quinta-feira, 13 de maio de 2010

{de um comentário à atena, surgiu este post*}

há uma necessidade [crescente] de algo por parte das pessoas. sentem-se perdidas e procuram-no desesperadas. seja [a recuperação de poder] através do futebol, seja [o conforto de acreditar que alguém está olhar por si] através do papa.

para mim, o papa não passa de um homem, igual a tantos outros. não o considero santidade. só um homem. com as suas virtudes, com os seus defeitos.

acredito, porém, que este homem poderia fazer muito mais, devido à posição que ocupa. poderia lutar para melhorar muita coisa. fazer mais, colocar a doutrina que tanto prega, em prática.

faz-me confusão [muita], tanta ostentação... por isso, e por tantas outras coisa, o papa pouco me diz.

existem, sim, santidades... madre teresa foi uma delas. à sua frente, eu me ajoelho e peço-lhe a sua bênção. peço-lhe que me ensine a sentir jesus, tal como ela o sente.

madre teresa já não está entre nós [fisicamente] mas estará sempre connosco, pois o que esta mulher simples e humilde nos deixou, foi muito além do que aquilo que todos os homens comuns, que se sentaram naquela, esplendorosa e poderosa, cadeira do vaticano, nos deixaram de herança.

sou uma pessoa de fé. mas não nesta igreja. confesso que já senti falta daquela fé que tinha quando era menina... fé na mãe que nos ampara, no mano que está sempre ao nosso lado [era assim que eu chamava jesus]. não vou dizer que a igreja matou essa fé... mas fez estragos, imensos.

hoje, a minha fé está curar-se a si própria. porque a [verdadeira] religião está em nós, dentro de nós. descobri isso, quando me afastei da igreja. quando fiquei sozinha e senti que não estava sozinha... [afinal, a mãe carinhosa e mano protector continuavam ao meu lado].

o [verdadeiro] cristianismo [dos chinelos de tiras e túnica humilde] é o caminho, penso.

por isso, não venero o papa. não aceito o vaticano. não concordo com os [exageradamente ricos] paramentos.

na terça, fui ver o papa. porque era um desejo do meu pai e eu adoro mimar o meu pai. fiquei feliz... não por ver o papa [confesso, nada senti], mas por estar com o meu pai. por ter passado um dia fantástico ao seu lado.

apanhámos a molha do ano [choveu a potes], passámos um frio de rachar [bem, eu passei um frio de rachar: fui de alças.. mas, por favor, estamos em maio!!!], corremos, rimos muito, tirámos fotografias, fomos a pé desde o mosteiro dos jerónimos até ao calvário.

e...


...foi mesmo muito bom...

acredito que é aqui que reside a verdade: mimar [muito] quem está ao nosso lado, ajudar quem precisa, emprestar o ombro... sem críticas... só com muito amor.

*cristina, querida, espero que não te aborreças ;)

9 comentários:

Olga disse...

Eu acredito em Deus e na Natureza, e não acredito em ir à missa todos os domingos. Conheço pessoas que praticam a religião, dizem eles com muita crença, vão à igreja todos os domingos e mais nada. Eu prefiro dar um amparo, uma palavra a quem precisa. Beijinhos.

Amélia disse...

Bonita fotografia do teu pai. Ele parecia estar contente. E como dizes, isso é o que vale, não é assim?

um beijinho

Fê-blue bird disse...

Minha amiga:
A fé é isso mesmo que tão bem descreveu.
Acreditar em nós, amar a nossa família,venerar a bondade das pessoas simples, respeitar a natureza e a opinião diversa.
O resto é filme, plástica, exaltação combinada para nos entorpecer.
Eu tenho uma fé muito pessoal, há lugares que me transmitem paz, igrejas onde me sinto bem, ali estou em comunhão com algo que nem sei definir.
A fé para mim é isso:
Sentir-mo-nos bem, quer seja com alguém ou num qualquer lugar.
A amiga esteve feliz com o seu pai, haverá melhor demonstração de fé?!
Beijinhos

Poetic GIRL disse...

E existe melhor satisfação, melhor gesto do que fazermos os que amamos felizes?Adoro esses momentos de cumplicidade que passo com a minha mãe, são tão preciosos! beijocas

Rogério Pereira disse...

Redobra-se a fé, lendo coisas assim.

Foi bonito de ler!
(mas há questões em aberto, né?)

Atena disse...

Bem digo eu que a Suzana, tem muito dentro de si, bem digo eu que é uma pessoa especial! (Para mim é). Gosteí muito da sua coragem, de abertamente expressar tudo o que sente acerca de um tema algo controverso e delicado. Mas este é sem duvida o seu sentir - e confesso que o meu também... a Suzana conseguiu dizer tudo aquilo que me faltou a mim e completou-me perfeitamente nas ideias. Registo algumas das suas palavras que são puras, plenas e nas quais todos os dias me revejo:
- "o papa é só um homem... com as suas virtudes e com os seus defeitos";
- "Faz-me confusão tanta ostentação";
- "Madre Teresa... à sua frente eu me ajoelho";
- "A verdadeira religião está em nós";
- "Quando fiqueí sozinha e senti que não estava sozinha";
- "Não concordo com os (exageradamente ricos) paramentos";
- " Fiqueí feliz... por estar com o meu pai";
- "... ajudar quem precisa... só com muito amor".

Estes seus pensamentos são - além de profundos, inteligentes e sinceros! (Adoreí e admiro-a muito).
A foto do pai está uma docura. É em vida que devemos realmente mimá-los! (Já não tenho cá o meu há muito)- "aproveite-o" bastante Suzana!
Grande, grande abraço e não fiqueí nadinha, nadinha aborrecida, pelo contrário:-)

Ava disse...

Na minha opinião celebrastes Cristo como acredito que ele deve ser celebrado. Com muito amor e carinho e não pela fé institucionalizada de uma religião.

Um beijo com muita admiração pela bela pessoa que estou a descobrir, Ava.

Rosa Carioca disse...

Que vontade de assinar este post. Concordo, plenamente, com tudo o que escreveu. Graças a Deus, Nosso Mano, está nas nossas atitudes; está na felicidade que proporcionamos aos outros. Continue a mimar o seu pai, pois isso é o que tem imenso valor. Felizmente, aproveitei, ao máximo, todos os momento que tive com meus pais (só lamento eles já não estarem comigo). Continuo a gostar muito de visitar seu blog.

Fernanda disse...

Mimar alguem e' fazer-nos sorrir, logo nos estamos mimando a nos. dar mimos parece algo tao perdido neste mundo. parabens por esses momentos, sao tesouros da vida