sábado, 25 de junho de 2011

{adietar*: que rosto vestiste hoje?}


acordava sempre 10 minutos antes do despertador. tomava um duche, lavava os dentes e secava o cabelo. no roupeiro, escolhia o que vestir e, depois de tudo pronto, saía para trabalho: sempre com um "bom dia" nos lábios, nem sempre com um sorriso no rosto.

[por uma noite mal dormida;
por cansaço;
porque, por vezes, doía mais que o habitual;
porque...]


nesses dias, o universo parecia conspirar contra mim. tropeçava em tudo e em todos, caía[ou deixava cair tudo], atrasava-me, o trabalho corria mal[aliás, tudo corria mal]... nesses dias, sentia-me completamente derrotada, arrastando-me sem forças, sequer, para viver.

[até ao dia em que me apercebi que
não era o universo
que conspirava contra mim.
era eu]


à noite, antes de adormecer, fazia uma "lista mental" de tudo aquilo aquilo que iria fazer no dia seguinte. ao pormenor, sem falhas.

extremamente organizada, sempre gostei de planear tudo até ao mais ínfimo detalhe. tinha vários dossiers de listas e planos: um no trabalho e uma série deles em casa[tarefas; menus semanais; planos de organização; listas de compras; contabilidade doméstica; inventários...]. além destas listas[físicas] tinha, ainda, outras tantas "listas mentais".

e, se antes de dormir, após rever as minhas "listas mentais" previsse um dia muito exigente, passava os minutos seguintes[ou até horas] a considerar a hipótese de não ter tempo para conseguir atingir os objectivos propostos nas ditas listas, porque algo poderia correr mal, porque...

preocupava-me["pré-ocupava" os meus pensamentos, sofria por antecipação] e, sem me aperceber, boicotava tanto a noite que acabara de começar, como o dia seguinte[quem dorme mal, muito dificilmente terá um bom dia].
[e sentia-me cansada... sempre muito cansada]

no início da dieta, tudo mudou. não existem mais dossiers. no trabalho, apenas uma pequena agenda onde aponto, somente, lembretes urgentes passíveis de serem esquecidos. em casa, só tenho um dossier[da contabilidade]. tudo o resto foi substituído por post-it e está muito bom assim.

[bem... a lista de compras mantém-se na lateral do frigorífico...
mas é a única excepção!]


à noite, antes de dormir, acabaram-se a "pré-visões" do dia seguinte[que me desgastavam, deixavam-me ansiosa, nervosa... e quanto mais nervosa, pior a noite; e quanto pior a noite, assim seria o dia].

agora, antes de adormecer, revejo o meu dia e agradeço: as coisas boas e as menos boas...

[porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].

...e envio amor aos que amo. despeço-me do meu anjo-da-guarda e do meu guia[sempre comigo mas a quem dediquei muito pouca atenção durante a minha caminhada - mas isso, aos poucos, está a mudar]. deito uma ou duas gotinhas de óleo essencial de alfazema na minha almofada e entrego-me ao sono.

de manhã, antes de qualquer coisa, agradeço a noite que tive e agradeço o dia que terei. visto um sorriso, levanto-me e ponho pés ao caminho.

o segredo da dieta[descobri] é, sem dúvida, a atitude que se tem perante a vida. essa atitude irá ser decisiva para o estado geral do pavimento da estrada da vida: tudo que dás, um dia receberás de volta.

então, se sorrires para a vida...
só poderás esperar que a vida te sorria...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

{rewind}


lembro-me do meu roupeiro cheio de vestidos iguais aos das montras das lojas. mas os meus vestidos não eram feitos naquelas máquinas grandes que fazem muitos vestidos num só dia. aliás, cada um dos meus vestidos, demorava muito mais que um dia a ser feito.

a minha mãe. quem os fazia.

lembro-me de passear com ela e, quando parávamos em frente a uma montra, perguntava-me gostas? gosto muito!

tecidos, linhas, botões coloridos com formas divertidas... a sala transformava-se num atelier de costura. a estilista[a melhor que eu conheci] não tinha mãos a medir. moldes, giz, fita métrica. linhas e máquina de costura. dedal, linhas e mais linhas...

lembro-me de cada vestido, de cada pormenor... lembro-me e sorrio com saudade.

e tu, lembras-te?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

{arre burra, que amanhã é sexta...}



um bom são joão, fim-de-semana prolongado,[ou] férias a todos

[hoje, o dia vai ser longo...
e eu a precisar taaanto de férias...
arghhh... ]

terça-feira, 21 de junho de 2011

{welcome summer...}

eu gosto é do verão...


[guincho... (sim, sempre o guincho) no último sábado]


sexta-feira, 17 de junho de 2011

{yes, i know i´m a bitch and i don't like it but...}


tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. sim. só desta vez. porque era marrona e nunca precisava de cábulas auxiliadores de memória. mas... pá. era trigonometria. eu detestava trigonometria, pá.

era chato. o professor. em noventa minutos de aula, sessenta eram utilizados a caracterizar os portugueses como "marroquinos da europa". o prof dizia que nossa sorte era sermos "brancos". juro. a sério. palavras dele. também português. branco.

os restantes trinta minutos, vomitava matéria.

ora, eu tenho este problema... não consigo, de todo, decorar. preciso compreender. marrar muito. mas, para isso, tenho que ter as bases necessárias[felizmente, só tive um professor assim].

tri-tri, como era, "carinhosamente", chamado, também não parecia entender muito das leis dos senos, dos cossenos ou mesmo das tangentes. eu... só [a treta d'] o teorema de pitágoras. tudo o resto... estava a zeros.

ora, o meu colega costumava, previamente, encher uma folha de teste de cábulas auxiliadores de memória para os exames. no dia do exame de trigonometria, vendo-me aflita, deu-me uma cotovelada. olhou-me com uns olhos de "só podes ser parva" e pronto. tipo. lá olhei para o lado e safei-me com um mísero 1o valores.

nunca me esqueci desse fatídico dia em que fui uma verdadeira criminosa. sim, porque eu sempre pensei assim. num exame, prestas provas daquilo que sabes. se sabes, sabes. se não sabes, repetes. eu, que abominava todos os que, por meios nada sérios, conseguiam aquilo que eu, só marrando muito, conseguia... nesse dia, fui contra tudo aquilo em que acreditava. que defendia.

e, até ontem, me envergonhei do que fiz.

sim, até ontem.

a [treta d']a trigonometria não tem qualquer papel relevante no exercício da minha profissão. cá para mim, só nos foi leccionada para encher chouriços. no nosso dia-a-dia, no nosso local de trabalho, o círculo trigonométrico revelara-se, somente, uma triste[e muito longínqua - graças a deus, pá!] recordação.

já, um futuro magistrado, copiar num exame de investigação criminal e gestão de inquérito... não pode ser nada bom. ah, pois não. opá... é como um futuro cirurgião copiar num exame de anatomia. é mau. muito mau. mesmo muito mau.

tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. e a vergonha e o sentimento de culpa por ter sido desonesta, tem-me perseguido, desde então.

e não havia necessidade, pá. dessa auto-flagelação, pá. eu era uma miúda. já estes tipos... pá. estes tipos já frequentaram a universidade e estão a tirar uma especialização. em investigação criminal. pois. uma especialização séria. mais de 130 tipos sérios para ocuparem cargos sérios, pá. que decidem se a vida dos outros é pouco ou nada séria.

tudo me leva a crer que sou um tantinho estúpida. opá.

é que eu copiei uma vez. e só ontem[pá], só ontem, percebi que não era preciso tanto fuzuê em torno do assunto. esta noite, já dormi sossegada. o sono dos justos. pá. e foi bom. pá.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

{copyright}



para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
sê todo em cada coisa.
põe quanto és
no mínimo que fazes.
assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.

fernando pessoa

domingo, 12 de junho de 2011

{caleidoscópio}

foto original @
quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para dizer “obrigada”. o último para dizer “me desculpa”. o último para dizer “eu te amo”. o último para abraçar cada pessoa amada com aquele abraço bom que faz um coração cantar para o outro. o último para apreciar a vida com o entusiasmo que não guarda nenhuma delícia nem ternura para depois. o último para fazer as pazes. para desfazer enganos. para saborear com calma, como se me servissem um banquete, a preciosidade genuína que cada único respiro humano representa.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para esquecer tolices. o último para ignorar o que, no fim das contas, não tem a menor importância. o último para rir até o coração dançar. o último para chorar toda dor que não transbordou e virou nódoa no tecido da vida. o último para deixar o coração aprontar todas as artes que quiser. o último para ser útil em toda circunstância que me for possível. o último para não deixar o tempo escoar inutilmente entre os dedos das horas.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. o último para me maravilhar diante de cada expressão da natureza com o olhar demorado de quem olha pela primeira vez. o último para ouvir aquela música que acende sóis por toda a extensão da minha alma. o último para ler, de novo, o poema que diz tanto de mim que eu me sinto caber nos olhos do poeta que o escreveu. o último para desembaraçar os fios emaranhados dos medos que me acompanham.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último. eu não perderia uma chance para me presentear com os agrados que me nutrem. eu criaria mais oportunidades para dizer o meu amor. para expressar a minha admiração. para destacar para cada pessoa a beleza singular que ela tem. para compartilhar. eu não adiaria delicadezas. não pouparia compreensão. não desperdiçaria energia com perigos imaginários e com uma série de bobagens que só me afastam da vida.

quem dera eu aprendesse a viver cada dia como se fosse o último, porque pode ser.

sábado, 11 de junho de 2011

{falling... falling... }


as últimas semanas não têm sido fáceis para ninguém. toda a família, alerta. não se dorme. o toque do telefone[que nos assusta, súbita e violentamente] não nos dá tréguas. sente-se que a neblina escura e fria do medo nos envolve, estreita-se e nos constringe.

como é que deixou a sua mãe chegar a este ponto?

a pergunta não me foi feita a mim. mas, senti como se tivesse sido. "E" está muito mal, muito mal, mesmo. porém, a pergunta não deveria ter sido dirigida ao filho[que está desesperado, que precisa que lhe digam que vai tudo correr bem, que em breve terá de volta a sua mãe]. a pergunta deve ser feita ao médico de família que, durante vários meses[repito, vários meses] disse a "E", que não tinha nada, que era tudo da "sua cabeça"; que disse "que não se interna ninguém, enquanto não há um diagnóstico"...

[eu acreditava que os hospitais serviam, também, para diagnosticar. afinal, não. só se interna alguém, quando há um diagnóstico. vivendo e aprendendo...]


"E" emagrecia a cada dia que passava. o sopro da vida, também ele, ficava cada vez mais ténue. exames, consultas, urgências, transfusões de sangue, soro... muito soro. cada vez mais fraca, mais magra. tinha de ser carregada ao colo porque não se mantinha de pé. as forças, há muito que tinham desaparecido[àquela mulher que jamais faltou ao trabalho, que fora sempre o pilar do seu lar... forte como sol que queimava a sua pele clara].

nada, contudo. a "E" não tinha nada.

os amigos, desesperados, conseguiram que um outro médico a consultasse[mais um, entre tantos: o médico de família, vários médicos do hospital de alijó, do centro hospitalar de vila real, de clínicas privadas e urgências dos dois hospitais já mencionados]. este médico, psiquiatra, perguntou-lhe se queria ser internada. respondeu que sim. fustigada por dores abdominais, o corpo repleto de edemas, derrotada pela fadiga e acometida de uma grande debilidade. e magra[tão magra...]. sim. ela queria muito ser internada. e foi.

na ala psiquiátrica.
porque a "E" não tinha nada.

não resistiu mais que dois dias. e, na segunda entrada nas urgências, após internamento na ala psiquiátrica[sim, foi por duas vezes, admitida nas urgências do centro hospitalar de vila real depois de ser internada na ala psiquiátrica!!! e só na segunda vez], foi, finalmente, diagnosticada.

uma peritonite resultante de uma oclusão intestinal devido a uma neoplasia de 10cm.

simples, não?

afinal, não era nada...

como é que deixou a sua mãe chegar a este ponto?

[em estado crítico, coma induzido, ferida cirúrgica aberta. febre muito elevada. infecção que não cede, prognóstico muito reservado]

a pergunta está mal formulada:

como é que dezenas de médicos, durante mais de três meses, chegaram a minha tia, a irmã da minha mãe, chegar a este ponto???

quarta-feira, 8 de junho de 2011

{looking down the road}

no domingo, uma amiga perguntou-me se estava satisfeita com o resultado das eleições. sinceramente? acredito que as únicas pessoas satisfeitas com o resultado das eleições serão os militantes do partido vencedor e pouco mais. ninguém pode estar satisfeito porque tudo não passa de uma grande farsa, onde as personagens não são nada mais que isso: personagens. e pior... personagens muito pouco preparados para o papel que têm de desempenhar.

estive num impasse até ao último momento. mesmo dentro da cabine de voto. olhei para a lista e não vi nada. de nada. votei em branco porque, para mim, nenhum partido ou coligação poderia ser a resposta. durante os quinze dias de campanha não se ouviu uma uma única proposta[mas uma proposta a sério, daquelas propostas que mostram que foram estudadas], uma única explicação[porque eu gostaria bastante se me explicassem como irão ser colocadas em prática, as decisões do fmi]. somente, insultos, ataques pessoais: ele é o culpado, ele é mais culpado que eu. eles são os culpados...

as campanhas deixam-me cansada.

depois do domingo de eleições, a coisa acalma. os insultos cessam. ou não. decididamente, o partido derrotado insiste no insulto. finalmente, desistiu do psd e virou-se, agora, para o cds. eu não digo que estes partidos sejam melhores ou piores que o ps.

[como já disse acima, eu votei no partido branco e não tenho qualquer ilusão sobre os dois partidos que irão" ser" governo: são todos iguais, só muda a cor]

acredito, porém, que a minha avó tinha razão quando afirmava que não se deveria "atirar pedras aos telhados dos vizinhos, se o seu telhado é feito de vidro". por isso, falar na idoneidade de um indivíduo quando se está num partido onde poucos escapam...

o ideal seria uma limpeza radical ao parlamento. novos partidos, novas caras, novas propostas. porque a esmagadora maioria destes indivíduos estão mais sujos que rabo de bebé, após o almoço. as propostas são pobres ou inexistentes. e, o mais importante, a falta de diálogo com a população... não queremos beijinhos: queremos propostas, explicações, soluções.

[estou a ser repetitiva, eu sei. mas, a conta do supermercado não pára que aumentar. conheço várias pessoas que não conseguem sair do desemprego. a educação vai de mal a pior e a saúde... que deus nos proteja]

quinta-feira, 2 de junho de 2011

{fotografia com histórias dentro}


eu e o meu primo, no Palácio de queluz... pela minha cara, ou estava para aprontar ou já tinha aprontado e ainda ninguém tinha dado por isso...