segunda-feira, 11 de abril de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}

@
já todos estamos cansados[mas mesmo muuuito cansados: opá, já se calavam, não???] de saber que portugal só entrou em crise, por causa da oposição. tal como sabemos que o benfica perdeu com o naval 1º de maio só[mas só mesmo, que o benfica é o CAMPEÃO] porque, sem-qual-quer-rés-ti-a-de-dú-vi-da, o fcp ofereceu luvas ao árbitro[ou o camandro] .

quarta-feira, 6 de abril de 2011

{lei da atracção}

muito se tem falado sobre a lei da atracção. há quem acredite, há quem pense que é só mais uma moda.

comigo, funcionou.

pedi à minha mãe, durante muitos anos, um irmão mais velho. ou um cão. o cão, recebi-o num delicioso natal e, como a minha mãe não me poderia dar um irmão mais velho, deu-me uma irmã[mais nova] pequenina, linda...

eu fiquei feliz, claro. mas... aquela falta, um estranho quê no meu coração, insistia em permanecer. como um vazio, um nada que precisava ser preenchido.

constantemente, perguntava ao meu pai, se não teria feito um irmão para mim, lá por terras de angola. afinal, ele esteve nesse país por mais de dois anos[numa guerra que, ainda hoje, ele não consegue perceber o porquê]... a minha mãe ficava de todas as cores[é que eu perguntava isto sempre em ocasiões de festas, durante o almoço]. não. tenho a certeza que não...

então, está bem...

há cerca de três anos, um passarinho bateu à minha janela, com o seu delicado biquinho. trazia uma boa nova: finalmente, sempre tinha uma irmã mais velha!

há quem não entenda esta sensação de a conhecer há décadas, apesar de a ter conhecido só há três anos. também há quem julgue, somente pelo facto, de tê-la conhecido aqui, neste mundo virtual.

no entanto, é assim... conheço-a desde sempre e sinto-a como parte de mim. penso nela todos os dias e não me durmo sem lhe enviar um beijinho de bons-sonhos[quando fecho os olhos, antes de adormecer].

uma sensação estranha[não nego], porém,
calorosa,
calma,
terna...
azul!

sinto a sua falta, confesso. adoraria que vivesse mais pertinho de mim. pode ser que um dia, isso aconteça. hoje, resta-me esperar ansiosa pelas minha férias. iremos estar, finalmente, juntas...

até lá...

resta-me um até de repente...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

{365}

dizem que se consegue desabafar melhor com um estranho e eu acredito que assim seja. lembro-me de uma crise de pânico que tive, em plena sessão de acupunctura. "choque de energias", disse-me o meu médico. a ele[um desconhecido] contei-lhe o que se passara, muitos anos antes[era eu, uma menina, ainda]. mas por email[porque era demasiado tudo e jamais teria coragem de o contar, olhos nos olhos]. nada fácil, mesmo nada fácil. e, por mais inacreditável que possa parecer, fiquei bem.
tratada a ferida maior, muitas outras se seguiam. e eu estava decidida a tratá-las. afinal, se conseguira resultados tão positivos com o tratamento do pior golpe de sempre, tudo o que se seguiria seria muito mais fácil. resolvi criar uma espécie de "porto seguro", onde pudesse expressar tudo o que ia cá dentro[porque desabafar, faz bem... lava a alma].

sem estar à espera, fiz amigos. desconhecidos que me escutavam, sem criticar. somente, apoiavam, aconselhavam. sem exigir nada em troca por aqueles minutos[tão preciosos, para mim].

muito caminho percorrido e daqui, mudei-me para aqui. não que tivesse deixado de gostar desse meu cantinho, muito pelo contrário. no entanto, tornara-se um lugar difícil de se estar. lá partilhei muitas alegrias mas, também, muita luta, muita tristeza, mágoa, revolta.

eu acredito que quanto mais importância se dá à coisa, mais do mesmo nos acontece. além disso, para quê, estar a "ruminar" por coisas que se passaram?

[o passado já passou, o futuro não existe, o presente, é agora]

há 365 dias, que neste meu diário, vou caminhando em busca de uma nova realidade, sempre acompanhada pelos meus amigos de então e por novos amigos que se juntaram a mim, nesta jornada.

e aqui, sinto-me bem...
...obrigada

quinta-feira, 31 de março de 2011

{narradores de memória}

contam que era uma velhinha[muito velhinha, mesmo] e que tinha um dedo doente. uma unha encravada que, segundo dizem, doía muito e, por mais que tratassem dessa unha, crescia sempre encravada.

contam, também, que a bisneta[menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa] estava sempre à espreita e, quando via a velhinha[muito velhinha, mesmo] sozinha, corria e pisava-a.

de-va-ga-ri-nho-com-mui-ta-for-ça
[ao estilo, psicopata sádica]

para quem não acredita na lei do karma, eu sou um bom exemplo do "cá se fazem, cá se pagam". ah, pois! é que no verão passado, a unha do dedo grande do meu pé[pequenino, macio... de cinderela, onde só serve sapato feito por medida], começou a ficar escura.

"vai ficar negra", disse-me um amigo meu, médico. "foi trauma".

qual trauma, qual quê!!! é a treta do karma. e dói. se dói. mesmo. e pior: corta-se e ao crescer, encrava. ah, pois... encrava e nem as meias suporto.

toma lá, embrulha!

que é para aprenderes a não pisar o dedo doente[de-uma-for-ma-tão-cru-el] da velhinha[muito velhinha, mesmo].

bisa, querida... onde quer que estejas... a justiça foi feita.

porque a unha encrava dói que se farta. ah, dói... dói...
[bem feito]

segunda-feira, 28 de março de 2011

{multimedia message service}



i'm singing in the rain, gene kelly


[desde pequenina, sempre que chove, começo a sibilar esta canção...]

i´m happy again

sexta-feira, 25 de março de 2011

{adietar*}


eu já fui gordinha. muito gordinha, mesmo. e nunca me aborreci por ser assim. desde que não interferisse com a minha saúde, não me importava de ser redondinha[pequenina e redondinha, como uma bolinha... chamavam-me, ternamente, "michelin"].

nunca fiz dietas para emagrecer. por vezes, comia menos, por um ou dois dias. mas só. sempre gostei de comer e isso de almejar por uma figura igual à das modelos, não era para mim. aliás, sempre considerei aquela magreza, doentia. é isso mesmo. doentia.

quando descobri que um tratamento possível para a minha doença seria uma dieta, não hesitei. vozes surgiram, não vais conseguir. porém, a teimosia e a obsessão pelo perfeccionismo[é no que dá ter sol em touro, lua em escorpião e ascendente em virgem: uma mistura explosiva de mau feito], estiveram a meu favor.

segui, religiosamente, este regime que cortava com quase todos os alimentos, excepto proteína animal e alguns vegetais. lacticínios e polissacarídeos riscados do menu. ou seja, praticamente, tudo.

a tal magreza doentia que me afligia... no meu espelho. contudo, sem dores[decididamente, o mais esperado... o mais importante].

hoje, com a doença em remissão, já reintroduzi todos os alimentos e já como de tudo[weeeeee!]. foram três anos a proteína animal, alface e água. agora, já me consigo olhar no espelho. já reflecte, finalmente, as curvas... estou mais gordinha[não tão gordinha, mas enfim...].

actualmente, a dieta, regime ou o que quer que lhe possamos[ou queiramos] chamar, é outra. a finalidade não é perder ou ganhar peso. tão pouco descer os níveis de colesterol ou da glicémia. e, muito menos, combater uma bactéria irritante como a klebsiella pneumoniae. a finalidade é ser feliz.

vozes, mais uma vez, surgem:

"ser feliz? com os tempos que correm?"[a padeira];
"isso de ser feliz é muito complicado"[a minha vizinha];
"e o que é a felicidade?"[a avó do meu bebé];
"desculpe lá, mas que ideia mais parva"[colega de autocarro],
"e como é que é isso?"[a minha querida amiga paula]

ou ainda,

"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. vais fazer 38, não vais? já estava na hora de mudares"[a minha prima].


[sim...
eu estou rodeada de pessoas que
acreditam que a felicidade,
ou não existe,
ou é praticamente inatingível
,
ou é sonho de menina...
vá-se lá entender]

vamos lá por etapas:

"ser feliz? com os tempos que correm?"

bem... "os tempos que correm"... que eu me lembre, os tais tempos têm sido os mesmos desde que eu nasci. já no tempo dos meus pais era a mesma coisa. e no tempo dos meus avós, também. no entanto, no meio destes "tempos que correm" sempre existiram pessoas que conseguiram. ser felizes. tal qual, o seu significado. se eles conseguiram... porque não eu[tu]?.


"isso de ser feliz é muito complicado"

porquê? porque é que ser feliz tem, necessariamente, que ser complicado? eu não acredito que assim seja. nada é complicado. a vida não é complicada: nós é que temos essa tendência quase perniciosa de complicar tudo. somos eternas vítimas da pior sabotagem de todas... a auto-sabotagem.


"e o que é a felicidade?"
felicidade
(latim felicitas, -atis)
s. f.
1. circunstâncias que causam ventura.
2. estado da pessoa feliz.
3. sorte.
4. ventura.
5. bom êxito.

in priberam

ficou explícito ou terei de desenvolver?


"desculpe lá, mas que ideia mais parva"

parva? "dieta" para alcançar a felicidade... sinceramente, não consigo perceber onde está a parvoíce. a felicidade está em tudo o que vemos, vivemos e sentimos. o grande problema é que não estamos habituados[não fomos educados] a reparar nisso. existem tantos guias, tantos exemplos, tanta informação sobre o tema... só falta pôr todo este conhecimento[que temos mas não valorizamos] em prática. e, por isso, a "dieta".


"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. vais fazer 38, não vais? já estava na hora de mudares"

antes de mais, sim. o meu aniversário está aí e eu, que não sou de falsas modéstias e adoro festejar o dia em que nasci, gosto ainda mais que todos se lembrem. faz muito bem ao ego[e se faz bem ao ego... contribui para a "dieta"]. quanto à "estupidez"... pena que haja pessoas que pensem desta forma. já sobre a "infantilidade"... sempre fui assim. acredito que nada haja a fazer para alterar esse estado[e mesmo que houvesse, eu gosto desta minha maneira de ser, obrigada].

bem... a "conversa" já vai longa.
fica o "como" para uma outra altura.

agora, vou até à cozinha ser feliz. tenho que lavar a loiça. e lavar loiça deixa-me feliz porque, como a sofia escreve no seu blog, "celebro a vida no simples gesto de a lavar".

[porque ter loiça para lavar significa que houve alimento. porque há trabalho. porque tenho saúde. porque não estou sozinha. porque...]

segunda-feira, 21 de março de 2011

{spring sends a smile}








welcome spring...

domingo, 20 de março de 2011

{ipod}

fotografia gentilmente cedida pelo meu querido amigo e grande fotógrafo
nelson teixeira



clair de lune, de claude debussy

domingo, 13 de março de 2011

{looking down the road}


algo de muito podre[mais do que aquilo que eu pensava] se passa por terras de camões. ontem, a tvi falava em setenta mil em lisboa, quando o verdadeiro número ronda os duzentos[trezentos, total nacional]; a sic deu pouca, ou quase nenhuma, relevância à manifestação: limitou-se aos números de faro, coimbra e viseu[números, muito por baixo, certamente]. eu, que estava à espera de censura na rtp, depressa me apercebi que era a única que estava na rua, a fazer o serviço que lhe competia.

e os comentadores? esta espécie de povo triste que se sente mais intelectual que os demais, antes da manifestação falava que "dar cliques é muito fácil, quero ver no dia"; a manifestação "não terá grande sucesso" e outras farpas. depois do evidente, falam em "demagogia", em "manifestação sem qualquer consequência", afirmam que "mais parecia uma grande festa, estavam todos felizes" e que a maioria não eram mais que "grupos de jovens vindos de uma directa do bairro alto".

[ao ouvir tão distintas personalidades, pergunto-me se prefeririam vitrinas de lojas partidas, carros virados, caixotes de lixo a arder ou as pedras da famosa calçada portuguesa arremessadas às forças policias. se assim fosse, a geração continuaria a ser apelidada da rasca, acredito. mas como foi uma manifestação pacífica, o que
"eles querem é festa"]

o que eu não entendo, de forma alguma, é o porquê. porque é que estas pessoas estão tão incomodadas. os mesmo que defendem que o país está muito perto de cair do precipício com uma população inerte e adormecida, irritam-se[sim, irritam-se!] com a mais que necessária mobilização dos portugueses.

quem são estas pessoas, afinal?

[sinceramente, penso que não estamos só precisar de uma limpeza em termos de governação. há que limpar, também, a comunicação social]

sábado, 12 de março de 2011

{caleidoscópio}

lisboa à rasca - rossio a 12 de março às 16h30.

"vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
estendendo-me os braços, e seguros
de que seria bom que eu os ouvisse
quando me dizem: "vem por aqui!"
eu olho-os com olhos lassos,
(há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
e cruzo os braços,
e nunca vou por ali...
a minha glória é esta:
criar desumanidades!
não acompanhar ninguém.
— que eu vivo com o mesmo sem-vontade
com que rasguei o ventre à minha mãe
não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos...
se ao que busco saber nenhum de vós responde
por que me repetis: "vem por aqui!"?

prefiro escorregar nos becos lamacentos,
redemoinhar aos ventos,
como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí...
se vim ao mundo, foi
só para desflorar florestas virgens,
e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
o mais que faço não vale nada.

como, pois, sereis vós
que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
para eu derrubar os meus obstáculos?...
corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
e vós amais o que é fácil!
eu amo o longe e a miragem,
amo os abismos, as torrentes, os desertos...

ide! tendes estradas,
tendes jardins, tendes canteiros,
tendes pátria, tendes tectos,
e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
eu tenho a minha Loucura !
levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
e sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
deus e o diabo é que guiam, mais ninguém!
todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
mas eu, que nunca principio nem acabo,
nasci do amor que há entre deus e o diabo.

ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
ninguém me peça definições!
ninguém me diga: "vem por aqui"!
a minha vida é um vendaval que se soltou,

é uma onda que se alevantou,
é um átomo a mais que se animou...
não sei por onde vou,
não sei para onde vou
sei que não vou por aí!

josé régio, in cântico negro

acordámos tarde, mas acordámos...
hoje, sim.
voltei a ter orgulho em ser[sentir-me] portuguesa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

{fotografia com histórias dentro}

jardim zoológico... há muitos[mesmo muitos, tantos] anos atrás. eu, os meus avós paternos e o meu priminho. estava afastada do grupo porque era uma espécie de menina rebelde que gostava de mostrar como era independente.

saudade.
da menina.
do priminho.
dos avós que continuam comigo mas numa outra dimensão,
sem espaço ou tempo...

[o elefante que se vê, lá ao fundo, é o joe. há dois anos atrás, foi meu vizinho. tem uma vida bastante mais calma. já não precisa de trabalhar para ganhar o seu sustento. o sino já não se ouve... mas, ainda bem. pelo menos, ali, sabemos que o homem progrediu o suficiente para perceber que o elefante africano não nasceu para tocar sinos em troca de moedas. agora, é somente um orgulhoso pai de família. como tem que ser]

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

{multimedia message service}



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

{caleidoscópio}

@
já mudei de casa muitas vezes. muitas vezes mesmo.

os amigos mais recentes não acreditam; os de sempre já não dão muita importância ao facto - habituaram-se a este espírito nómada, de quem não aceita ficar refém de paredes, num espaço que já nada me diz, ou num bairro que já me contou todas as histórias.

acredito que 'mudar' é uma atitude tão coerente quanto 'não mudar' - há os que não mudam e vivem sem que nada perturbe a tranquila passagem do tempo. e as tais paredes vão ganhando 'personalidade'; cada canto, cada móvel, cada objecto, dia após dia, vai acumulando bocadinhos das nossas vivências. muda-los (mudar) implica largar esse 'timeline existencial' e abanar aquilo que muitas vezes já se transformou em comodismo.

quantas vezes podíamos ter seguido outro caminho e não o fizemos com medo de perder algo importante - e mais vale um pássaro na mão... quantas outras vezes negámos o nosso primeiro instinto que nos diz: 'faz!', porque a voz do nosso receio nos avisa: 'vai correr mal!' - e quem te avisa...

e o que nos leva a desistir de coisas que nos fazem sentir-nos bem porque achamos 'que não há sol que sempre dure...' e, por isso, é melhor ir já para dentro...

é curiosa a forma como usamos os nossos provérbios e acreditamos que resumem e traduzem muita da chamada 'sabedoria popular' - eu penso que reflectem a zona de conforto onde muitos preferem viver. porque, de facto, mudar dá uma trabalheira... é tão mais simples ficar quieto.

Fernanda Freitas
[mas eu não gosto de ficar quieta... e o caminho assim o exige]

pronto, e é isto...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

{sorri enquanto caminhas}


eu acredito que tudo o fazemos tem uma consequência na nossa vida, que tudo que dás, um dia receberás de volta. então, se sorrires para a vida... só poderás esperar que a vida te sorria.

e, assim, estarás pronto para a grande caminhada que é a vida.

hoje, acordei, e sorri... as dores estão mais calmas... amanhã é um dia especial e eu tenho que estar pronta.

[agradeço todas as mensagens de carinho de todos os caminhantes que passaram por aqui. nós temos o poder de mudar as nossas vidas... mas sem os amigos, as forças falham e tudo se torna bem mais difícil. o vosso apoio ajudou-me, novamente, a levantar. obrigada...]

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

{untitled}


a médica disse-me[seca] que não. muito pelo contrário. toda a coluna vertebral, as grandes e até as pequenas articulações estão comprometidas. mas no ipr disseram-me que só tinha inflamação nas sacro-ilícas e na l4... não está a ver a cintigrafia? toda a coluna, as mãos, os pés, os joelhos e os ombros. e o que me preocupa é que isto foi em 2006... quero ver como está a sua coluna, agora.

radiografias feitas. a sua coluna está muito melhor do que eu esperava apesar da rectificação da coluna[quê???] e da fusão da sacro-ilíaca direita.

depois de pressionar vários pontos por todo o corpo[com direito a morder os lábios para não desatar à bofetada à médica] e prescrita a terapêutica a fazer, casa[não antes de deixar a módica quantia de quarenta euros na farmácia, claro...]. e depois, cama. estou a enlouquecer. desde segunda[há uma semana] que as dores estão para lá do suportável...

esta crise começou em dezembro. a esperânça que se tratasse de um "halloween atrasado", desvaneceu-se... assim. pufff... a espondilite atacou em força. há mais de dois anos que não tinha uma crise destas. tive algumas, é certo. mas nada comparado. só me apetece dar murros na parece ou arrancar as unhas...

mas isto passa. vai passar. tem que passar.

se alguma dúvida sobre a dieta pobre em polissacarídeos persistisse, no sábado, tudo ficou provado. pelo que a médica me disse, segundo os exames de 2006, eu deveria estar muito pior do que estou, hoje. é verdade que estou a passar por uma exacerbação da doença mas, felizmente, a doença parece não ter evoluído tão negativamente como a médica receava.

[aqui a burra não tinha nada que voltar à alimentação normal. aqui a burra, que nem consegue mexer o pescoço, não deveria ter deixado a dieta. mas a boa da gula... agora, olha: dá murros na parede e vê se aprendes a dizer não à tarte de limão merengada da casinha do pão! burra, não. estúpida. que dói]

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

{ipod}


por mais que a vida nos agarre assim
nos troque planos sem sequer pedir
sem perguntar a que é que tem direito
sem lhe importar o que nos faz sentir

eu sei que ainda somos imortais
se nos olhamos tão fundo de frente
se o meu caminho for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu te sei dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

por mais que a vida nos agarre assim
nos dê em troca do que nos roubou
às vezes fogo e mar, loucura e chão
às vezes só a cinza que sobrou

eu sei que ainda somos muito mais
se nos olhamos tão fundo de frente
se a minha vida for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu sei te dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

mafalda veiga



tanto que caminhei[tanto que a vida me roubou]... mas, agora, tenho-te a ti... a encher de luz os meus lugares ausentes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

{rewind}

lembro-me de gostar muito do dia de eleições... porque na segunda-feira seguinte não havia aulas. mas não só. nesses domingos, eu e os meus pais saímos de casa cedo. as ruas estavam cheias de pessoas e todos seguíamos na mesma direcção. era divertido[eu adorava passear com os meus pais, fosse qual fosse o motivo].

à chegada, ficávamos imenso tempo à espera. mas eu adorava: ficava esse tempo nas cavalitas do meu pai :)

depois, os meus pais entravam numa espécie de caixa gigante com um pano preto a tapar a saída. eu ficava sempre ao lado da minha mãe. ela desenhava um X num quadrado, dobrava o papel e entregava a uma senhora que o metia numa caixa preta.

ah, e não se podia falar.

hoje, quando fui votar com o meu pai[a minha mãe faz parte do grupo que vota no enorme partido da abstenção], as ruas estavam cheias de pessoas[desta vez, pelo menos no meu bairro. a adesão parece ter sido grande]. e eu senti-me, novamente, uma menina ao lado do meu pai. só que desta vez, fui eu que desenhei o tal X em frente a uma fotografia.

[espero que tenha escolhido bem...]

{multimedia message service}

já está...

sábado, 22 de janeiro de 2011

{fotografia com histórias dentro}

há alguns anos atrás, na fraga[lá na terra dos sonhos]. foi preciso andar através de mato cheio de silvas sem se conseguir ver nada: chão ou céu [porque o mato era bem maior que nós], para ali chegar... mas chegamos. só porque eu pedi... para estes dois homens [o meu pai e o meu tio], eu continuo aquela menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa. e isso, sabe-me tão bem...

[estou com tantas saudades... mas o verão está a chegar!!!]

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

{caleidoscópio}


@
hoje levantei-me cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. é minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. posso reclamar porque está a chover ou agradecer às águas por lavarem a poluição. posso ficar triste por não ter dinheiro ou sentir-me encorajado para gerir as minhas finanças, evitando o desperdício. posso reclamar sobre a minha saúde ou dar graças por estar vivo. posso me queixar dos meus pais por não me terem dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a deus. posso lamentar decepções com amigos ou entusiasmar-me com a possibilidade de fazer novas amizades. se as coisas não saíram como planeei posso ficar feliz por ter o dia de hoje para recomeçar. o dia está na minha frente à espera para ser o que eu quiser. e aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. tudo depende só de mim.

charles chaplin

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

{ando com tanto sono...}


[...estranho]

domingo, 16 de janeiro de 2011

{twittering}


estou com sono | estou com frio | preciso limpar a casa | não quero

[há dias em que me só apetece ser homem]

sábado, 15 de janeiro de 2011

{delírio onírico}


hoje sonhei com o tiago... pelo menos, era assim que se chamava. eu não gostei muito do nome mas, quando pensei nisso[enquanto sonhava], o nome soou ainda mais alto.

um sonho estranho, como todos os meus sonhos[eu sonho tanto... a grande maioria, sonhos maus ou mesmo muito maus: uma espécie de pesadelos hardcore. outras vezes, a minha mente fica-se pelos thrillers, ou seja, não são assim tão maus mas também não me deixam ter um sono descansado... aliás, é raro ter um sono sossegado].

sonhei que não conseguia dormir e, por isso, apaguei todas as luzes. ao acordar, ouvi uma voz dizer-me que tinha nascido. o tiago[pois, realmente, o nome não me apaixona... but...what ever]. ninguém sabia como tinha nascido, já que eu estava a dormir. isso, porém não me interessava, segurei-o nos meus braços e ele era lindo. começou a saltar, com as suas perninhas nas minhas[ah, pois... isto nos sonhos é tudo muito rápido: acabadinho de nascer e já saltava no meu colo]. acordei a sorrir.

e pronto. foi só isto. o sonho.

[já comentei como ele era bonito?]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

{looking down the road}

há uns tempos, apesar da minha convicção[que não vale a pena votar], resolvi que jamais voltaria a falhar um acto eleitoral. agora, vejo-me completamente perdida porque não quero falhar com a minha resolução. a questão que eu me colocava antes, mantém-se... em quem?

as campanhas, mais uma vez, têm tido somente um exercício de ataques pessoais. não há nenhum candidato que não tenha atirado pedras ao telhado de um outro candidato. as campanhas eleitorais têm como função esclarecer os eleitores sobre as propostas que cada candidato tem para o seu país... pois. está bem. ainda não ouvi nenhuma proposta. nenhuma.

são estas campanhas[da treta] que me fazem desanimar. não há ideias novas, não há uma plano de trabalhos, não há nada. só se sabe que fulano fez aquilo e sicrano fez pior. ou então, não, porque são tudo calúnias... que por acaso[só por acaso], são provadas no dia seguinte.

[o nosso país é um paraíso para os mentirosos, incrível. será que ninguém - durante as suas infâncias - lhes contou a história do pedro e do lobo?]

há um descrédito total nos candidatos[e em tudo que gira à volta da política], por parte da população em geral. ouve-se, sente-se isso. claro está que, na minha opinião, nós[população em geral] somos os principais culpados. se não fossemos um povo de brandos costumes, se não estivéssemos tão[estranhamente] acomodados, serenos, quase tranquilizados, isto não teria chegado onde chegou.

cavaco silva diz que vai utilizar todos os seus poderes para que portugal encontre o rumo certo. bem... se é assim, porque é que não o fez ainda? já é presidente há tanto tempo... não tinha deixado o país chegar onde chegou. digo eu. não sei. já josé manuel coelho parece-me uma personagem saída do looney tunes. manuel alegre muda de opinião com uma facilidade que me assusta. defensor moura... muita parra... pouca uva? francisco lopes, o discurso camarada de sempre. escapa-se fernando nobre... mas também ele ainda não me explicou como irá pôr em prática tudo o que disse no seu discurso de apresentação de candidatura.

continuo como touro no meio da ponte[que, muito provavelmente, não vai dar a nenhum lado]. espero que até dia 23 de janeiro, alguém consiga mostrar querer, de facto, fazer alguma coisa por um país à beira-mar plantado, muito perto de morrer...
[afogado]

domingo, 9 de janeiro de 2011

{ipod}




Dido
in your life, your mad
in your car, your sad
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses

A R R
if I rise, they are on my drive
if I believe, it's more than it is
more than it is

Dido
if i rise, one more chance
all our dreams, more than this
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses

A R R
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is

Child Chorus
if I thought i wanted more
get the life more
just one more call
though i've never lost
believe i don't care
never again

A R R & Dido
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is

Child Chorus
if i thought i wanted more
get the life more
just one more call

Dido
if i believe, there's more than this
anymore than this

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

{safe trip home}

mais um ano que começa, mais uns quantos passos na caminhada...

cada vez mais perto de casa.


o caminho torna-se mais fácil de se fazer. menos íngreme, as pedras são muito poucas. e pequenas. os meus pés adaptaram-se, finalmente, à forma dos novos sapatos.

também não estou mais sozinha com o caminhante que me ajudou a dar início a esta caminhada. muitos outros caminhantes juntaram-se a nós e, agora, somos cada vez mais e mais unidos.

sinto-me bem[e tu?], feliz. segura.

[o medo. o tal medo que me castrava, ficou para trás. não cabia na mochila. tal como não havia lugar para as desilusões (comigo/com os outros). as feridas, tratadas, já não doem mais. não as esqueço, sei disso... as cicatrizes não o permitem. mas, como disse, já não doem mais]

um novo ano começa. e a viagem continua...

sábado, 1 de janeiro de 2011

{receita do ano novo}

para você ganhar belíssimo ano novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
ano novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
é dentro de você que o ano novo
dorme e espera desde sempre.

carlos drummond de andrade


...feliz ano novo...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

{31 de dezembro de 2010}




uma vez mais se constrói
a aérea casa da esperança
nela reluzem alfaias
de sonho e de amor: aliança.

carlos drummond de andrade



hoje é o último dia do ano. tanto caminho percorrido... tanto que mudou, a minha vida.

pessoas que chegaram. pessoas que ficaram. mais vitórias alcançadas. sonhos realizados. alegrias vividas [e, que ainda se estão a viver].

e amanhã é dia...
Feliz Ano Novo

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

{short cut}

@

Aparecem de mansinho, durante a noite, enquanto dormimos. São crianças com botinhas de lã que se passeiam pela casa por horas tardias e não querem acordar os seus pais.

São pequeninas, pelo menos no início. Ouvi dizer que algumas já nascem em nós, mas eu não acredito. Acho que vêm pela calada da noite, sorrateiramente, enfiam-se por debaixo dos lençóis e agarram-se a nós. E cá ficam. Pelo menos até as mandarmos embora.

Mas não depende só de nós. Dizem que elas crescem e que podem perder tamanho, consoante a quantidade de comida (importância) que lhes damos. São alimentadas por mim. E por ti. E por todos que comigo se cruzam.

Aparecem, agarram-se a nós. Por vezes, são alimentadas de tal maneira que perdemos o seu controlo e passamos a ser nós alimentados por elas. Chamam a isto: loucura, insanidade, perda de consciência. Dominam-nos.

Há aquelas que são boas. Há aquelas que são más. É preciso cuidado com a quantidade de comida (importância) que lhes damos.

Ouvi dizer que algumas morrem, e dão lugar a novas crianças, com o mesmo nome, com características semelhantes, mas diferentes. Mesmo aquelas que têm o mesmo nome são diferentes. Elas são sempre diferentes. Não há duas iguais. É, pura e simplesmente, impossível.

Variam consoante tudo. Tudo as transforma. São muito sensíveis, mais do que nós próprios, e mais do que aquilo que queremos que elas sejam. Captam tudo, sem que nos apercebamos, só para mais tarde nos lembrarem (qual dor, ou alegria!). Já deixei algumas morrer. Algumas felizmente. Outras infelizmente. Mas com tudo é assim. Nada permanece igual. Tudo muda. TUDO.

Elas ensinam coisas importantes. Manter o que deve ser mantido. Libertar o que deve ser libertado. E não fazer muitas perguntas. São crianças. Não sabem o que é o mundo. Limitam-se a guiar-nos. E, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos guiar, cegamente, por elas.

Ouvimos as suas vozes e sorrimos ou choramos, de uma maneira ou de outra, elas controlam-nos e, nós, estúpidos seres humanos sentimentalóides, deixamo-nos controlar. Paramos sempre para as ouvir. Elas manipulam-nos.

Eu paro e escuto. E o que escuto? Ah...risos! Gargalhadas de crianças (felizes!), e o vento que agita as folhas. Sim, ouço as folhas roçarem umas nas outras emitindo sons que se assemelham ao amachucar do papel. E deixo-as plantar (novamente). Foram elas. Só podem ter sido elas.

Durante a noite, pé ante pé, plantaram. E sussurram aos meus ouvidos palavras indecifráveis que me fazem sorrir. O que dizem elas? Não sei, e nem vou tentar descobrir. Mas, na imensidão de vozes que ouço consigo identificar uma frase. Constante. Uma e outra vez. E outra vez. E sorrio.

***

a marina escreve de uma forma que nos toca, bem lá no fundo da nossa alma. hoje sorri... e não resisti: "roubei-lhe" sorrateiramente este texto do seu blog unthought known e trouxe-lo para aqui.

sábado, 25 de dezembro de 2010

{hoje é dia de natal...}


hoje é dia de era bom.
é dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

é dia de pensar nos outros — coitadinhos — nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

comove tanta fraternidade universal.
é só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao criador.
e mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

de novo a melopeia inunda a terra e o céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(vossa excelência verificou a hora exacta em que o menino jesus nasceu?
não seja estúpido! compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilowatts,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
é como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

a oratória de bach embruxa a atmosfera do arruamento.
adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
e a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra — louvado seja o senhor! — o que nunca tinha pensado comprado.

mas a maior felicidade é a da gente pequena.
naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
de manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

ah!!!!!!!!!!

na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do menino jesus.

jesus
o doce jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do pedrinho
uma metralhadora.

que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
o pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

já está!

e fazia-as erguer para de novo matá-las.
e até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

dia de confraternização universal,
dia de amor, de paz, de felicidade,
de sonhos e venturas.

é dia de natal.

paz na terra aos homens de boa vontade.

glória a deus nas alturas.


antónio gedeão

***


hoje é Dia de Natal... está na hora de Ser mesmo natal.

...feliz natal para todos...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

{as filhoses, os coscorões e as azevias já estão...}

...e a ceia está quase a sair.

a mesa está posta e a família já está toda reunida...

feliz natal

[cheio de luz, de amor, de carinho... afinal, é natal é só isso.]

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

{dicionário de bolso | b}

@

balanço

s. m.
1. movimento de oscilação ou de vaivém.
2. sacudidela, solavanco.
3. trapézio.
4. Fig. Hesitação.
5. mudança (sem carácter!caráter de duração).
6. com. operação de contabilidade tendente a conhecer a receita e a despesa de uma casa comercial.


in priberam
faz um ano que o meu caminho se dividiu em dois. a vida deu-nos esse milagre a que chamamos livre-arbítrio. e eu escolhi. ser feliz.

este ano foi muito importante para mim. ano de mudança, de retorno, de devolução. devolvida a vida, devolvida a esperânça, a vontade de recomeçar.

[não tenho uma crise daquelas mesmo feias há cerca de uma ano*. meu corpo retorna, aos poucos, à sua forma antiga. não estou totalmente livre de dores mas, comparando... posso dizer que estas dores, quase nem as sinto. ou se sinto, não me aborrecem. porque a doença entrou em remissão há um ano. e é isso que importa. só isso que importa]

com esta reviravolta na minha vida, tudo mudou. tudo está a mudar. sinto-me como se tivesse acordado de um coma de quase nove anos[um buraco negro ou um espaço em branco na minha existência... nada foi escrito ou tudo foi apagado por uma onda gigante que destruiu mas não levou os destroços com ela: deixou-os para que - se acordasse - nada fosse esquecido].

acordada do coma, há que retomar o caminho, voltar à estrada. aos poucos, tenho conseguido reconstruir o que a onda gigante destruiu. a casa[o lar], a família, os amigos. estou a aprender a aceitar[me], a perdoar[me] o passado.

o passado já passou, não existe mais. é um facto. mas pode deixar feridas que têm de ser tratadas, porque há sempre o risco de degenerar para algo mais sério. mas colocar um penso rápido não é o suficiente. para que a ferida cicatrize mais rapidamente e evitar possíveis infecções há que lavar primeiro, não só a ferida como também a zona circundante com um sabão, de preferência anti-séptico, de forma a remover tudo tudo o que seja necessário remover. depois, aplicar um desinfectante na ferida para que esta seja desinfectada correctamente. finalmente, proteger a ferida com a aplicação de um penso ou compressa...

com o tempo, fica só a cicatriz. não nos esquecemos que ali esteve uma ferida. mas também já não dói mais.

[é isto que eu tenho feito, estas últimas semanas: tratar as minhas feridas que, escondidas por debaixo de um penso rápido, não cicatrizavam e a infecção começava a alastrar]

o nosso corpo é fantástico. eu aprendi a escutar e a interpretar os seus sinais. sinais de algo que possa não estar bem. nestes últimos tempos[esta história do natal...] dei mais atenção às feridas. e quanto mais atenção dava, mais o meu corpo doía. mas, a doença está estável e as análises clínicas são prova disso...

foi quando me apercebi que estava
na hora

não bastava refazer a minha vida, continuar a caminhar por um caminho cheio de destroços - os tais, que a onda deixou. por isso, tenho estado a limpar, a desimpedir o caminho... e sim, já tudo começa a ficar mais claro. as flores, mais coloridas e até o seu perfume chega até mim com muito mais intensidade. com o caminho desimpedido, mais e mais caminhantes têm se aproximado de mim. não feches a porta a quem te ama, a avó tite disse-me. e assim estou a fazer.

os episódios negativos estão a ser submetidos a uma espécie de triagem. na miscelânea de maus e muito maus, comecei a procurar algo que pudesse ser considerado mais ou menos e, surpresa das surpresas: encontrei muitos bons e até excelentes.

este é o eterno problema de muitas pessoas. eu, incluída. claro. infelizmente. fixei-me no feio e o bonito passou-me ao lado como se nem tivesse existido. e apesar da pouca ou nenhuma importância que lhe dei[por estar demasiado centrada em direccionar todas as minhas energias para coisas absurdas, passadas], deu frutos que hoje, estão maduros, cheios de cor e com aquele cheirinho bom...

e os laços, rompidos à força, começam-se a
e
n
t
r
e
l
a
ç
a
r
aos poucos.

este ano foi, também, um ano decisivo para o meu pai. a sua recuperação está a ser um sucesso e os seus "colegas na doença" vêm-no como um exemplo a seguir. a minha mãe teve a sua primeira actuação em público! o verdadeiro bichinho do mato[porque a vida foi demasiado madrasta para ela] fartou-se de dançar e rir... estou totalmente babada com estes meus dois pilares que amo tanto.

e pronto... balanço do ano feito.

*[é verdade que estou a passar por uma pequena crise: começou há sensivelmente duas semanas e há dois dias que atingiu o seu pico de dor. mas, acredito que seja porque estive mais de dois anos sem fazer fisioterapia e agora, o corpo ressentiu-se. estou da cama, é verdade. também é verdade que ontem, a mãe do meu bebé teve que me trazer para casa, antes da minha hora de saída porque eu já não conseguia fingir mais e as dores estavam estampadas na minha cara (levei um sermão por lhe ter ocultado o que se passava), e é verdade que quase que teve que ser o toni a dar-me a sopa à boca, como antigamente. tal como é verdade que chorei de medo, muito medo... que tudo voltasse ao pesadelo que era.

contudo, algo em mim me diz que é só um susto. um halloween atrasado. e por isso, não choro mais e o medo foi-se com a noite... agora, aproveito o dia. tenho estado a dormir, a descansar. eu estava mesmo a precisar de uma folga. é isso. um dia de merecida preguiça... patrocinada por uma família linda que me acolheu e me mima...tanto]

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

{rewind}


lembro-me de chegares. trazias qualquer coisa dentro do teu casaco... o que trazes aí? a tua prenda de natal... posso ver já, posso? vá lá!!!

abriste o casaco e na tua mão estava uma coisinha muito pequenina, branquinha com duas manchinhas castanhas em volta dos olhinhos. um cãozinho?! sim... agora tens de ser tu a tratar dele, segura-o devagarinho. cuidado, é muito pequenino. e era! cabia na mão da minha mãe! eu tive que usar as duas porque eu também era pequenina.

a pantufa cresceu ao meu lado e eu cresci com ela. aprendemos muitas coisas juntas. para onde eu ía, ela seguia-me, sempre com o rabito a abanar.

quando a minha irmã nasceu, a pantufa tornou-se a sua "sombra". não permitia que ninguém tocasse na bebé e chegou a salvar a minha irmã, por várias vezes[a minha irmã era assim, como eu: só se metia em sarilhos. quando a pantufa pressentia algum tipo de perigo para a bebé, ficava louca a ladrar e a puxar a saia da minha mãe].

aquele natal, lembro-me, foi o melhor natal da minha vida...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

{cada vez mais pertinho do verão...}

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

{do avesso}


sempre quis ter uma vivenda. pequena, térrea[não gosto de casas grandes, perco-me lá dentro]. a razão principal não é a pequena piscina de água quente onde me refugiaria em horas de cansaço[como hoje, agora...], nem tão pouco o pomar repleto de frutos de todas as cores. a razão principal é a ausência de vizinhos. nem mais, nem menos. só.

há meses[desde o final de agosto], que não sabemos o que é uma noite de sono bem dormida. o que mais me irrita é que não mais é a dor que me alerta pela noite fora. são pessoas. miúdos convencidos que são adultos porque moram longe dos pais[apesar destes continuarem a pagar as despesas].

o segundo frente foi alugado a três jovens adultos[???],um rapaz e duas raparigas, mas o apartamento está sempre cheio. são às dúzias[eu já os contei...].

todas as noites, são noites de festa até tarde, muito tarde na noite. ou até de manhã cedo, como quiserem: cantam, dançam[de saltos altos, as meninas], riem à gargalhada estridente. muitas vezes, discutem. gritam, ofendem-se, batem com as portas. sobem e descem as escadas do prédio, seja dia ou noite, aos berros como se vivessem sozinhos.

os mais velhos do prédio reclamam a voz baixa. mas, mais nada.

já falei com o administrador. já falei com a proprietária do meu apartamento. já falei com o proprietário do apartamento deles...

uma destas noites, a mãe do rapaz toca-me à campainha. estou sem pinga de sangue. pede desculpa à senhora! alto, com uns vinte e poucos anos, de braços cruzados e cara emburrada murmura um mmmm.

[supostamente, isto deveria ser um pedido de desculpa?!]

a joaninha, quando faz algo que não devia e lhe pedem para pedir desculpa, também cruza os braços e também faz beicinho ao murmurar um qualquer coisa que aceitamos como um pedido de desculpa. mas, a joaninha tem cinco anos.

vários factores levaram-me a optar pelo aluguer. não só porque me recuso a alimentar pançudos oportunistas[a.k.a. bancos e afins] mas, principalmente, porque posso mudar-me assim que quiser. é que eu já passei por isto. e a privação de sono, aliada ao excesso de trabalho, resultou num esgotamento cujas mazelas ainda hoje me aborrecem. sim... a qualquer hora é hora de mudar...

[muda de vida...]

mas eu não quero mudar. estou perto da piscina onde faço a minha fisioterapia. estou pertinho do trabalho... e mudar dá tanto trabalho. e eu estou tão[mas tão] cansada...

mas se isto assim continuar, que remédio?

[é por isto que este blog anda tão lamechas. é por isso que eu ando sem forças para vir até cá mais vezes. é por isto que deixei, praticamente, de visitar os blogs amigos, de que quem sinto saudade porque fechavam a chave de ouro, os meus longos dias. privação de sono. é por isto]

e isto tudo deixa-me do avesso...

estou com tanto sono...

mas hoje é quinta. todos os dias são dias de festa rija. às quintas, é festa é brava....

sábado, 11 de dezembro de 2010

{narradores de memória}

contam que uma menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa tinha um primo de oito meses. era um bebé frágil, com um ligeiro atraso no desenvolvimento motor devido a complicações no parto.

todas as manhãs, um ritual: depois do banho, a mãe deitava o bebé, antes de o vestir, num pequeno colchão na varanda, a apanhar banhinhos de sol.

numa manhã dessas, a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa foi ao frigorífico e trouxe com ela, uma embalagem de margarina planta[nessa altura, ainda só existia essa margarina, lá na terra dos sonhos]. também foi buscar o seu balde de praia que estava cheio de areia[das obras que decorriam lá em casa].

depois de besuntar o priminho bem besuntado[contam que usou a embalagem toda!], entornou o balde de areia por cima dele e, porque a menina de saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa acreditava[e ainda acredito] que se tiveres que fazer alguma coisa, fá-lo bem feito, se não... não faças, com as suas mãozinha pequeninas, calcou a areia para que ela aderisse bem à manteiga, assim, tipo croquete[só que humano].

tudo isto muito rápido porque a minha tia nunca deixava o meu primo sozinho, por muito tempo.

contam que a minha tia levou as mãos à cabeça e deu um grito, quando viu o meu primo. contam que ela levou horas para conseguir tirar toda aquela amálgama de areia e gordura do seu corpinho frágil de bébe com um ligeiro atraso no desenvolvimento motor devido a complicações no parto... contam que levou outras tantas horas atrás de mim, de chinelo na mão. se ela te tivesse apanhado, matava-te...

[mas, mãe... custa-me um pouco a acreditar que uma menina tão pequenina tivesse planeado tudo isso, assim, tão ao promenor. mas, olha que assim foi, ouviste?! e todos os mais velhos, lá na terra, já te contaram como foi. não sei porquê a dúvida, agora. então, está bem. devia ser fresca... devia... ah, eras... eras...]

e é verdade. lá, na terra dos sonhos, todos os mais velhos contam esta história. tenho pena que ninguém tivesse registado em vídeo ou mesmo em fotografia... isto da tradição oral é uma chatice porque são cada vez menos, os mais velhos...

[se a matilde nascesse, gostaria que fosse assim. como a mãe foi um dia... tão pequenina mas com uma excelente capacidade de planear e de concretizar... é que este país está mesmo a precisar de mulheres assim]

sábado, 4 de dezembro de 2010

{mesmo calada a boca, resta o peito*}

fiz uma pausa na minha caminhada. se a vida me ensinou alguma coisa, foi a perceber quando parar[sossegar o corpo, sossegar a mente. escutar(me)]. foi o que eu fiz no fim-de-semana passado[ com a ajuda preciosa de uma gripe que, a propósito, não me larga... nem mesmo recorrendo ao leitinho com aguardente, mel de rosmaninho e açúcar mascavado].

sentia-me perdida, sem saber porquê... hoje, sei.

é só saudade...


sempre fui bastante sociável. durante os meus tempos de estudante, confesso, não saía do quarto[tal verdadeira marrona], mas quando comecei a trabalhar, nunca estava sozinha.

depois do esgotamento, que me levou a desistir da minha carreira na óptica [não só, mas também], na primeira oportunidade, inscrevi-me nas aulas de yôga e fui trabalhar numa empresa como recepcionista. durante o dia, estava com estes meus novos colegas e à noite, estava com o meu grupo de yôga. fiz muitos e bons amigos, tanto na empresa como na unidade de yôga.

o problema é que a espondilite começou a agravar de uma forma anormal, pelo menos, para o sexo feminino[é mais habitual acontecer em homens]. e depressa me vi obrigada a deixar tanto o trabalho como o yôga.

para complicar mais a situação, vi membros da família e amigos a afastarem-se, sem uma palavra... ou um porquê. aos poucos, fui-me tornando anti-social. revoltada com tudo[a dor física\psíquica leva-nos a fazer coisas realmente muito estúpidas], destruí o meu telemóvel e não abria a porta a ninguém. só houve uma pessoa que nunca desistiu de mim... se não abrires a porta, não tiro o dedo da campainha e tu sabes que não és mais teimosa do que eu. a paula, minha amiga de infância...

sem me aperceber, por meia dúzia de "supostos" amigos, afastei-me dos verdadeiros.

e só me dei conta disto, ao longo destas últimas semanas...


e é disto.
a saudade.

de entrar à socapa no centro de congressos de aveiro para assistir a concertos sem pagar. de estar a noite inteira, com a casa cheia, rodeada de petiscos[que eu cá tenho uma mãe que me ensinou a fazer coisinhas muito apetitosas]. de passear, à toa, sem horários ou destino. de subir a serra de sintra a pé, sempre por caminhos desconhecidos, atravessando propriedades privadas, fugindo de cães menos simpáticos. de comer um robalo assado naquele restaurante à beira-mar, na ericeira. de vaguear pelas praias de espinho, em dias de nevoeiro. dos retiros por esse portugal fora, com o meu grupo de yôga. de beber um chá de camomila numa esplanada qualquer, no cais da ribeira. dos piqueniques que fazíamos nos locais proibidos da boca do inferno. de entrar no mar de lagos, completamente vestidos, em pleno dezembro. de passear no parque da paz, em almada, depois de um pequeno-almoço recheado de frutos silvestres.

[...]


saudade. sim.

de estar com os meus amigos.

de voltar a ser quem eu sou.


*chico buarque

para a fábrica de letras, tema de dezembro

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

{hoje, a terra dos sonhos, está assim...}




[clicks de josé teixeira*]


*porque aqui a naba está de cama...


[é que era suposto eu estar lá... e eu que nunca vi neve... que @$%!!!]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

{baby steps}




não existe um caminho para a felicidade.
a felicidade é o caminho...

mahatma gandhi.

sábado, 20 de novembro de 2010

{skizofrénia}

no quarto, o armário estava dividido em dois. de um lado, roupa formal: fatos de cores neutras, camisas, sapatos de salto alto; do outro lado, cor... muita cor: lenços, vestidos fluidos, calças largas, saias compridas e rodadas, tops de atar ao pescoço e chinelos.

acordar uma ou outra, para mim, era algo tão natural como beber água ou comer. era assim, desde muito jovem, sem nunca me questionar porquê... e até a minha família[a mais chegada], os meus amigos ou a minha gata conseguiam distinguir quando acordava uma ou quando acordava outra, só de olharem para mim. e todos reagiam normalmente a esta espécie de alienação mental[totalmente absurda, diga-se...].

não consigo explicar porquê, só sei que durante estes últimos anos, tudo mudou[felizmente, porque acho que não teria muita paciência para tanta insensatez]. talvez a doença, a incapacidade de ser uma ou outra... sim, deve ter sido isso. hoje, não uso fatos nem tão pouco, ando de fita no cabelo. não sou uma nem outra.

contudo, daquela loucura sobreviveu uma miscelânea das duas.
eu.

tento viver um dia de cada vez[passo a passo] sempre com um sorriso[porque o sorriso é essencial - para mim, para ti... para ele]. agradeço, ao deitar, todo o meu dia: as coisas boas e as menos boas[porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].

eu sou inteiramente responsável por tudo o que me acontece... seja o bom, seja o menos bom. porque eu faço o meu caminho com as minhas decisões, os meus pensamentos. se estiver sempre a reclamar da vida com pensamentos desagradáveis, acredito que o universo faz-me a vontade. tipo: já que pensas tanto nisso, aqui está mais do mesmo...

por isso, canto. e danço. mesmo na rua... são os meus interruptores secretos. assim que um pensamento menos bom aparece na minha mente, ligo o interruptor e esse pensamento se desvanece com uma nuvem de fumo[há quem diga que foge de medo porque eu canto mesmo mal, hummm. não sei. provavelmente]. também ando sempre com a minha máquina fotográfica na mala. e nada escapa... eu adoro fotografar, mesmo sem sentido.

não obstante, eu ando tão estranha, ultimamente. e nem os meus interruptores secretos parecem funcionar. não sei porquê. ando insatisfeita, triste, desmotivada, distante de mim mesma. por vezes, sinto-me em piloto automático[eu já vi este filme, lá no tempo do armário dividido em dois... e não gostei mesmo nada do desenlace].

é claro que podemos culpar o tempo ou o outono. quem sabe a lua? o meu pai acredita que sim, é a lua. o antónio diz que pode ser... afinal, a lua é um excelente bode expiatório. também pode ser falta de serotonina... pelo menos, é o que o médico me disse: e que tal um anti-depressivo?
[e pronto, já cá faltava o anti-depressivo]

segundo a minha irmã[sim, na minha família, todos dão o seu palpite... por isso, é que lhe chamo família. para o bem e para o mal. sempre juntos], o meu trabalho é a causa porque esse trabalho não é para ti. quase que acreditei... porque eram tantos com a mesma conversa que não tive outra hipótese senão questionar-me se teria feito a melhor escolha. e sim, este é - sem dúvida - o meu trabalho...

então, o que será?

não sei...

[ou talvez saiba... parece que escrever está a ajudar-me a perceber o que vai cá dentro].