor natal da minha vida...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
{do avesso}
sempre quis ter uma vivenda. pequena, térrea[não gosto de casas grandes, perco-me lá dentro]. a razão principal não é a pequena piscina de água quente onde me refugiaria em horas de cansaço[como hoje, agora...], nem tão pouco o pomar repleto de frutos de todas as cores. a razão principal é a ausência de vizinhos. nem mais, nem menos. só.
há meses[desde o final de agosto], que não sabemos o que é uma noite de sono bem dormida. o que mais me irrita é que não mais é a dor que me alerta pela noite fora. são pessoas. miúdos convencidos que são adultos porque moram longe dos pais[apesar destes continuarem a pagar as despesas].
o segundo frente foi alugado a três jovens adultos[???],um rapaz e duas raparigas, mas o apartamento está sempre cheio. são às dúzias[eu já os contei...].
todas as noites, são noites de festa até tarde, muito tarde na noite. ou até de manhã cedo, como quiserem: cantam, dançam[de saltos altos, as meninas], riem à gargalhada estridente. muitas vezes, discutem. gritam, ofendem-se, batem com as portas. sobem e descem as escadas do prédio, seja dia ou noite, aos berros como se vivessem sozinhos.
os mais velhos do prédio reclamam a voz baixa. mas, mais nada.
já falei com o administrador. já falei com a proprietária do meu apartamento. já falei com o proprietário do apartamento deles...
uma destas noites, a mãe do rapaz toca-me à campainha. estou sem pinga de sangue. pede desculpa à senhora! alto, com uns vinte e poucos anos, de braços cruzados e cara emburrada murmura um mmmm.
[supostamente, isto deveria ser um pedido de desculpa?!]
a joaninha, quando faz algo que não devia e lhe pedem para pedir desculpa, também cruza os braços e também faz beicinho ao murmurar um qualquer coisa que aceitamos como um pedido de desculpa. mas, a joaninha tem cinco anos.
vários factores levaram-me a optar pelo aluguer. não só porque me recuso a alimentar pançudos oportunistas[a.k.a. bancos e afins] mas, principalmente, porque posso mudar-me assim que quiser. é que eu já passei por isto. e a privação de sono, aliada ao excesso de trabalho, resultou num esgotamento cujas mazelas ainda hoje me aborrecem. sim... a qualquer hora é hora de mudar...
[muda de vida...]
mas eu não quero mudar. estou perto da piscina onde faço a minha fisioterapia. estou pertinho do trabalho... e mudar dá tanto trabalho. e eu estou tão[mas tão] cansada...
mas se isto assim continuar, que remédio?
[é por isto que este blog anda tão lamechas. é por isso que eu ando sem forças para vir até cá mais vezes. é por isto que deixei, praticamente, de visitar os blogs amigos, de que quem sinto saudade porque fechavam a chave de ouro, os meus longos dias. privação de sono. é por isto]
e isto tudo deixa-me do avesso...
estou com tanto sono...
mas hoje é quinta. todos os dias são dias de festa rija. às quintas, é festa é brava....
sábado, 11 de dezembro de 2010
{narradores de memória}
contam que uma menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa tinha um primo de oito meses. era um bebé frágil, com um ligeiro atraso no desenvolvimento motor devido a complicações no parto.
todas as manhãs, um ritual: depois do banho, a mãe deitava o bebé, antes de o vestir, num pequeno colchão na varanda, a apanhar banhinhos de sol.
numa manhã dessas, a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa foi ao frigorífico e trouxe com ela, uma embalagem de margarina planta[nessa altura, ainda só existia essa margarina, lá na terra dos sonhos]. também foi buscar o seu balde de praia que estava cheio de areia[das obras que decorriam lá em casa].
depois de besuntar o priminho bem besuntado[contam que usou a embalagem toda!], entornou o balde de areia por cima dele e, porque a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa acreditava[e ainda acredito] que se tiveres que fazer alguma coisa, fá-lo bem feito, se não... não faças, com as suas mãozinha pequeninas, calcou a areia para que ela aderisse bem à manteiga, assim, tipo croquete[só que humano].
tudo isto muito rápido porque a minha tia nunca deixava o meu primo sozinho, por muito tempo.
contam que a minha tia levou as mãos à cabeça e deu um grito, quando viu o meu primo. contam que ela levou horas para conseguir tirar toda aquela amálgama de areia e gordura do seu corpinho frágil de bébe com um ligeiro atraso no desenvolvimento motor devido a complicações no parto... contam que levou outras tantas horas atrás de mim, de chinelo na mão. se ela te tivesse apanhado, matava-te...
[mas, mãe... custa-me um pouco a acreditar que uma menina tão pequenina tivesse planeado tudo isso, assim, tão ao promenor. mas, olha que assim foi, ouviste?! e todos os mais velhos, lá na terra, já te contaram como foi. não sei porquê a dúvida, agora. então, está bem. devia ser fresca... devia... ah, eras... eras...]
e é verdade. lá, na terra dos sonhos, todos os mais velhos contam esta história. tenho pena que ninguém tivesse registado em vídeo ou mesmo em fotografia... isto da tradição oral é uma chatice porque são cada vez menos, os mais velhos...
[se a matilde nascesse, gostaria que fosse assim. como a mãe foi um dia... tão pequenina mas com uma excelente capacidade de planear e de concretizar... é que este país está mesmo a precisar de mulheres assim]
todas as manhãs, um ritual: depois do banho, a mãe deitava o bebé, antes de o vestir, num pequeno colchão na varanda, a apanhar banhinhos de sol.
numa manhã dessas, a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa foi ao frigorífico e trouxe com ela, uma embalagem de margarina planta[nessa altura, ainda só existia essa margarina, lá na terra dos sonhos]. também foi buscar o seu balde de praia que estava cheio de areia[das obras que decorriam lá em casa].
depois de besuntar o priminho bem besuntado[contam que usou a embalagem toda!], entornou o balde de areia por cima dele e, porque a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa acreditava[e ainda acredito] que se tiveres que fazer alguma coisa, fá-lo bem feito, se não... não faças, com as suas mãozinha pequeninas, calcou a areia para que ela aderisse bem à manteiga, assim, tipo croquete[só que humano].
tudo isto muito rápido porque a minha tia nunca deixava o meu primo sozinho, por muito tempo.
contam que a minha tia levou as mãos à cabeça e deu um grito, quando viu o meu primo. contam que ela levou horas para conseguir tirar toda aquela amálgama de areia e gordura do seu corpinho frágil de bébe com um ligeiro atraso no desenvolvimento motor devido a complicações no parto... contam que levou outras tantas horas atrás de mim, de chinelo na mão. se ela te tivesse apanhado, matava-te...
[mas, mãe... custa-me um pouco a acreditar que uma menina tão pequenina tivesse planeado tudo isso, assim, tão ao promenor. mas, olha que assim foi, ouviste?! e todos os mais velhos, lá na terra, já te contaram como foi. não sei porquê a dúvida, agora. então, está bem. devia ser fresca... devia... ah, eras... eras...]
e é verdade. lá, na terra dos sonhos, todos os mais velhos contam esta história. tenho pena que ninguém tivesse registado em vídeo ou mesmo em fotografia... isto da tradição oral é uma chatice porque são cada vez menos, os mais velhos...
[se a matilde nascesse, gostaria que fosse assim. como a mãe foi um dia... tão pequenina mas com uma excelente capacidade de planear e de concretizar... é que este país está mesmo a precisar de mulheres assim]
sábado, 4 de dezembro de 2010
{mesmo calada a boca, resta o peito*}
fiz uma pausa na minha caminhada. se a vida me ensinou alguma coisa, foi a perceber quando parar[sossegar o corpo, sossegar a mente. escutar(me)]. foi o que eu fiz no fim-de-semana passado[ com a ajuda preciosa de uma gripe que, a propósito, não me larga... nem mesmo recorrendo ao leitinho com aguardente, mel de rosmaninho e açúcar mascavado].
sentia-me perdida, sem saber porquê... hoje, sei.
é só saudade...
sempre fui bastante sociável. durante os meus tempos de estudante, confesso, não saía do quarto[tal verdadeira marrona], mas quando comecei a trabalhar, nunca estava sozinha.
depois do esgotamento, que me levou a desistir da minha carreira na óptica [não só, mas também], na primeira oportunidade, inscrevi-me nas aulas de yôga e fui trabalhar numa empresa como recepcionista. durante o dia, estava com estes meus novos colegas e à noite, estava com o meu grupo de yôga. fiz muitos e bons amigos, tanto na empresa como na unidade de yôga.
o problema é que a espondilite começou a agravar de uma forma anormal, pelo menos, para o sexo feminino[é mais habitual acontecer em homens]. e depressa me vi obrigada a deixar tanto o trabalho como o yôga.
para complicar mais a situação, vi membros da família e amigos a afastarem-se, sem uma palavra... ou um porquê. aos poucos, fui-me tornando anti-social. revoltada com tudo[a dor física\psíquica leva-nos a fazer coisas realmente muito estúpidas], destruí o meu telemóvel e não abria a porta a ninguém. só houve uma pessoa que nunca desistiu de mim... se não abrires a porta, não tiro o dedo da campainha e tu sabes que não és mais teimosa do que eu. a paula, minha amiga de infância...
sem me aperceber, por meia dúzia de "supostos" amigos, afastei-me dos verdadeiros.
e só me dei conta disto, ao longo destas últimas semanas...
e é disto.
a saudade.
de entrar à socapa no centro de congressos de aveiro para assistir a concertos sem pagar. de estar a noite inteira, com a casa cheia, rodeada de petiscos[que eu cá tenho uma mãe que me ensinou a fazer coisinhas muito apetitosas]. de passear, à toa, sem horários ou destino. de subir a serra de sintra a pé, sempre por caminhos desconhecidos, atravessando propriedades privadas, fugindo de cães menos simpáticos. de comer um robalo assado naquele restaurante à beira-mar, na ericeira. de vaguear pelas praias de espinho, em dias de nevoeiro. dos retiros por esse portugal fora, com o meu grupo de yôga. de beber um chá de camomila numa esplanada qualquer, no cais da ribeira. dos piqueniques que fazíamos nos locais proibidos da boca do inferno. de entrar no mar de lagos, completamente vestidos, em pleno dezembro. de passear no parque da paz, em almada, depois de um pequeno-almoço recheado de frutos silvestres.
[...]
de voltar a ser quem eu sou.
[...]
saudade. sim.
de estar com os meus amigos.
de voltar a ser quem eu sou.
*chico buarque
para a fábrica de letras, tema de dezembro
atalhos:
caminhos de operária,
caminhos meus
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
{hoje, a terra dos sonhos, está assim...}
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
{skizofrénia}
no quarto, o armário estava dividido em dois. de um lado, roupa formal: fatos de cores neutras, camisas, sapatos de salto alto; do outro lado, cor... muita cor: lenços, vestidos fluidos, calças largas, saias compridas e rodadas, tops de atar ao pescoço e chinelos.
acordar uma ou outra, para mim, era algo tão natural como beber água ou comer. era assim, desde muito jovem, sem nunca me questionar porquê... e até a minha família[a mais chegada], os meus amigos ou a minha gata conseguiam distinguir quando acordava uma ou quando acordava outra, só de olharem para mim. e todos reagiam normalmente a esta espécie de alienação mental[totalmente absurda, diga-se...].
acordar uma ou outra, para mim, era algo tão natural como beber água ou comer. era assim, desde muito jovem, sem nunca me questionar porquê... e até a minha família[a mais chegada], os meus amigos ou a minha gata conseguiam distinguir quando acordava uma ou quando acordava outra, só de olharem para mim. e todos reagiam normalmente a esta espécie de alienação mental[totalmente absurda, diga-se...].
não consigo explicar porquê, só sei que durante estes últimos anos, tudo mudou[felizmente, porque acho que não teria muita paciência para tanta insensatez]. talvez a doença, a incapacidade de ser uma ou outra... sim, deve ter sido isso. hoje, não uso fatos nem tão pouco, ando de fita no cabelo. não sou uma nem outra.
contudo, daquela loucura sobreviveu uma miscelânea das duas.
eu.
eu.
tento viver um dia de cada vez[passo a passo] sempre com um sorriso[porque o sorriso é essencial - para mim, para ti... para ele]. agradeço, ao deitar, todo o meu dia: as coisas boas e as menos boas[porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].
eu sou inteiramente responsável por tudo o que me acontece... seja o bom, seja o menos bom. porque eu faço o meu caminho com as minhas decisões, os meus pensamentos. se estiver sempre a reclamar da vida com pensamentos desagradáveis, acredito que o universo faz-me a vontade. tipo: já que pensas tanto nisso, aqui está mais do mesmo...
por isso, canto. e danço. mesmo na rua... são os meus interruptores secretos. assim que um pensamento menos bom aparece na minha mente, ligo o interruptor e esse pensamento se desvanece com uma nuvem de fumo[há quem diga que foge de medo porque eu canto mesmo mal, hummm. não sei. provavelmente]. também ando sempre com a minha máquina fotográfica na mala. e nada escapa... eu adoro fotografar, mesmo sem sentido.
não obstante, eu ando tão estranha, ultimamente. e nem os meus interruptores secretos parecem funcionar. não sei porquê. ando insatisfeita, triste, desmotivada, distante de mim mesma. por vezes, sinto-me em piloto automático[eu já vi este filme, lá no tempo do armário dividido em dois... e não gostei mesmo nada do desenlace].
é claro que podemos culpar o tempo ou o outono. quem sabe a lua? o meu pai acredita que sim, é a lua. o antónio diz que pode ser... afinal, a lua é um excelente bode expiatório. também pode ser falta de serotonina... pelo menos, é o que o médico me disse: e que tal um anti-depressivo?
eu sou inteiramente responsável por tudo o que me acontece... seja o bom, seja o menos bom. porque eu faço o meu caminho com as minhas decisões, os meus pensamentos. se estiver sempre a reclamar da vida com pensamentos desagradáveis, acredito que o universo faz-me a vontade. tipo: já que pensas tanto nisso, aqui está mais do mesmo...
por isso, canto. e danço. mesmo na rua... são os meus interruptores secretos. assim que um pensamento menos bom aparece na minha mente, ligo o interruptor e esse pensamento se desvanece com uma nuvem de fumo[há quem diga que foge de medo porque eu canto mesmo mal, hummm. não sei. provavelmente]. também ando sempre com a minha máquina fotográfica na mala. e nada escapa... eu adoro fotografar, mesmo sem sentido.
não obstante, eu ando tão estranha, ultimamente. e nem os meus interruptores secretos parecem funcionar. não sei porquê. ando insatisfeita, triste, desmotivada, distante de mim mesma. por vezes, sinto-me em piloto automático[eu já vi este filme, lá no tempo do armário dividido em dois... e não gostei mesmo nada do desenlace].
é claro que podemos culpar o tempo ou o outono. quem sabe a lua? o meu pai acredita que sim, é a lua. o antónio diz que pode ser... afinal, a lua é um excelente bode expiatório. também pode ser falta de serotonina... pelo menos, é o que o médico me disse: e que tal um anti-depressivo?
[e pronto, já cá faltava o anti-depressivo]
segundo a minha irmã[sim, na minha família, todos dão o seu palpite... por isso, é que lhe chamo família. para o bem e para o mal. sempre juntos], o meu trabalho é a causa porque esse trabalho não é para ti. quase que acreditei... porque eram tantos com a mesma conversa que não tive outra hipótese senão questionar-me se teria feito a melhor escolha. e sim, este é - sem dúvida - o meu trabalho...
então, o que será?
não sei...
[ou talvez saiba... parece que escrever está a ajudar-me a perceber o que vai cá dentro].
sábado, 13 de novembro de 2010
{rewind}

lembro-me de estar muito frio. ia de mãos dadas com a minha mãe e com o meu pai. a rua era tão comprida que não se chamava rua: era uma avenida[sim, a minha mãe já tinha-me explicado isso].
caía uma chuva miudinha que me enevoava os olhos... parecia que estávamos envoltos num nevoeiro que molhava tudo.
onde vamos? já te dissemos que é uma surpresa. pronto, está bem[chatos].
lá ao fundo, no meio daquela espécie de nevoeiro feito de lágrimas fininhas[porque as nuvens estavam tristes... mas, não sei bem porquê... a minha mãe nunca me explicou], uma nuvem de fumo branco. que nuvem é aquela? é o senhor das castanhas. assadas? sim. que bom! adoro castanhas assadas! podemos comprar? quando lá chegarmos. que cheirinho bom... vamos mais depressa!
debaixo de um grande chapéu[igual ao nosso, mas o nosso é para usar na praia... que estranho], estava um senhor a assar castanhas. as mãos estavam tão sujas... porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito. ah! então, está bem.
depois de ter o meu canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas, bem apertadinho entre minhas mãos, pediram-me para olhar para trás: um prédio gigante com um poster quase tão gigante como o prédio. nesse poster, estavam dois cães e muitos[tantos!] cãezinhos brancos com pintas pretas!
esta é a surpresa...
e é por isso que, sempre que vejo uma nuvem de fumo branca com um cheirinho bom, a sobressair de um nevoeiro, lembro-me daquele dia em que aprendi que uma rua muito grande, não se chama rua, mas avenida. que as nuvens choram quando estão tristes, que os senhores das castanhas têm as mãos muitos sujas porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito. e, principalmente, lembro-me da primeira vez que fui ao cinema... com um canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas. quentes e boas... quentinhas.
caía uma chuva miudinha que me enevoava os olhos... parecia que estávamos envoltos num nevoeiro que molhava tudo.
onde vamos? já te dissemos que é uma surpresa. pronto, está bem[chatos].
lá ao fundo, no meio daquela espécie de nevoeiro feito de lágrimas fininhas[porque as nuvens estavam tristes... mas, não sei bem porquê... a minha mãe nunca me explicou], uma nuvem de fumo branco. que nuvem é aquela? é o senhor das castanhas. assadas? sim. que bom! adoro castanhas assadas! podemos comprar? quando lá chegarmos. que cheirinho bom... vamos mais depressa!
debaixo de um grande chapéu[igual ao nosso, mas o nosso é para usar na praia... que estranho], estava um senhor a assar castanhas. as mãos estavam tão sujas... porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito. ah! então, está bem.
depois de ter o meu canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas, bem apertadinho entre minhas mãos, pediram-me para olhar para trás: um prédio gigante com um poster quase tão gigante como o prédio. nesse poster, estavam dois cães e muitos[tantos!] cãezinhos brancos com pintas pretas!
esta é a surpresa...
e é por isso que, sempre que vejo uma nuvem de fumo branca com um cheirinho bom, a sobressair de um nevoeiro, lembro-me daquele dia em que aprendi que uma rua muito grande, não se chama rua, mas avenida. que as nuvens choram quando estão tristes, que os senhores das castanhas têm as mãos muitos sujas porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito. e, principalmente, lembro-me da primeira vez que fui ao cinema... com um canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas. quentes e boas... quentinhas.
domingo, 7 de novembro de 2010
{nostalxia...}
anoitece... uma rapariga chega no seu carocha a uma falésia, liga o isqueiro do carro à caneca, enquanto prepara o café. depois, sai do carro e olhando o mar, bebe-o ao som dos acordes da música...
i can see clearly now, the rain is gone
i can see all obstacles in my way
gone are the dark clouds that had me blind
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
i think i can make it now, the pain is gone
all of the bad feelings have disappeared
here is that rainbow I've been praying for
It's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
look all around, there's nothing but blue skies
look straight ahead, there's nothing but blue skies
i can see clearly now, the rain is gone
i can see all obstacles in my way
gone are the dark clouds that had me blind
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
i can see all obstacles in my way
gone are the dark clouds that had me blind
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
i think i can make it now, the pain is gone
all of the bad feelings have disappeared
here is that rainbow I've been praying for
It's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
look all around, there's nothing but blue skies
look straight ahead, there's nothing but blue skies
i can see clearly now, the rain is gone
i can see all obstacles in my way
gone are the dark clouds that had me blind
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
it's gonna be a bright (bright), bright (bright), sun shiny day
johnny nash
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
{viver... de aparências}
conheci a madalena há cerca de dez anos no meu grupo de yôga, onde os seus dotes culinários eram sobejamente conhecidos. fazia de cada prato, um verdadeiro monumento à cozinha vegetariana.
madalena tinha um sonho: ser chef de cozinha. para azar dela, era uma excelente aluna e os pais fizeram de tudo para que ela seguisse enfermagem [tipo "seguir as pegadas dos pais"] porque ser chef não traz prestígio e tu, enquanto viveres nesta casa, fazes o que o pai e a mãe decidirem porque nós é que sabemos o que é melhor para ti [citando os pais da mada, que também conheci e de quem ouvi esta barbaridade].
hoje a madalena é enfermeira. desempregada, frustrada, deprimida. mas enfermeira, como os seus pais tanto quiseram.
no seu último post, madalena critica esta necessidade quase patológica de se ter o tal dr. atrás do nome. segundo ela, se uma pessoa não for licenciada em qualquer coisa, não é ninguém na vida.
madalena tinha um sonho: ser chef de cozinha. para azar dela, era uma excelente aluna e os pais fizeram de tudo para que ela seguisse enfermagem [tipo "seguir as pegadas dos pais"] porque ser chef não traz prestígio e tu, enquanto viveres nesta casa, fazes o que o pai e a mãe decidirem porque nós é que sabemos o que é melhor para ti [citando os pais da mada, que também conheci e de quem ouvi esta barbaridade].
hoje a madalena é enfermeira. desempregada, frustrada, deprimida. mas enfermeira, como os seus pais tanto quiseram.
no seu último post, madalena critica esta necessidade quase patológica de se ter o tal dr. atrás do nome. segundo ela, se uma pessoa não for licenciada em qualquer coisa, não é ninguém na vida.
Na nossa sociedade, ou se é Doutor ou não se é nada. Limpezas domésticas, pintura ou carpintaria... há cada vez menos pessoas que queiram fazer estes serviços porque são profissões, de alguma forma, mal vistas pela família, amigos, vizinhos... conheço quem tenha seguido uma destas profissões mas nega-o [três vezes, se for necessário].
Então, comadre: o que é o que o seu filho faz, lá pela cidade? Se o dito for Doutor, a comadre enche a boca. Se não for Doutor, enche do mesmo jeito. Uma mentirinha não vai trazer mal ao mundo.
quando li isto, fartei-me de rir porque isto acontece lá naquela terrinha linda que eu adoro e de que tanto falo. é mesmo assim. aliás, no facebook, é descrita como a "terra dos doutores"...
ri-me mas fiquei triste porque a madalena tem toda a razão. e isso só pode ser um péssimo indicativo de que este país perdeu.
o quê? a transparência.
a madalena queria ser chef de cozinha mas a sociedade recusou-lhe o prestígio, tão importante para os seus pais... e como a madalena, há tantos outros.
o meu pai, agora reformado, foi alfaiate e, depois do vinte e cinco de abril até à reforma, cantoneiro de limpeza. posto de lado por uma boa parte da família, era o homem do lixo. há uns tempos atrás, o marido de uma tia minha, polícia de profissão, disse-lhe que ele teria que subir muitos degraus para chegar até ele[infelizmente, eu não estava presente porque eu teria-lhe dito exactamente o que fazer com a farda]. eu aprendi muito com a profissão do meu pai... por vezes, ia com ele para o trabalho e sentia imenso orgulho dele. afinal, o meu pai ajudava a cidade a estar limpa! e os lisboetas eram tão porquinhos... [e ainda são. é só olhar para o chão e para os eco-pontos].
a minha mãe foi costureira, empregada de limpeza e ama. com ela aprendi a cozinhar e a tratar de uma casa. posso dizer que tive a melhor professora porque tudo o que ela faz, sabe fazê-lo muito bem. e filho de peixe...
ri-me mas fiquei triste porque a madalena tem toda a razão. e isso só pode ser um péssimo indicativo de que este país perdeu.
o quê? a transparência.
poucos são aquilo que querem ser.
muitos ocultam o que realmente são.
muitos ocultam o que realmente são.
a madalena queria ser chef de cozinha mas a sociedade recusou-lhe o prestígio, tão importante para os seus pais... e como a madalena, há tantos outros.
o meu pai, agora reformado, foi alfaiate e, depois do vinte e cinco de abril até à reforma, cantoneiro de limpeza. posto de lado por uma boa parte da família, era o homem do lixo. há uns tempos atrás, o marido de uma tia minha, polícia de profissão, disse-lhe que ele teria que subir muitos degraus para chegar até ele[infelizmente, eu não estava presente porque eu teria-lhe dito exactamente o que fazer com a farda]. eu aprendi muito com a profissão do meu pai... por vezes, ia com ele para o trabalho e sentia imenso orgulho dele. afinal, o meu pai ajudava a cidade a estar limpa! e os lisboetas eram tão porquinhos... [e ainda são. é só olhar para o chão e para os eco-pontos].
a minha mãe foi costureira, empregada de limpeza e ama. com ela aprendi a cozinhar e a tratar de uma casa. posso dizer que tive a melhor professora porque tudo o que ela faz, sabe fazê-lo muito bem. e filho de peixe...
[presunção e água benta...]
há cerca de vinte anos, eu queria seguir o ensino. mas sempre gostei de pensar a longo prazo e apercebi-me que essa profissão, daí a alguns anos, estaria estagnada. por isso, resolvi frequentar um curso técnico e muitas pestanas queimadas mais tarde, tornei-me técnica de óptica. um bom emprego com um bom cargo numa excelente empresa...
contudo, fiquei doente e tive que abandonar a minha profissão. tal como tive que abandonar a minha casa.
voltar a morar com os meus pais significava lidar com a profissão da minha mãe, dia após dia. ela era cuidadora de crianças. o que eu aprendi nos últimos oito anos... não foi só a mudar fraldas, fazer o biberão ou a interpretar choros. aprendi a amar sem exigir nada em troca. porque lidar com crianças é isso mesmo. um acto de amor.
contudo, fiquei doente e tive que abandonar a minha profissão. tal como tive que abandonar a minha casa.
voltar a morar com os meus pais significava lidar com a profissão da minha mãe, dia após dia. ela era cuidadora de crianças. o que eu aprendi nos últimos oito anos... não foi só a mudar fraldas, fazer o biberão ou a interpretar choros. aprendi a amar sem exigir nada em troca. porque lidar com crianças é isso mesmo. um acto de amor.
[há algumas semanas atrás, estive no msm com uma menina que eu ajudei a "criar", juntamente com a minha mãe, claro: estás tão grande...(lágrimas a correr, sorriso tremido) olha, que eu já tenho oito anos!!! sim, minha querida... mas eras tão pequenina quando eu te peguei no colo, pela primeira vez... ]
quando a doença começou a dar tréguas, eu e minha mãe fizemos um género de parceria e passamos a ser colegas de trabalho. todos [família, amigos...] sabiam disso mas, muitas vezes, uma das minhas tias telefonava lá para casa e quase sempre, a meio da conversa, pérola das pérolas: mas tu estás a trabalhar? onde? então, não trabalho com a minha mãe? ah, isso...
ah, isso...
[ ai, madalena, madalena... os teus pais tinham toda a razão, amiga]
quando a minha doença entrou em remissão, decidi que estava na hora de dar a reforma à minha mãe. ela estava muito cansada e já só estava a trabalhar para me ajudar. confesso que me custou imenso despedir-me dos meus traquinas... eles eram tudo, para mim.
vais voltar para a óptica? não. então? não sei...
há muita procura na minha área com excelentes vencimentos. ainda trabalhei numa clínica, por uns tempos. mas, não era nada daquilo que eu queria.
eu queria voltar a fazer aquilo que estivera a fazer durante os últimos oito anos. mas, estudaste tanto...
sim. estudei. queimei pestanas, neurónios e sei lá mais o quê. se estou arrependida? [aqui, ficaria bonito dizer que o saber não ocupa lugar e não sei mais o quê, mas não vou dizer nada disso] estou arrependida, sim. foram anos que desperdicei a fazer algo que não me preenchia, cá dentro. eu tinha uma posição muito boa[social, profissional...], um excelente ordenado... mas era infeliz. tanto que adoeci.
primeiro, um grave esgotamento que deixou sequelas... e a seguir, a espondilite. [sim, eu sei que não é uma doença profissional, mas reumática. sei, ainda, que muitos portadores podem viver uma vida inteira sem que a doença se manifeste. tal como sei que, neste tipo de doenças, há factores que podem ajudar a desencadear a doença... e no meu caso, o responsável foi tudo o que girava à volta da minha profissão].
de que me vale o prestígio... estando doente?
hoje, é com tristeza que vejo a minha mãe "engolir em seco" sempre que diz que não sou mais técnica de não sei quê, porque decidi ser cuidadora [como ela o foi] e que estou a ajudar a crescer um menino[que me faz sorrir, só de me lembrar do seu sorriso...].
quanto a mim... se eu poderia voltar a trabalhar na minha antiga área, se eu poderia fazer menos quinze horas semanais, trabalhar bem menos e ganhar três vezes mais do aquilo que ganho?
e... cereja no bolo: muitos já me disseram que fui de
"cavalo para burro".
...
conheço muitas pessoas que frequentam o ensino superior porque estão atrás de um sonho, da sua vocação. a essas pessoas, eu desejo toda a sorte do mundo. hoje, mais do que nunca acredito que devemos seguir o nosso coração. pode parecer romantismo, mas é a maior verdade que algum dia possamos conhecer.
também conheço pessoas como a madalena. a esses, digo-lhes que ainda estão a tempo. nem só de pão vive o homem e não é o prestígio que vos vai alimentar a alma. e, acreditem, a certa altura, irão sentir o peso da escolha.
também conheço pessoas como a madalena. a esses, digo-lhes que ainda estão a tempo. nem só de pão vive o homem e não é o prestígio que vos vai alimentar a alma. e, acreditem, a certa altura, irão sentir o peso da escolha.
quanto a mim... se eu poderia voltar a trabalhar na minha antiga área, se eu poderia fazer menos quinze horas semanais, trabalhar bem menos e ganhar três vezes mais do aquilo que ganho?
domingo, 31 de outubro de 2010
{chove... e então?}
você é uma dessas pessoas que acordam numa certa manhã,
vêem que está chovendo e dizem:

"que dia miserável?”
não é um dia miserável. é apenas um dia molhado. se usarmos as roupas apropriadas e mudarmos nossa atitude, podemos nos divertir bastante num dia chuvoso. agora, se nossa crença for a de que dias de chuva são miseráveis, sempre receberemos a chuva de mau humor. lutaremos contra o dia em vez de acompanharmos o fluxo do que está acontecendo no momento.
não existe "bom" ou "mau" tempo, existe somente o clima e nossas reacções individuais a ele.
se quisermos uma vida alegre, precisamos ter pensamentos alegres. se quisermos uma vida próspera, precisamos ter pensamentos de prosperidade. se quisermos uma vida com amor, precisamos ter pensamentos de amor. tudo o que enviamos para o exterior, mental ou verbalmente, voltará a nós numa forma igual.
não existe "bom" ou "mau" tempo, existe somente o clima e nossas reacções individuais a ele.
se quisermos uma vida alegre, precisamos ter pensamentos alegres. se quisermos uma vida próspera, precisamos ter pensamentos de prosperidade. se quisermos uma vida com amor, precisamos ter pensamentos de amor. tudo o que enviamos para o exterior, mental ou verbalmente, voltará a nós numa forma igual.
louise l. hay
post recuperado daqui...
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
{dicionário de bolso | a}
aipo
s. m.
bot. planta apiácea muito conhecida e de aplicação culinária.
in priberam
eu costumo utilizar o aipo para perfumar caldos, sopas, molhos. gosto de o preparar com alguma calma, deixar que o seu perfume se espalhe pela cozinha e envolva todos os meus sentidos, enquanto fecho os olhos e inspiro.
sei onde estou. à minha volta, uma miríade de sons, cores, aromas. pertinho da ribeira das forcadas, está uma pequena horta. tomates vermelhos[cheios], pimentos[de todas as cores], malaguetas[vermelhas... picantes] e pepinos verdes. no chão, gordas abóboras cujos braços se estendem pela terra, preguiçosos.
sei onde estou. à minha volta, uma miríade de sons, cores, aromas. pertinho da ribeira das forcadas, está uma pequena horta. tomates vermelhos[cheios], pimentos[de todas as cores], malaguetas[vermelhas... picantes] e pepinos verdes. no chão, gordas abóboras cujos braços se estendem pela terra, preguiçosos.
e o aipo.
esse cresce selvagem,
bem perto dos agriões [também eles, selvagens],
ao lado da ribeira.
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e desta explosão que invade aquele espaço mágico, há um que se destaca. e é por isso. é só por isso que, sempre que posso, cozinho qualquer coisa com aipo.
não pelas suas presumíveis propriedades afrodisíacas, não pela sua reconhecida fonte de potássio nem porque combina bem com couves, frango, pepino, peixe, salada de batata e em sumos com maçã e cenoura.
só pelo aroma penetrante[com notas de noz moscada, citrinos e salsa]. aquele que me leva a viajar, que me ajuda a fazer perto de quinhentos quilómetros em segundos. que me leva para junto da ribeira das forcadas. onde eu sou completamente, feliz.
não pelas suas presumíveis propriedades afrodisíacas, não pela sua reconhecida fonte de potássio nem porque combina bem com couves, frango, pepino, peixe, salada de batata e em sumos com maçã e cenoura.
só pelo aroma penetrante[com notas de noz moscada, citrinos e salsa]. aquele que me leva a viajar, que me ajuda a fazer perto de quinhentos quilómetros em segundos. que me leva para junto da ribeira das forcadas. onde eu sou completamente, feliz.
domingo, 24 de outubro de 2010
{short cut}

farda branca ou verde, socas azuis leves e confortáveis. seringas, agulhas, adesivo canetas, papeis sei lá mais o quê nos bolsos. pernas doridas... ah!(já me esquecia) mal pago!
é assim que miguel se apresenta.
cheirinho a éter, fala-nos da realidade crua e dura do dia-a-dia de um enfermeiro. sem eufemismos [como eu gosto], alguns textos são verdadeiros "murros no estômago". mas todos mostram-nos a enorme capacidade que este enfermeiro tem de se dar ao seu semelhante. uma vez, num comentário, disse-lhe que jamais poderia enveredar por essa carreira por falta de vocação. é assim mesmo. conseguir subtrair-se em prol do outro é algo que nem todos são capazes.
miguel está de partida. o seu caminho, neste pequeno país à beira mar plantado, chegou a uma "espécie" de beco sem saída. porém, um outro caminho o espera, lá pelos lados do grande lago de genebra. e precisa da nossa ajuda. criou o blog asas para voar.
é assim que miguel se apresenta.
cheirinho a éter, fala-nos da realidade crua e dura do dia-a-dia de um enfermeiro. sem eufemismos [como eu gosto], alguns textos são verdadeiros "murros no estômago". mas todos mostram-nos a enorme capacidade que este enfermeiro tem de se dar ao seu semelhante. uma vez, num comentário, disse-lhe que jamais poderia enveredar por essa carreira por falta de vocação. é assim mesmo. conseguir subtrair-se em prol do outro é algo que nem todos são capazes.
miguel está de partida. o seu caminho, neste pequeno país à beira mar plantado, chegou a uma "espécie" de beco sem saída. porém, um outro caminho o espera, lá pelos lados do grande lago de genebra. e precisa da nossa ajuda. criou o blog asas para voar.
onde colocarei os artigos que serão postos à venda, por uma verdadeira pechincha, e que poderão ser empregues nas vossas casas, em casas de férias, casas para alugar, quintas, quintais, cozinhas rústicas. Não peço que comprem mas peço que passem a palavra!
[comprem! vamos ajudar a conseguir os sapatos certos para esta família!]
e quem passou grande parte de uma vida a ajudar os outros, nada mais certo que poder contar com a nossa ajuda.

e há o gastão. esse cão lindo da fotografia. infelizmente, para grande tristeza de todos, o gastão não pode acompanhar a família, nesta nova caminhada. ele precisa de um lar. e sei, no fundo do meu ser, que conseguiremos encontrar a família certa.

e há o gastão. esse cão lindo da fotografia. infelizmente, para grande tristeza de todos, o gastão não pode acompanhar a família, nesta nova caminhada. ele precisa de um lar. e sei, no fundo do meu ser, que conseguiremos encontrar a família certa.
caminhante, não há caminho. faz-se o caminho ao andar: miguel, toda a força do mundo, é o que desejo a ti e aos teus!
sábado, 16 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
{o passarinho azul}

@
e isto foi o que aconteceu comigo... o passarinho, apesar da sua asa ferida, esteve sempre do meu lado. de cor azul, o passarinho chilreava sons tão belos que me embalavam nas horas mais difíceis [que foram muitas, porque nem sempre os sapatos produziam efeito e as recaídas repetiam-se, umas atrás das outras].
durante a minha caminhada, o passarinho azul foi, tantas e tantas vezes, o meu abrigo, o foco luminoso que me ajudava nos dias mais enevoados e nas noites mais escuras. a este passarinho devo a minha vida. porque, com a sua ajuda, cheguei ao fim do caminho e descobri que, afinal, não era um fim... apenas, um novo começo. e que este novo começo era cheio de flores amarelas.
depois do médico ter-me dito que o meu caminho terminaria numa rua sem saída, senti-me perdida. sem rumo, deambulei pela estrada [com os pés cada vez mais feridos] durante muito tempo. um certo dia, o tal caminhante que me estendeu a mão, ajudou-me a procurar uns sapatos que adequassem melhor àquela jornada que tinha pela frente. os sapatos eram magníficos e as dores tinham desaparecido, tal milagre.
feliz, resolvi gritar aos sete ventos que o caminho não terminava numa rua sem saída e que era possível caminhar, sem estar de mão dada com aquela dor que me atormentava a caminhada [que segundo o médico (e com o tempo, viria a revelar-se assim), seria cada vez mais lenta, cada vez mais tortuosa, cada vez mais difícil].
um passarinho passava e ouviu-me. de asas feridas, juntou-se a mim.
feliz, resolvi gritar aos sete ventos que o caminho não terminava numa rua sem saída e que era possível caminhar, sem estar de mão dada com aquela dor que me atormentava a caminhada [que segundo o médico (e com o tempo, viria a revelar-se assim), seria cada vez mais lenta, cada vez mais tortuosa, cada vez mais difícil].
um passarinho passava e ouviu-me. de asas feridas, juntou-se a mim.
depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. guardei a minha no bolso. e fui.caio f. abreu
e isto foi o que aconteceu comigo... o passarinho, apesar da sua asa ferida, esteve sempre do meu lado. de cor azul, o passarinho chilreava sons tão belos que me embalavam nas horas mais difíceis [que foram muitas, porque nem sempre os sapatos produziam efeito e as recaídas repetiam-se, umas atrás das outras].
durante a minha caminhada, o passarinho azul foi, tantas e tantas vezes, o meu abrigo, o foco luminoso que me ajudava nos dias mais enevoados e nas noites mais escuras. a este passarinho devo a minha vida. porque, com a sua ajuda, cheguei ao fim do caminho e descobri que, afinal, não era um fim... apenas, um novo começo. e que este novo começo era cheio de flores amarelas.
[obrigada, meu lindo passarinho azul... gosto tanto de ti...]
sei que o meu amigo passarinho azul anda um pouco triste e isso deixa-me sem saber o que fazer. gostaria de pintar o céu de azul cintilante, encher o sol de amarelo quente e as flores, pintá-las de todas as cores do arco-íris.
passarinho azul, como eu não sei pintar... um abraçinho apertadinho acompanhado de muitos beijinhos, ajudará?
passarinho azul, como eu não sei pintar... um abraçinho apertadinho acompanhado de muitos beijinhos, ajudará?
domingo, 10 de outubro de 2010
{a arte de ser feliz}
houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. nesse ovo costumava pousar um pombo branco. ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. um barco carregado de flores. para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. e contava histórias. eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. perto da janela havia um pequeno jardim seco. era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. e eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. um barco carregado de flores. para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. e contava histórias. eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. perto da janela havia um pequeno jardim seco. era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. e eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
cecília meiréles
terça-feira, 5 de outubro de 2010
{rewind}
lembro-me de acordar sobressaltada. a cama estava aos soluços e as paredes sentiam-se tremer. pressentia-se um rebuliço, lá fora. levantei-me e corri para os braços da minha mãe. é só uma tempestade. ah, então está bem.a porta da rua estava aberta e a janela da sala de jantar também [porque um raio pode entrar em casa e assim tem por onde sair, dizia a minha tia]. subi ao sofá e debrucei-me no parapeito. a casa dos meus tios, em trás-os-montes, fica mesmo em cima de uma montanha, rodeada por outras tantas montanhas... sim, eu acordara mesmo a tempo de assistir à soirée e ocupava o melhor lugar da sala.
o céu, qual tela pintada por um artista enraivecido: chicotadas de dourado e prateado rasgavam o negro e transformavam a noite em dia. a banda sonora, tenebrosa, ensurdecedora.
sai daí, rapariga, que é perigoso! mas, tia... pronto, está bem. [chata].
a minha mãe voltara-se a deitar. está frio, vou dormir. a minha tia, expressão fechada, parecia rezar. o meu tio, enfiado na cama... deixa-o lá, sabes que ele tem medo da trovoada. um adulto com medo da trovoada... [hihihi!!!].
o meu pai colocou meio copo de água em cima da mesa. em cima do copo de água, um pedaço de pão. em cima do pão, uma faca. é para cortar a trovoada. ah... cortar a trovoada. boa.
a tempestade começou a amainar e eu fui-me deitar que o sono começava a pesar-me nos olhos.
de manhã, acordei com o barulho do povo, na estrada. geralmente, aquelas pessoas falam alto, mas naquele dia, falavam ainda mais alto. pareciam agitados, nervosos... corri para a rua. a trovoada dessa noite destruíra quase todas as culturas. as vinhas, as oliveiras... depressa, porém, abstraí-me daquele lamento e olhei à minha volta.
as montanhas, com cores mais nítidas do que o costume. cintilantes. fechei os olhos e respirei fundo. o aroma... aquele que fica depois da chuva beijar a terra...
hoje, quando sinto o cheiro da chuva, lembro-me daquela noite. em que a minha tia rezava e o meu tio [medroso, hihihih] se escondia debaixo dos lençóis. e, principalmente, da mágica que o meu pai fez com meio copo de água, um pedaço de pão e uma faca:
atalhos:
caminhos da memória,
caminhos de operária
sábado, 2 de outubro de 2010
{short cut}
mulher, mãe, amiga... uma comum mortal. é assim que atena se descreve. eu prefiro usar outros adjectivos: forte, generosa, persistente, corajosa... e capaz de um amor que nos contagia e nos faz render.peso dos sentidos fala-nos de uma mãe, de um filho e de uma causa, o autismo.
eu não posso falar sobre este tema porque pouco sei sobre ele. dizem que são seres especiais. uma coisa eu tenho a certeza... depois de conhecer o pequeno vasco, através das palavras de sua mãe, sinto que este menino é especial, sim. mas, também a sua mãe o é [de uma coragem e força que me arrebata e me faz sentir pequena].
este é um blog a visitar diariamente. eu visito e não há dia em que não saia com uma lágrima teimosa e com um sorriso cheio de ternura.
obrigada, atena por partilhar connosco tanto que tem aprendido, que tem vivido, que tem amado.
e um beijinho ao vasco...
["O Luizinho é castanho e cheira a chocolate" - disse o Vasco de um amiguinho. Ora digam-me: haverá algo mais... que estas palavras?]
atalhos:
companheiros de viagem,
paragem obrigatória
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