sábado, 25 de junho de 2011

{adietar*: que rosto vestiste hoje?}


acordava sempre 10 minutos antes do despertador. tomava um duche, lavava os dentes e secava o cabelo. no roupeiro, escolhia o que vestir e, depois de tudo pronto, saía para trabalho: sempre com um "bom dia" nos lábios, nem sempre com um sorriso no rosto.

[por uma noite mal dormida;
por cansaço;
porque, por vezes, doía mais que o habitual;
porque...]


nesses dias, o universo parecia conspirar contra mim. tropeçava em tudo e em todos, caía[ou deixava cair tudo], atrasava-me, o trabalho corria mal[aliás, tudo corria mal]... nesses dias, sentia-me completamente derrotada, arrastando-me sem forças, sequer, para viver.

[até ao dia em que me apercebi que
não era o universo
que conspirava contra mim.
era eu]


à noite, antes de adormecer, fazia uma "lista mental" de tudo aquilo aquilo que iria fazer no dia seguinte. ao pormenor, sem falhas.

extremamente organizada, sempre gostei de planear tudo até ao mais ínfimo detalhe. tinha vários dossiers de listas e planos: um no trabalho e uma série deles em casa[tarefas; menus semanais; planos de organização; listas de compras; contabilidade doméstica; inventários...]. além destas listas[físicas] tinha, ainda, outras tantas "listas mentais".

e, se antes de dormir, após rever as minhas "listas mentais" previsse um dia muito exigente, passava os minutos seguintes[ou até horas] a considerar a hipótese de não ter tempo para conseguir atingir os objectivos propostos nas ditas listas, porque algo poderia correr mal, porque...

preocupava-me["pré-ocupava" os meus pensamentos, sofria por antecipação] e, sem me aperceber, boicotava tanto a noite que acabara de começar, como o dia seguinte[quem dorme mal, muito dificilmente terá um bom dia].
[e sentia-me cansada... sempre muito cansada]

no início da dieta, tudo mudou. não existem mais dossiers. no trabalho, apenas uma pequena agenda onde aponto, somente, lembretes urgentes passíveis de serem esquecidos. em casa, só tenho um dossier[da contabilidade]. tudo o resto foi substituído por post-it e está muito bom assim.

[bem... a lista de compras mantém-se na lateral do frigorífico...
mas é a única excepção!]


à noite, antes de dormir, acabaram-se a "pré-visões" do dia seguinte[que me desgastavam, deixavam-me ansiosa, nervosa... e quanto mais nervosa, pior a noite; e quanto pior a noite, assim seria o dia].

agora, antes de adormecer, revejo o meu dia e agradeço: as coisas boas e as menos boas...

[porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].

...e envio amor aos que amo. despeço-me do meu anjo-da-guarda e do meu guia[sempre comigo mas a quem dediquei muito pouca atenção durante a minha caminhada - mas isso, aos poucos, está a mudar]. deito uma ou duas gotinhas de óleo essencial de alfazema na minha almofada e entrego-me ao sono.

de manhã, antes de qualquer coisa, agradeço a noite que tive e agradeço o dia que terei. visto um sorriso, levanto-me e ponho pés ao caminho.

o segredo da dieta[descobri] é, sem dúvida, a atitude que se tem perante a vida. essa atitude irá ser decisiva para o estado geral do pavimento da estrada da vida: tudo que dás, um dia receberás de volta.

então, se sorrires para a vida...
só poderás esperar que a vida te sorria...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

{rewind}


lembro-me do meu roupeiro cheio de vestidos iguais aos das montras das lojas. mas os meus vestidos não eram feitos naquelas máquinas grandes que fazem muitos vestidos num só dia. aliás, cada um dos meus vestidos, demorava muito mais que um dia a ser feito.

a minha mãe. quem os fazia.

lembro-me de passear com ela e, quando parávamos em frente a uma montra, perguntava-me gostas? gosto muito!

tecidos, linhas, botões coloridos com formas divertidas... a sala transformava-se num atelier de costura. a estilista[a melhor que eu conheci] não tinha mãos a medir. moldes, giz, fita métrica. linhas e máquina de costura. dedal, linhas e mais linhas...

lembro-me de cada vestido, de cada pormenor... lembro-me e sorrio com saudade.

e tu, lembras-te?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

{arre burra, que amanhã é sexta...}



um bom são joão, fim-de-semana prolongado,[ou] férias a todos

[hoje, o dia vai ser longo...
e eu a precisar taaanto de férias...
arghhh... ]

terça-feira, 21 de junho de 2011

{welcome summer...}

eu gosto é do verão...


[guincho... (sim, sempre o guincho) no último sábado]


sexta-feira, 17 de junho de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}


tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. sim. só desta vez. porque era marrona e nunca precisava de cábulas auxiliadores de memória. mas... pá. era trigonometria. eu detestava trigonometria, pá.

era chato. o professor. em noventa minutos de aula, sessenta eram utilizados a caracterizar os portugueses como "marroquinos da europa". o prof dizia que nossa sorte era sermos "brancos". juro. a sério. palavras dele. também português. branco.

os restantes trinta minutos, vomitava matéria.

ora, eu tenho este problema... não consigo, de todo, decorar. preciso compreender. marrar muito. mas, para isso, tenho que ter as bases necessárias[felizmente, só tive um professor assim].

tri-tri, como era, "carinhosamente", chamado, também não parecia entender muito das leis dos senos, dos cossenos ou mesmo das tangentes. eu... só [a treta d'] o teorema de pitágoras. tudo o resto... estava a zeros.

ora, o meu colega costumava, previamente, encher uma folha de teste de cábulas auxiliadores de memória para os exames. no dia do exame de trigonometria, vendo-me aflita, deu-me uma cotovelada. olhou-me com uns olhos de "só podes ser parva" e pronto. tipo. lá olhei para o lado e safei-me com um mísero 1o valores.

nunca me esqueci desse fatídico dia em que fui uma verdadeira criminosa. sim, porque eu sempre pensei assim. num exame, prestas provas daquilo que sabes. se sabes, sabes. se não sabes, repetes. eu, que abominava todos os que, por meios nada sérios, conseguiam aquilo que eu, só marrando muito, conseguia... nesse dia, fui contra tudo aquilo em que acreditava. que defendia.

e, até ontem, me envergonhei do que fiz.

sim, até ontem.

a [treta d']a trigonometria não tem qualquer papel relevante no exercício da minha profissão. cá para mim, só nos foi leccionada para encher chouriços. no nosso dia-a-dia, no nosso local de trabalho, o círculo trigonométrico revelara-se, somente, uma triste[e muito longínqua - graças a deus, pá!] recordação.

já, um futuro magistrado, copiar num exame de investigação criminal e gestão de inquérito... não pode ser nada bom. ah, pois não. opá... é como um futuro cirurgião copiar num exame de anatomia. é mau. muito mau. mesmo muito mau.

tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. e a vergonha e o sentimento de culpa por ter sido desonesta, tem-me perseguido, desde então.

e não havia necessidade, pá. dessa auto-flagelação, pá. eu era uma miúda. já estes tipos... pá. estes tipos já frequentaram a universidade e estão a tirar uma especialização. em investigação criminal. pois. uma especialização séria. mais de 130 tipos sérios para ocuparem cargos sérios, pá. que decidem se a vida dos outros é pouco ou nada séria.

tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. e só ontem[pá], só ontem, percebi que não era preciso tanto fuzuê em torno do assunto. esta noite, já dormi sossegada. o sono dos justos. pá. e foi bom. pá.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

{copyright}



para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
sê todo em cada coisa.
põe quanto és
no mínimo que fazes.
assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.

fernando pessoa

domingo, 12 de junho de 2011

{caleidoscópio}

foto original @
quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para dizer “obrigada”. o último para dizer “me desculpa”. o último para dizer “eu te amo”. o último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. o último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura para depois. o último para fazer as pazes. para desfazer enganos. para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para esquecer tolices. o último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. o último para rir até o coração dançar. o último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. o último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. o último para ser útil em toda circunstância que me for possível. o último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez. o último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. o último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. o último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. para expressar a minha admiração. para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. para compartilhar. eu não adiaria delicadezas. não pouparia compreensão. não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

sábado, 11 de junho de 2011

{falling... falling... }


as últimas semanas não têm sido fáceis para ninguém. toda a família, alerta. não se dorme. o toque do telefone[que nos assusta, súbita e violentamente] não nos dá tréguas. sente-se que a neblina escura e fria do medo nos envolve, estreita-se e nos constringe.

como é que deixou a sua mãe chegar a este ponto?

a pergunta não me foi feita a mim. mas, senti como se tivesse sido. "E" está muito mal, muito mal, mesmo. porém, a pergunta não deveria ter sido dirigida ao filho[que está desesperado, que precisa que lhe digam que vai tudo correr bem, que em breve terá de volta a sua mãe]. a pergunta deve ser feita ao médico de família que, durante vários meses[repito, vários meses] disse a "E", que não tinha nada, que era tudo da "sua cabeça"; que disse "que não se interna ninguém, enquanto não há um diagnóstico"...

[eu acreditava que os hospitais serviam, também, para diagnosticar. afinal, não. só se interna alguém, quando há um diagnóstico. vivendo e aprendendo...]


"E" emagrecia a cada dia que passava. o sopro da vida, também ele, ficava cada vez mais ténue. exames, consultas, urgências, transfusões de sangue, soro... muito soro. cada vez mais fraca, mais magra. tinha de ser carregada ao colo porque não se mantinha de pé. as forças, há muito que tinham desaparecido[àquela mulher que jamais faltou ao trabalho, que fora sempre o pilar do seu lar... forte como sol que queimava a sua pele clara].

nada, contudo. a "E" não tinha nada.

os amigos, desesperados, conseguiram que um outro médico a consultasse[mais um, entre tantos: o médico de família, vários médicos do hospital de alijó, do centro hospitalar de vila real, de clínicas privadas e urgências dos dois hospitais já mencionados]. este médico, psiquiatra, perguntou-lhe se queria ser internada. respondeu que sim. fustigada por dores abdominais, o corpo repleto de edemas, derrotada pela fadiga e acometida de uma grande debilidade. e magra[tão magra...]. sim. ela queria muito ser internada. e foi.

na ala psiquiátrica.
porque a "E" não tinha nada.

não resistiu mais que dois dias. e, na segunda entrada nas urgências, após internamento na ala psiquiátrica[sim, foi por duas vezes, admitida nas urgências do centro hospitalar de vila real depois de ser internada na ala psiquiátrica!!! e só na segunda vez], foi, finalmente, diagnosticada.

uma peritonite resultante de uma oclusão intestinal devido a uma neoplasia de 10cm.

simples, não?

afinal, não era nada...

como é que deixou a sua mãe chegar a este ponto?

[em estado crítico, coma induzido, ferida cirúrgica aberta. febre muito elevada. infecção que não cede, prognóstico muito reservado]

a pergunta está mal formulada:

como é que dezenas de médicos, durante mais de três meses, chegaram a minha tia, a irmã da minha mãe, chegar a este ponto???

quarta-feira, 8 de junho de 2011

{looking down the road}

no domingo, uma amiga perguntou-me se estava satisfeita com o resultado das eleições. sinceramente? acredito que as únicas pessoas satisfeitas com o resultado das eleições serão os militantes do partido vencedor e pouco mais. ninguém pode estar satisfeito porque tudo não passa de uma grande farsa, onde as personagens não são nada mais que isso: personagens. e pior... personagens muito pouco preparados para o papel que têm de desempenhar.

estive num impasse até ao último momento. mesmo dentro da cabine de voto. olhei para a lista e não vi nada. de nada. votei em branco porque, para mim, nenhum partido ou coligação poderia ser a resposta. durante os quinze dias de campanha não se ouviu uma uma única proposta[mas uma proposta a sério, daquelas propostas que mostram que foram estudadas], uma única explicação[porque eu gostaria bastante se me explicassem como irão ser colocadas em prática, as decisões do fmi]. somente, insultos, ataques pessoais: ele é o culpado, ele é mais culpado que eu. eles são os culpados...

as campanhas deixam-me cansada.

depois do domingo de eleições, a coisa acalma. os insultos cessam. ou não. decididamente, o partido derrotado insiste no insulto. finalmente, desistiu do psd e virou-se, agora, para o cds. eu não digo que estes partidos sejam melhores ou piores que o ps.

[como já disse acima, eu votei no partido branco e não tenho qualquer ilusão sobre os dois partidos que irão" ser" governo: são todos iguais, só muda a cor]

acredito, porém, que a minha avó tinha razão quando afirmava que não se deveria "atirar pedras aos telhados dos vizinhos, se o seu telhado é feito de vidro". por isso, falar na idoneidade de um indivíduo quando se está num partido onde poucos escapam...

o ideal seria uma limpeza radical ao parlamento. novos partidos, novas caras, novas propostas. porque a esmagadora maioria destes indivíduos estão mais sujos que rabo de bebé, após o almoço. as propostas são pobres ou inexistentes. e, o mais importante, a falta de diálogo com a população... não queremos beijinhos: queremos propostas, explicações, soluções.

[estou a ser repetitiva, eu sei. mas, a conta do supermercado não pára que aumentar. conheço várias pessoas que não conseguem sair do desemprego. a educação vai de mal a pior e a saúde... que deus nos proteja]

quinta-feira, 2 de junho de 2011

{fotografia com histórias dentro}


eu e o meu primo, no Palácio de queluz... pela minha cara, ou estava para aprontar ou já tinha aprontado e ainda ninguém tinha dado por isso...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

{yes, i'm a monday person but...}

´

segunda-feira, 23 de maio de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}

@

o mau perder tem uma cor:



vermelho, vermelhaço, vermelhusco, vermelhante, vermelhão


[post dedicado a todos os meus amigos (que insistem em provocar-me via email, fb, msn, sms and so one) que estão encarnados de raiva porque o fcp mostrou, mais uma vez, a sua superioridade. afinal, o benfica só venceu a época passada porque tramou os tripeiros no túnel... e isso, amiguinhos, é batota! queridos, a era do glorioso campeão foi-se quando salazar partiu para o além... temos pena, temos muita pena. ou não!]

domingo, 22 de maio de 2011

{catch the moment}

[a rebolar na areia...]

sábado, 21 de maio de 2011

{dicionário de bolso | d}

desumanização
(desumanizar + -ção)
s. f.
1. acto ou efeito de desumanizar.
2. perda de determinadas qualidades morais humanas.

in priberan

[ontem fui ao ipr]

isto já se arrasta há muitos anos. décadas[eu era, ainda, uma menina]. consequentemente, conheci várias dezenas de médicos. destas várias dezenas, lembro-me de seis. [de tantos médicos, lembro-me] só seis médicos.

quando era criança, acreditava que os médicos eram uma espécie de anjos-da-guarda enviados por deus, para nos ajudar. quando começaram as dores, quando os médicos disseram à minha mãe que não era nada, que era tudo da minha cabeça... eu comecei a perceber que não. definitivamente, não eram nada[uma espécie de] anjos-da-guarda[enviados por deus, para nos ajudar].

passei uma infância complicada, no que diz respeito a dores. a adolescência não foi menos complicada e a juventude... também. contudo, o pior foram os últimos dez anos. dez anos. uma década. passada em hospitais[urgências, consultas, exames], em clínicas privadas[urgências, consultas, exames]. e o diagnóstico foi sempre o mesmo: fantasia da minha cabeça.

o mau, não era o diagnóstico mas a frieza. a indiferença, o desinteresse... a insensibilidade. a arrogância. as consultas tinham uma duração curta[muito curta mesmo]. a maioria dos médicos nem olhavam para mim. assim que começava a falar, já estavam a prescrever a terapêutica a seguir. prozac e xanax? não são medicamentos muito fortes? não há medicamentos muito fortes, há medicamentos necessários. e assim, lá andava eu, numa espécie de alienação, cheia de dores. sim... porque as dores, essas, permaneciam.

eu sei que nem todos os médicos são assim[felizmente]. destas largas dezenas de médicos que me atenderam, tive a sorte de conhecer seis[sim... só seis, não estou, de forma alguma, a exagerar: são mesmo seis] médicos que me trataram como ser humano[ser consciente, sensível, que se interroga]. duas médicas, nas urgências do hospital amadora-sintra, a minha[muito recente] médica de família, um reumatologista[que me atendeu (sem credencial porque a minha médica de então recusava-se a passar uma e mandava-me trabalhar, porque eu não tinha nada) que, com a ajuda de análises clínicas, radiografias e uma cintigrafia, me diagnosticou e me disse que não era da minha cabeça: era espondilite anquilosante] e o meu médico de medicina integrada[afinal, os anjos-da-guarda enviados por deus para nos ajudar, sempre existem].

acredito que os médicos estão sujeitos a muita pressão. eu jamais poderia escolher essa profissão porque não possuo a maioria dos requisitos necessários para exercer medicina tal como ela deve ser exercida. sei, também, que uma consulta, para ser "útil", não pode ultrapassar os dez, quinze minutos. mas, nesses dez, quinze minutos, mesmo pressionados... custa muito tratar o ser humano que está à sua frente como um ser humano deve ser tratado?

[este ser humano encontra-se, na maioria das vezes, frágil, assustado... precisa que alguém lhe olhe nos olhos e lhe diga, preto no branco, o que se passa. mas de uma maneira clara, tratando os "bois pelos nomes". não como se fosse um ignorante que não percebe, por isso, não percamos tempo a explicar]

ontem fui ao ipr. já contei a várias pessoas, o que se passou naquele consultório. e contei, ainda, o que se passou há dois meses, também no ipr. dois médicos diferentes. a mesma atitude arrogante de seres humanos que, de certa forma, se devem sentir uma espécie de deuses, acima do comum mortal, só porque conseguem dizer, muito depressa, palavras difíceis como neurocisticercose ou salpingooforectomia.

estive os últimos cinco anos sem ir ao ipr. e parece que irei estar os próximos cinco anos, sem lá voltar. porque não vale a pena. saio de lá mais doente, mais incapacitada, mais enfraquecida. para isso, já me basta a espondilite que me inflama a vida. que consegue transformar uma estrada num caminho de terra batida, cheia de buracos, aos altos e baixos, que não nos leva a lado nenhum senão ao precipício.

até agora, tenho conseguido viver com a doença, da melhor maneira que sei, que consigo. terapias alternativas. terapeutas alternativos. muito estudo. muita investigação. muitos testes, muitas experiências nesta cobaia viva que é o meu corpo.

pelo menos, não tenho que lidar com a ignorância alheia.

sim, ignorância... um indivíduo tem que ter um desempenho académico notável para ser médico. mas... esquecem-se que, o mais importante, não são as notas que se conseguem nos exames. é a capacidade de se dar.

um dia destes, a minha médica de família disse-me que um médico é, somente, alguém com uma grande capacidade de memorização. ora... o que há mais por aí são indivíduos com uma grande capacidade de memorização. provavelmente, esse é o problema.

se os nossos médicos não fossem notáveis académicos, mas excelentes seres humanos... tudo seria bem melhor...

domingo, 15 de maio de 2011

{being a kid, again...}


[se é que algum dia o deixei de ser]

...cada vez mais perto da ternura dos quarenta ^-^

terça-feira, 10 de maio de 2011

{pergunta de algibeira... ou não?}

@

o fmi vai emprestar 78 mil milhões para portugal conseguir pagar as suas dívidas. quem é que irá emprestar dinheiro a portugal, para pagar ao fmi?

domingo, 8 de maio de 2011

{i've still got sand in my shoes}



na sexta-feira, fez uma semana, que passei o[meu último] dia[de férias] no guinho, a rebolar na areia... foi muito bom...

o dia começou na casa da guia, em cascais[no majestic café, para ser mais precisa], com um batido de baunilha[uma verdadeira bomba calórica: seis bolas de gelado num copo de leite com pedaços de waffer e topping de chocolate] e pãozinho de queijo que só os nossos amigos brasileiros sabem fazer...


visitámos[pela milésima vez] os pontos principais da vila de cascais: passamos pelo museu e jardins do conde de castro guimarães[antepassado do meu avô materno, que o senhor é a ca-ri-nha-re-cha-cha-da do dito, que até arrepia - falta a foto dele para provar mas ainda não consegui roubar, cof, cof, tirar uma à socapa], pelo museu da marinha, boca do inferno e por aí... até que lá fomos nós para o guincho.

depois de rebolar na areia, ir à água e embrulhar o joão na areia[ele adora... acho que tem alguma coisa a ver com a vida passada dele, lá no egipto], fomos para casa.

o caos.

as ruas de benfica estavam intransitáveis... e eu, toda aos pulinhos[parecia tolinha...]. é que, já nunca vi neve... o gelo estava muito bem, obrigada.


demorámos uma eternidade a chegar. as ruas estavam cheias: de gelo, de pessoas a tirar fotografias com os seus telemóveis, de lojas inundadas, de árvores despidas com as suas folhas rasgadas. todos estávamos incrédulos com a cena...

[até o joão estava com aquela 'cara de caso' dele]

bem que a minha mãe nos tinha telefonado, duas horas antes, a gritar[sim, a d. adelaide parecia histérica, em pânico: não venham para casa, fiquem onde estão que os carros estão a ser levados pela água e pelo gelo... sim, pois mãe. os carros estão a ser levados pela água e pelo gelo. está bem. estás bonita, estás...].

assim que chegámos a casa, trocar de roupa e calçado[ah, pois, que ia dando um malho daqueles, com as minhas sandálias]... e, de máquina nas mãos, para a rua. mais precisamente, para a mata de benfica. estava... branca.


com uma névoa[que a tornava, ainda, mais medonha - eu sempre tive medo de ir até lá. mas, nesse dia, abri uma excepção. até porque consegui companhia] imensa...

o dia que começou por me encher os pés de areia...
terminou um verdadeiro dia inverno.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

{copyright}

Não sabia que agora se comemorava a morte de uma pessoa. Isto de ter uma Nação atrás de um só indivíduo e matá-lo ou querer matá-lo soa-me a tudo menos a século XXI. Depois ficam muito escandalizados quando jovens de catorze anos aparecem armados nas escolas e matam à queima roupa colegas e professores. É a banalização e o elogio constante da morte e do homicídio. Até gritam nas ruas e batem palmas.

Ainda para mais é estúpido. Em vez de perderem tempo atrás dele, que tentassem desmantelar eficientemente a teia em que ele estava metido. Matá-lo não significa nada, a não ser a eliminação de uma cabeça de onde vão nascer agora outras duas ou três ainda mais preparadas. Durmo com o mesmo estado de espírito, com ele vivo ou morto.

Isto se de facto morreu só agora, ou se de facto está morto de todo...


não diria melhor... foi triste e, sinceramente, incomodou-me.

[tenho cá para mim que o executaram só para o silenciar. não fosse ele dizer tudo o que sabe. mas tudo mesmo. pois... porque são escuros os caminhos lá por aquelas bandas. dos estados unidos da américa. muito escuros mesmo]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}


@

o presidente da república só se dirige a país através do facebook. os candidatos a primeiro-ministro têm o link para o seu perfil, espalhado por todo lado...

estes tipos viram o filme e ficaram loucos.

[é que só pode!]

domingo, 1 de maio de 2011

{caminhantes de sempre e para sempre}



há dias de tudo e para tudo... nunca entendi muito bem porquê. é suposto no dia de 'qualquer coisa' celebrar esse 'qualquer coisa'. e nos outros dias? pergunto-me se nesses outros dias, esse 'qualquer coisa' deixa de ter a importância que tem...

segundo dizem por aí, hoje não é dia do pai. dizem que no dia de hoje, celebra-se a mãe... mas eu não te celebro só hoje, mãe. e também não te celebro só no dia 19 de março, pai.

celebro-vos todos os dias porque todos os dias
és a minha Mãe,
és o meu Pai...

[meu orgulho, minha gratidão e meu amor...]

sábado, 30 de abril de 2011

{o tempo anda tão estranho...}



[..mesmo estranho]

quinta-feira, 21 de abril de 2011

{caleidoscópio}

[carrossel no rossio de viseu]

é tempo de encantar o tempo.
ter o tempo em minhas mãos.
e o tenho.

van luchiari

uma pausa no caminho. descansar[porque a caminhada tem sido exigente]. recobrar forças. e, daqui a alguns dias, retomar a estrada.

[o mais difícil numa caminhada é dar o primeiro passo e esse, já foi dado]

até de repente...

domingo, 17 de abril de 2011

{rewind}


lembro-me do aroma a sabão natural ficar cada vez mais intenso, à medida que a água corria solta pelo tubo de plástico preto. com uma escova de cerdas rijas, o tanque[enorme] era bem lavado e voltava-se a encher de água para receber a próxima leva de roupa suja.

mas... antes da roupa suja, um miminho para nós, miúdos[pequenos]: de fato de banho vestido, toca a brincar a tarde toda, até ao sol se esconder por de trás das grandes montanhas que abraçam a pequena aldeia.

da mangueira de cor bege, desbotada pela passagem dos tempos, jorrava água transparente com cheiro a terra e um sabor indescritível[tão saborosa...].

bolas de sabão subiam pelo ar e, quando rebentavam, partículas de arco-íris espalhavam-se ao vento[quente] daquelas tardes de verão.

brincávamos tanto,
espalhávamos a água toda,
saltávamos de mãos dadas...

os domingos[dos verões da minha infância, lá na terra dos sonhos] eram, assim, passados... com muito divertimento repleto de risos de criança.

[hoje é domingo... um sorriso terno, uma lágrima de saudade...]

quarta-feira, 13 de abril de 2011

{looking down the road}


sinto-me, cada vez mais apreensiva com esta situação. revolta. sim, também me sinto revoltada. a mentira [conhecida mas não reconhecida] começa a mostrar a sua face [assustadoramente, sombria].



o ministro das finanças reconheceu ontem que portugal só tem dinheiro disponível até maio.

até há poucas semanas atrás, não necessitávamos da ajuda externa. hoje, descobrimos que não há dinheiro. para os salários. para os medicamentos utilizados no dia-a-dia dos hospitais. para os refeitórios das escolas. para a acção social. para tudo.

há poucas semanas atrás, estava tudo bem.
em maio, estaremos falidos.
totalmente.

gostaria de saber[mesmo] até quando o ministro das finanças e amigos estariam dispostos a continuar com a mentira... e pergunto-me o que estariam a ganhar com tudo isto.

apesar de tudo estar como está, muitos são os portugueses que manifestam o seu total apreço pelo primeiro ministro demissionário e garantem o seu apoio ao governo[que juntamente com anteriores governos... desde 74] arrasaram com o nosso país.


a questão:


estes portugueses... serão, assim, tão ignorantes?

[é que ainda são bastantes...]

pics @ & @

segunda-feira, 11 de abril de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}

@
já todos estamos cansados[mas mesmo muuuito cansados: opá, já se calavam, não???] de saber que portugal só entrou em crise, por causa da oposição. tal como sabemos que o benfica perdeu com o naval 1º de maio só[mas só mesmo, que o benfica é o CAMPEÃO] porque, sem-qual-quer-rés-ti-a-de-dú-vi-da, o fcp ofereceu luvas ao árbitro[ou o camandro] .

quarta-feira, 6 de abril de 2011

{lei da atracção}

muito se tem falado sobre a lei da atracção. há quem acredite, há quem pense que é só mais uma moda.

comigo, funcionou.

pedi à minha mãe, durante muitos anos, um irmão mais velho. ou um cão. o cão, recebi-o num delicioso natal e, como a minha mãe não me poderia dar um irmão mais velho, deu-me uma irmã[mais nova] pequenina, linda...

eu fiquei feliz, claro. mas... aquela falta, um estranho quê no meu coração, insistia em permanecer. como um vazio, um nada que precisava ser preenchido.

constantemente, perguntava ao meu pai, se não teria feito um irmão para mim, lá por terras de angola. afinal, ele esteve nesse país por mais de dois anos[numa guerra que, ainda hoje, ele não consegue perceber o porquê]... a minha mãe ficava de todas as cores[é que eu perguntava isto sempre em ocasiões de festas, durante o almoço]. não. tenho a certeza que não...

então, está bem...

há cerca de três anos, um passarinho bateu à minha janela, com o seu delicado biquinho. trazia uma boa nova: finalmente, sempre tinha uma irmã mais velha!

há quem não entenda esta sensação de a conhecer há décadas, apesar de a ter conhecido só há três anos. também há quem julgue, somente pelo facto, de tê-la conhecido aqui, neste mundo virtual.

no entanto, é assim... conheço-a desde sempre e sinto-a como parte de mim. penso nela todos os dias e não me durmo sem lhe enviar um beijinho de bons-sonhos[quando fecho os olhos, antes de adormecer].

uma sensação estranha[não nego], porém,
calorosa,
calma,
terna...
azul!

sinto a sua falta, confesso. adoraria que vivesse mais pertinho de mim. pode ser que um dia, isso aconteça. hoje, resta-me esperar ansiosa pelas minha férias. iremos estar, finalmente, juntas...

até lá...

resta-me um até de repente...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

{365}

dizem que se consegue desabafar melhor com um estranho e eu acredito que assim seja. lembro-me de uma crise de pânico que tive, em plena sessão de acupunctura. "choque de energias", disse-me o meu médico. a ele[um desconhecido] contei-lhe o que se passara, muitos anos antes[era eu, uma menina, ainda]. mas por email[porque era demasiado tudo e jamais teria coragem de o contar, olhos nos olhos]. nada fácil, mesmo nada fácil. e, por mais inacreditável que possa parecer, fiquei bem.
tratada a ferida maior, muitas outras se seguiam. e eu estava decidida a tratá-las. afinal, se conseguira resultados tão positivos com o tratamento do pior golpe de sempre, tudo o que se seguiria seria muito mais fácil. resolvi criar uma espécie de "porto seguro", onde pudesse expressar tudo o que ia cá dentro[porque desabafar, faz bem... lava a alma].

sem estar à espera, fiz amigos. desconhecidos que me escutavam, sem criticar. somente, apoiavam, aconselhavam. sem exigir nada em troca por aqueles minutos[tão preciosos, para mim].

muito caminho percorrido e daqui, mudei-me para aqui. não que tivesse deixado de gostar desse meu cantinho, muito pelo contrário. no entanto, tornara-se um lugar difícil de se estar. lá partilhei muitas alegrias mas, também, muita luta, muita tristeza, mágoa, revolta.

eu acredito que quanto mais importância se dá à coisa, mais do mesmo nos acontece. além disso, para quê, estar a "ruminar" por coisas que se passaram?

[o passado já passou, o futuro não existe, o presente, é agora]

há 365 dias, que neste meu diário, vou caminhando em busca de uma nova realidade, sempre acompanhada pelos meus amigos de então e por novos amigos que se juntaram a mim, nesta jornada.

e aqui, sinto-me bem...
...obrigada

quinta-feira, 31 de março de 2011

{narradores de memória}

contam que era uma velhinha[muito velhinha, mesmo] e que tinha um dedo doente. uma unha encravada que, segundo dizem, doía muito e, por mais que tratassem dessa unha, crescia sempre encravada.

contam, também, que a bisneta[menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa] estava sempre à espreita e, quando via a velhinha[muito velhinha, mesmo] sozinha, corria e pisava-a.

de-va-ga-ri-nho-com-mui-ta-for-ça
[ao estilo, psicopata sádica]

para quem não acredita na lei do karma, eu sou um bom exemplo do "cá se fazem, cá se pagam". ah, pois! é que no verão passado, a unha do dedo grande do meu pé[pequenino, macio... de cinderela, onde só serve sapato feito por medida], começou a ficar escura.

"vai ficar negra", disse-me um amigo meu, médico. "foi trauma".

qual trauma, qual quê!!! é a treta do karma. e dói. se dói. mesmo. e pior: corta-se e ao crescer, encrava. ah, pois... encrava e nem as meias suporto.

toma lá, embrulha!

que é para aprenderes a não pisar o dedo doente[de-uma-for-ma-tão-cru-el] da velhinha[muito velhinha, mesmo].

bisa, querida... onde quer que estejas... a justiça foi feita.

porque a unha encrava dói que se farta. ah, dói... dói...
[bem feito]

segunda-feira, 28 de março de 2011

{multimedia message service}



i'm singing in the rain, gene kelly


[desde pequenina, sempre que chove, começo a sibilar esta canção...]

i´m happy again

sexta-feira, 25 de março de 2011

{adietar*}


eu já fui gordinha. muito gordinha, mesmo. e nunca me aborreci por ser assim. desde que não interferisse com a minha saúde, não me importava de ser redondinha[pequenina e redondinha, como uma bolinha... chamavam-me, ternamente, "michelin"].

nunca fiz dietas para emagrecer. por vezes, comia menos, por um ou dois dias. mas só. sempre gostei de comer e isso de almejar por uma figura igual à das modelos, não era para mim. aliás, sempre considerei aquela magreza, doentia. é isso mesmo. doentia.

quando descobri que um tratamento possível para a minha doença seria uma dieta, não hesitei. vozes surgiram, não vais conseguir. porém, a teimosia e a obsessão pelo perfeccionismo[é no que dá ter sol em touro, lua em escorpião e ascendente em virgem: uma mistura explosiva de mau feito], estiveram a meu favor.

segui, religiosamente, este regime que cortava com quase todos os alimentos, excepto proteína animal e alguns vegetais. lacticínios e polissacarídeos riscados do menu. ou seja, praticamente, tudo.

a tal magreza doentia que me afligia... no meu espelho. contudo, sem dores[decididamente, o mais esperado... o mais importante].

hoje, com a doença em remissão, já reintroduzi todos os alimentos e já como de tudo[weeeeee!]. foram três anos a proteína animal, alface e água. agora, já me consigo olhar no espelho. já reflecte, finalmente, as curvas... estou mais gordinha[não tão gordinha, mas enfim...].

actualmente, a dieta, regime ou o que quer que lhe possamos[ou queiramos] chamar, é outra. a finalidade não é perder ou ganhar peso. tão pouco descer os níveis de colesterol ou da glicémia. e, muito menos, combater uma bactéria irritante como a klebsiella pneumoniae. a finalidade é ser feliz.

vozes, mais uma vez, surgem:

"ser feliz? com os tempos que correm?"[a padeira];
"isso de ser feliz é muito complicado"[a minha vizinha];
"e o que é a felicidade?"[a avó do meu bebé];
"desculpe lá, mas que ideia mais parva"[colega de autocarro],
"e como é que é isso?"[a minha querida amiga paula]

ou ainda,

"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. vais fazer 38, não vais? já estava na hora de mudares"[a minha prima].


[sim...
eu estou rodeada de pessoas que
acreditam que a felicidade,
ou não existe,
ou é praticamente inatingível
,
ou é sonho de menina...
vá-se lá entender]

vamos lá por etapas:

"ser feliz? com os tempos que correm?"

bem... "os tempos que correm"... que eu me lembre, os tais tempos têm sido os mesmos desde que eu nasci. já no tempo dos meus pais era a mesma coisa. e no tempo dos meus avós, também. no entanto, no meio destes "tempos que correm" sempre existiram pessoas que conseguiram. ser felizes. tal qual, o seu significado. se eles conseguiram... porque não eu[tu]?.


"isso de ser feliz é muito complicado"

porquê? porque é que ser feliz tem, necessariamente, que ser complicado? eu não acredito que assim seja. nada é complicado. a vida não é complicada: nós é que temos essa tendência quase perniciosa de complicar tudo. somos eternas vítimas da pior sabotagem de todas... a auto-sabotagem.


"e o que é a felicidade?"
felicidade
(latim felicitas, -atis)
s. f.
1. circunstâncias que causam ventura.
2. estado da pessoa feliz.
3. sorte.
4. ventura.
5. bom êxito.

in priberam

ficou explícito ou terei de desenvolver?


"desculpe lá, mas que ideia mais parva"

parva? "dieta" para alcançar a felicidade... sinceramente, não consigo perceber onde está a parvoíce. a felicidade está em tudo o que vemos, vivemos e sentimos. o grande problema é que não estamos habituados[não fomos educados] a reparar nisso. existem tantos guias, tantos exemplos, tanta informação sobre o tema... só falta pôr todo este conhecimento[que temos mas não valorizamos] em prática. e, por isso, a "dieta".


"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. vais fazer 38, não vais? já estava na hora de mudares"

antes de mais, sim. o meu aniversário está aí e eu, que não sou de falsas modéstias e adoro festejar o dia em que nasci, gosto ainda mais que todos se lembrem. faz muito bem ao ego[e se faz bem ao ego... contribui para a "dieta"]. quanto à "estupidez"... pena que haja pessoas que pensem desta forma. já sobre a "infantilidade"... sempre fui assim. acredito que nada haja a fazer para alterar esse estado[e mesmo que houvesse, eu gosto desta minha maneira de ser, obrigada].

bem... a "conversa" já vai longa.
fica o "como" para uma outra altura.

agora, vou até à cozinha ser feliz. tenho que lavar a loiça. e lavar loiça deixa-me feliz porque, como a sofia escreve no seu blog, "celebro a vida no simples gesto de a lavar".

[porque ter loiça para lavar significa que houve alimento. porque há trabalho. porque tenho saúde. porque não estou sozinha. porque...]

segunda-feira, 21 de março de 2011

{spring sends a smile}








welcome spring...

domingo, 20 de março de 2011

{ipod}

fotografia gentilmente cedida pelo meu querido amigo e grande fotógrafo
nelson teixeira



clair de lune, de claude debussy

domingo, 13 de março de 2011

{looking down the road}


algo de muito podre[mais do que aquilo que eu pensava] se passa por terras de camões. ontem, a tvi falava em setenta mil em lisboa, quando o verdadeiro número ronda os duzentos[trezentos, total nacional]; a sic deu pouca, ou quase nenhuma, relevância à manifestação: limitou-se aos números de faro, coimbra e viseu[números, muito por baixo, certamente]. eu, que estava à espera de censura na rtp, depressa me apercebi que era a única que estava na rua, a fazer o serviço que lhe competia.

e os comentadores? esta espécie de povo triste que se sente mais intelectual que os demais, antes da manifestação falava que "dar cliques é muito fácil, quero ver no dia"; a manifestação "não terá grande sucesso" e outras farpas. depois do evidente, falam em "demagogia", em "manifestação sem qualquer consequência", afirmam que "mais parecia uma grande festa, estavam todos felizes" e que a maioria não eram mais que "grupos de jovens vindos de uma directa do bairro alto".

[ao ouvir tão distintas personalidades, pergunto-me se prefeririam vitrinas de lojas partidas, carros virados, caixotes de lixo a arder ou as pedras da famosa calçada portuguesa arremessadas às forças policias. se assim fosse, a geração continuaria a ser apelidada da rasca, acredito. mas como foi uma manifestação pacífica, o que
"eles querem é festa"]

o que eu não entendo, de forma alguma, é o porquê. porque é que estas pessoas estão tão incomodadas. os mesmo que defendem que o país está muito perto de cair do precipício com uma população inerte e adormecida, irritam-se[sim, irritam-se!] com a mais que necessária mobilização dos portugueses.

quem são estas pessoas, afinal?

[sinceramente, penso que não estamos só precisar de uma limpeza em termos de governação. há que limpar, também, a comunicação social]

sábado, 12 de março de 2011

{caleidoscópio}

lisboa à rasca - rossio a 12 de março às 16h30.

"vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
estendendo-me os braços, e seguros
de que seria bom que eu os ouvisse
quando me dizem: "vem por aqui!"
eu olho-os com olhos lassos,
(há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
e cruzo os braços,
e nunca vou por ali...
a minha glória é esta:
criar desumanidades!
não acompanhar ninguém.
— que eu vivo com o mesmo sem-vontade
com que rasguei o ventre à minha mãe
não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos...
se ao que busco saber nenhum de vós responde
por que me repetis: "vem por aqui!"?

prefiro escorregar nos becos lamacentos,
redemoinhar aos ventos,
como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
a ir por aí...
se vim ao mundo, foi
só para desflorar florestas virgens,
e desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
o mais que faço não vale nada.

como, pois, sereis vós
que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
para eu derrubar os meus obstáculos?...
corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
e vós amais o que é fácil!
eu amo o longe e a miragem,
amo os abismos, as torrentes, os desertos...

ide! tendes estradas,
tendes jardins, tendes canteiros,
tendes pátria, tendes tectos,
e tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
eu tenho a minha Loucura !
levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
e sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
deus e o diabo é que guiam, mais ninguém!
todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
mas eu, que nunca principio nem acabo,
nasci do amor que há entre deus e o diabo.

ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
ninguém me peça definições!
ninguém me diga: "vem por aqui"!
a minha vida é um vendaval que se soltou,

é uma onda que se alevantou,
é um átomo a mais que se animou...
não sei por onde vou,
não sei para onde vou
sei que não vou por aí!

josé régio, in cântico negro

acordámos tarde, mas acordámos...
hoje, sim.
voltei a ter orgulho em ser[sentir-me] portuguesa.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

{fotografia com histórias dentro}

jardim zoológico... há muitos[mesmo muitos, tantos] anos atrás. eu, os meus avós paternos e o meu priminho. estava afastada do grupo porque era uma espécie de menina rebelde que gostava de mostrar como era independente.

saudade.
da menina.
do priminho.
dos avós que continuam comigo mas numa outra dimensão,
sem espaço ou tempo...

[o elefante que se vê, lá ao fundo, é o joe. há dois anos atrás, foi meu vizinho. tem uma vida bastante mais calma. já não precisa de trabalhar para ganhar o seu sustento. o sino já não se ouve... mas, ainda bem. pelo menos, ali, sabemos que o homem progrediu o suficiente para perceber que o elefante africano não nasceu para tocar sinos em troca de moedas. agora, é somente um orgulhoso pai de família. como tem que ser]

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

{multimedia message service}



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

{caleidoscópio}

@
já mudei de casa muitas vezes. muitas vezes mesmo.

os amigos mais recentes não acreditam; os de sempre já não dão muita importância ao facto - habituaram-se a este espírito nómada, de quem não aceita ficar refém de paredes, num espaço que já nada me diz, ou num bairro que já me contou todas as histórias.

acredito que 'mudar' é uma atitude tão coerente quanto 'não mudar' - há os que não mudam e vivem sem que nada perturbe a tranquila passagem do tempo. e as tais paredes vão ganhando 'personalidade'; cada canto, cada móvel, cada objecto, dia após dia, vai acumulando bocadinhos das nossas vivências. muda-los (mudar) implica largar esse 'timeline existencial' e abanar aquilo que muitas vezes já se transformou em comodismo.

quantas vezes podíamos ter seguido outro caminho e não o fizemos com medo de perder algo importante - e mais vale um pássaro na mão... quantas outras vezes negámos o nosso primeiro instinto que nos diz: 'faz!', porque a voz do nosso receio nos avisa: 'vai correr mal!' - e quem te avisa...

e o que nos leva a desistir de coisas que nos fazem sentir-nos bem porque achamos 'que não há sol que sempre dure...' e, por isso, é melhor ir já para dentro...

é curiosa a forma como usamos os nossos provérbios e acreditamos que resumem e traduzem muita da chamada 'sabedoria popular' - eu penso que reflectem a zona de conforto onde muitos preferem viver. porque, de facto, mudar dá uma trabalheira... é tão mais simples ficar quieto.

Fernanda Freitas
[mas eu não gosto de ficar quieta... e o caminho assim o exige]

pronto, e é isto...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

{sorri enquanto caminhas}


eu acredito que tudo o fazemos tem uma consequência na nossa vida, que tudo que dás, um dia receberás de volta. então, se sorrires para a vida... só poderás esperar que a vida te sorria.

e, assim, estarás pronto para a grande caminhada que é a vida.

hoje, acordei, e sorri... as dores estão mais calmas... amanhã é um dia especial e eu tenho que estar pronta.

[agradeço todas as mensagens de carinho de todos os caminhantes que passaram por aqui. nós temos o poder de mudar as nossas vidas... mas sem os amigos, as forças falham e tudo se torna bem mais difícil. o vosso apoio ajudou-me, novamente, a levantar. obrigada...]

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

{untitled}


a médica disse-me[seca] que não. muito pelo contrário. toda a coluna vertebral, as grandes e até as pequenas articulações estão comprometidas. mas no ipr disseram-me que só tinha inflamação nas sacro-ilícas e na l4... não está a ver a cintigrafia? toda a coluna, as mãos, os pés, os joelhos e os ombros. e o que me preocupa é que isto foi em 2006... quero ver como está a sua coluna, agora.

radiografias feitas. a sua coluna está muito melhor do que eu esperava apesar da rectificação da coluna[quê???] e da fusão da sacro-ilíaca direita.

depois de pressionar vários pontos por todo o corpo[com direito a morder os lábios para não desatar à bofetada à médica] e prescrita a terapêutica a fazer, casa[não antes de deixar a módica quantia de quarenta euros na farmácia, claro...]. e depois, cama. estou a enlouquecer. desde segunda[há uma semana] que as dores estão para lá do suportável...

esta crise começou em dezembro. a esperânça que se tratasse de um "halloween atrasado", desvaneceu-se... assim. pufff... a espondilite atacou em força. há mais de dois anos que não tinha uma crise destas. tive algumas, é certo. mas nada comparado. só me apetece dar murros na parece ou arrancar as unhas...

mas isto passa. vai passar. tem que passar.

se alguma dúvida sobre a dieta pobre em polissacarídeos persistisse, no sábado, tudo ficou provado. pelo que a médica me disse, segundo os exames de 2006, eu deveria estar muito pior do que estou, hoje. é verdade que estou a passar por uma exacerbação da doença mas, felizmente, a doença parece não ter evoluído tão negativamente como a médica receava.

[aqui a burra não tinha nada que voltar à alimentação normal. aqui a burra, que nem consegue mexer o pescoço, não deveria ter deixado a dieta. mas a boa da gula... agora, olha: dá murros na parede e vê se aprendes a dizer não à tarte de limão merengada da casinha do pão! burra, não. estúpida. que dói]

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

{ipod}


por mais que a vida nos agarre assim
nos troque planos sem sequer pedir
sem perguntar a que é que tem direito
sem lhe importar o que nos faz sentir

eu sei que ainda somos imortais
se nos olhamos tão fundo de frente
se o meu caminho for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu te sei dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

por mais que a vida nos agarre assim
nos dê em troca do que nos roubou
às vezes fogo e mar, loucura e chão
às vezes só a cinza que sobrou

eu sei que ainda somos muito mais
se nos olhamos tão fundo de frente
se a minha vida for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu sei te dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

mafalda veiga



tanto que caminhei[tanto que a vida me roubou]... mas, agora, tenho-te a ti... a encher de luz os meus lugares ausentes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

{rewind}

lembro-me de gostar muito do dia de eleições... porque na segunda-feira seguinte não havia aulas. mas não só. nesses domingos, eu e os meus pais saímos de casa cedo. as ruas estavam cheias de pessoas e todos seguíamos na mesma direcção. era divertido[eu adorava passear com os meus pais, fosse qual fosse o motivo].

à chegada, ficávamos imenso tempo à espera. mas eu adorava: ficava esse tempo nas cavalitas do meu pai :)

depois, os meus pais entravam numa espécie de caixa gigante com um pano preto a tapar a saída. eu ficava sempre ao lado da minha mãe. ela desenhava um X num quadrado, dobrava o papel e entregava a uma senhora que o metia numa caixa preta.

ah, e não se podia falar.

hoje, quando fui votar com o meu pai[a minha mãe faz parte do grupo que vota no enorme partido da abstenção], as ruas estavam cheias de pessoas[desta vez, pelo menos no meu bairro. a adesão parece ter sido grande]. e eu senti-me, novamente, uma menina ao lado do meu pai. só que desta vez, fui eu que desenhei o tal X em frente a uma fotografia.

[espero que tenha escolhido bem...]