segunda-feira, 30 de agosto de 2010

{baby steps}

enfeite-se com margaridas e ternuras
e escove a alma com flores
com leves fricções de esperança
de alma escovada e coração acelerado
saia do quintal de si mesmo
e descubra o próprio jardim.

carlos drummond de andrade

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

{o rei está morto}

adoro estudar: uma verdadeira marrona. desde menina que sou assim. nas férias grandes, levava sempre duas malas para trás-os-montes [onde passava todo o mês de agosto]: uma mala com roupa, a outra com os livros da escola. quando chegava às aulas, já tinha as lições quase todas estudadas e os exercícios quase todos resolvidos. e era assim com todas as matérias.

[bem, a minha relação com a matemática não era famosa: tinha um ódio de estimação pelos números porque o meu pai decidiu que eu tinha que ser como ele e, sempre que estava comigo, obrigava-me a recitar a tabuada (sempre salteada), a resolver problemas, adições, subtrações, multiplicações, divisões... uma verdadeira tortura. entretanto, vi-me obrigada a colocar o ódio à matemática de lado devido ao meu curso. e, confesso, que fiquei fã da dita]

uma das minhas matérias preferidas era a história de portugal. eu conseguia estar horas seguidas a ouvir aquelas histórias sobre as mulheres e os homens que tornaram o nosso país, a "cabeça" da europa. eu tinha um orgulho em ser portuguesa... descobrimos terras, enfrentámos medos, abrimos caminhos... sim, portugal era um povo nobre com heróis em terra e no mar... uma nação valente e imortal.

[imortal, não. o rei está morto]

da cabeça passámos para a cauda. o país tornou-se pequeno, ridiculamente, pequeno. os ricos [cada vez mais ricos] sufocam os pobres [cada vez mais pobres]; a violência junta-se à criminalidade e de mãos juntas com a impunidade, tomam conta da sociedade; o desemprego traz ainda mais fome para as mesas dos portugueses cada vez mais desesperados, mais desanimados... mais deprimidos; desactivam-se caminhos de ferro, as escolas fecham, as aldeias ficam desertas... a agricultura morre. o que não morre, o português [perdido, louco...] mata com um fósforo ou um isqueiro.

a cauda da europa...

e a culpa é nossa. porque o permitimos. todos, de uma maneira ou de outra, contribuímos para esta queda abismal: passámos de nação conhecida [temida por uns e admirada por outros] para um pedaço de terra que ninguém conhece. ou até conhece, porque somos parte integrante dos pigs .

estamos a cair a pique e nada nem ninguém parece conseguir amortizar a queda.

[o rei está morto. viva o rei. viva portugal]

recuperado para a fábrica de letras

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

{???}

descobri este vídeo lá no rei da lã...



alguém me explica o que raio passou na cabeça daquela mulher? o gatinho foi-lhe pedir festinhas... e acaba no lixo???

[pelo menos, aconteceu na inglaterra... lá existe a rscpa. se tivesse sido em terras de camões, nada. não se passaria nada.]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

{twittering}


nada como uma chuvinha de verão...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

{existem caminhos...}


existem caminhos para quem quer caminhar.
existem caminhos para qualquer lugar.
caminhos escuros, perigosos, trilhas estranhas,
e estradas largas cruzando planícies tamanhas
que nunca se sonhou poder atravessar.

existem caminhos verdejantes e belos
que nos levam de castelo em castelo,
de covil em covil, através dos bosques
cheios de fadas e feras, terras das hostes
das pessoas feitas de sonhos, imaginárias...

existem caminhos sempre
basta persistir e seguir.
os deuses da estrada abençoam
aquele que não se deixa cair.

eu só quero encontrar o jardim
no qual eu possa me deitar e sonhar...

Daniel Duende

[...não podemos deixar de o procurar.]

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

{nem arte... nem cultura: tortura}


há uns tempos atrás, assisti a um debate sobre touradas, onde um dos aficionados falava do orgulho e da honra que o touro sentia ao entrar na arena.

[???]

será que os tais aficionados acreditam mesmo naquilo? é que tão absurdo...

o que o touro sente não deve ser orgulho ou tão pouco honra. medo. deve sentir muito medo. e dor. o touro sente os ferros a rasgarem-lhe a carne. o touro sente o peso desses ferros que, a cada passo, se enterram, rasgando, ferindo cada vez mais. o touro sente as feridas a serem novamente feridas por mais ferros serrados, afiados, pesados... mais carne a rasgar. e a dor. sente muita dor.

[medo. deve sentir mesmo muito medo.]

tradição e cultura. palavras que escondem, que minimizam, que embelezam a barbárie e a crueldade que ferve no sangue do homem. até há pouco tempo atrás, faziam-no a homens, mulheres e até a crianças mas a civilização ditou o seu fim. então, procuraram outras vítimas. que não tivessem direitos, ou voz.

o animal [dito irracional] foi escolhido. o animal [dito irracional] não pode fugir. o animal [dito irracional] não se pode revoltar. o animal [dito irracional] não consegue fazer-se ouvir. porque para o homem, o animal [dito irracional] não passa de uma coisa.

mas o homem está enganado. o animal [dito irracional] não é uma coisa que podemos comprar, vender, abandonar, ferir, matar... o animal [dito irracional] é como nós: sente frio, sente calor. fica triste. alegre. morre de saudade. e sente medo...

[tento colocar-me no lugar do touro. não. não me sinto honrada ou orgulhosa. sinto-me em pânico. porque me rasgam a carne com ferros pesados. luto para me livrar deles mas não consigo e eles enterram-se cada vez mais. o medo apodera-se de mim. medo que me voltem a espetar. sinto-me cada vez mais fraca. os meus olhos estão toldados pela dor, pela perda de sangue... só vejo sombras. e mais um ferro espetado. estou aterrorizada, completamente perdida. não. não me sinto honrada ou orgulhosa. sinto a morte. terrível, cruel... agonizante. morte.]


As touradas têm que acabar. não podemos continuar a aceitar que os crimes continuem sem punição porque tão pouco são considerados crimes. está na hora de se fazer alguma coisa...

[petição pelo fim das corridas de touros em portugal, aqui...]

terça-feira, 17 de agosto de 2010

{rewind}


lembro-me de caminhar durante horas, quilómetro após quilómetro. o silêncio. mudo. sufocante. não se ouvia o chilrear dos pássaros, o canto das cigarras ou o zumbido das abelhas. também não se ouviam as carícias do vento nas folhas das árvores.

as mil e uma cores do verão também tinham desaparecido. a cor cinza do caminho confundia-se com a cor da floresta. o verde das agulhas dos pinheiros, o amarelo das maias, o vermelho das papoilas ou aquele azul especial das pequenas flores da alfazema... tinham-se apagado. as cores coloridas do verão deram lugar à cinza cinzenta. e ao preto.

os aromas, uma miríades deles... substituídos pelo cheiro a queimado.

a floresta. abafada. vencida pela mão criminosa do homem.

mãe, o que é mão criminosa? é quando o homem ateia o fogo à floresta. porque é que o homem quer matar a floresta? sei lá...

eu lembro-me.

[e não há como esquecer, infelizmente. porque o homem continuar a matar o verde, o amarelo, o vermelho ou o azul especial das pequenas flores da alfazema. fica o silêncio. o negro. o cheiro a desolação... e as lágrimas... sim, também ficam as lágrimas.]

sábado, 14 de agosto de 2010

{baby steps}




...gostar de viver é o segredo, é meio caminho andado...

domingo, 8 de agosto de 2010

{hot... very hot...}

@

...so hot...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

{os sapatos certos}








but...











gosto muito de viajar. meter os pés ao caminho, fazer-me à estrada. sempre preparada, claro, porque eu gosto de ter uma ideia do terreno que vou pisar.

para uma viagem, porém, não me preparei [ninguém se prepara para uma viagem destas]. foi uma longa viagem... o pior foram os sapatos. não eram os melhores e o caminho era íngreme. com os pés feridos, tropeçava e caía. constantemente.

até que um viajante passou por mim e lavou-me os olhos [a poeira do caminho impedia-me de abri-los]. depois de tratar das minhas feridas, perguntou-me porquê. porque é que insistes em usar os sapatos errados?

ele tinha toda a razão... o mau não é ser apanhada desprevenida, estúpido é insistir num erro. eu não estava à espera da viagem, é certo. contudo, poderia ter procurado, durante a viagem, uns sapatos melhores.
[procurei e encontrei. os sapatos certos ]

com os pés confortáveis, de mãos dadas com o viajante, continuei o meu caminho. a nós, juntaram-se outros viajantes. também eles, apanhados desprevenidos, também eles... com uma longa viagem à sua frente.

aprendi muito, com esta viagem. aprendi que todo o caminho é caminho. só precisamos dos sapatos certos. não existem caminhos impossíveis: há caminhos difíceis, é certo... mas há sempre uma maneira de ultrapassar os obstáculos. basta querer, basta procurar dentro de nós.

[e, principalmente, há que viajar sempre acompanhada]

para a fábrica de letras, sob o tema: uma longa viagem