segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

{ipod}


por mais que a vida nos agarre assim
nos troque planos sem sequer pedir
sem perguntar a que é que tem direito
sem lhe importar o que nos faz sentir

eu sei que ainda somos imortais
se nos olhamos tão fundo de frente
se o meu caminho for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu te sei dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

por mais que a vida nos agarre assim
nos dê em troca do que nos roubou
às vezes fogo e mar, loucura e chão
às vezes só a cinza que sobrou

eu sei que ainda somos muito mais
se nos olhamos tão fundo de frente
se a minha vida for por onde vais
a encher de luz os meus lugares ausentes

é que eu quero-te tanto
não saberia não te ter
é que eu quero-te tanto
é sempre mais do que eu sei te dizer
mil vezes mais do que eu te sei dizer

mafalda veiga



tanto que caminhei[tanto que a vida me roubou]... mas, agora, tenho-te a ti... a encher de luz os meus lugares ausentes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

{rewind}

lembro-me de gostar muito do dia de eleições... porque na segunda-feira seguinte não havia aulas. mas não só. nesses domingos, eu e os meus pais saímos de casa cedo. as ruas estavam cheias de pessoas e todos seguíamos na mesma direcção. era divertido[eu adorava passear com os meus pais, fosse qual fosse o motivo].

à chegada, ficávamos imenso tempo à espera. mas eu adorava: ficava esse tempo nas cavalitas do meu pai :)

depois, os meus pais entravam numa espécie de caixa gigante com um pano preto a tapar a saída. eu ficava sempre ao lado da minha mãe. ela desenhava um X num quadrado, dobrava o papel e entregava a uma senhora que o metia numa caixa preta.

ah, e não se podia falar.

hoje, quando fui votar com o meu pai[a minha mãe faz parte do grupo que vota no enorme partido da abstenção], as ruas estavam cheias de pessoas[desta vez, pelo menos no meu bairro. a adesão parece ter sido grande]. e eu senti-me, novamente, uma menina ao lado do meu pai. só que desta vez, fui eu que desenhei o tal X em frente a uma fotografia.

[espero que tenha escolhido bem...]

{multimedia message service}

já está...

sábado, 22 de janeiro de 2011

{fotografia com histórias dentro}

há alguns anos atrás, na fraga[lá na terra dos sonhos]. foi preciso andar através de mato cheio de silvas sem se conseguir ver nada: chão ou céu [porque o mato era bem maior que nós], para ali chegar... mas chegamos. só porque eu pedi... para estes dois homens [o meu pai e o meu tio], eu continuo aquela menina de três anos, saia rodada e totós enrolados em fitas cor-de-rosa. e isso, sabe-me tão bem...

[estou com tantas saudades... mas o verão está a chegar!!!]

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

{caleidoscópio}


@
hoje levantei-me cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. é minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. posso reclamar porque está a chover ou agradecer às águas por lavarem a poluição. posso ficar triste por não ter dinheiro ou sentir-me encorajado para gerir as minhas finanças, evitando o desperdício. posso reclamar sobre a minha saúde ou dar graças por estar vivo. posso me queixar dos meus pais por não me terem dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido. posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a deus. posso lamentar decepções com amigos ou entusiasmar-me com a possibilidade de fazer novas amizades. se as coisas não saíram como planeei posso ficar feliz por ter o dia de hoje para recomeçar. o dia está na minha frente à espera para ser o que eu quiser. e aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. tudo depende só de mim.

charles chaplin

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

{ando com tanto sono...}


[...estranho]

domingo, 16 de janeiro de 2011

{twittering}


estou com sono | estou com frio | preciso limpar a casa | não quero

[há dias em que me só apetece ser homem]

sábado, 15 de janeiro de 2011

{delírio onírico}


hoje sonhei com o tiago... pelo menos, era assim que se chamava. eu não gostei muito do nome mas, quando pensei nisso[enquanto sonhava], o nome soou ainda mais alto.

um sonho estranho, como todos os meus sonhos[eu sonho tanto... a grande maioria, sonhos maus ou mesmo muito maus: uma espécie de pesadelos hardcore. outras vezes, a minha mente fica-se pelos thrillers, ou seja, não são assim tão maus mas também não me deixam ter um sono descansado... aliás, é raro ter um sono sossegado].

sonhei que não conseguia dormir e, por isso, apaguei todas as luzes. ao acordar, ouvi uma voz dizer-me que tinha nascido. o tiago[pois, realmente, o nome não me apaixona... but...what ever]. ninguém sabia como tinha nascido, já que eu estava a dormir. isso, porém não me interessava, segurei-o nos meus braços e ele era lindo. começou a saltar, com as suas perninhas nas minhas[ah, pois... isto nos sonhos é tudo muito rápido: acabadinho de nascer e já saltava no meu colo]. acordei a sorrir.

e pronto. foi só isto. o sonho.

[já comentei como ele era bonito?]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

{looking down the road}

há uns tempos, apesar da minha convicção[que não vale a pena votar], resolvi que jamais voltaria a falhar um acto eleitoral. agora, vejo-me completamente perdida porque não quero falhar com a minha resolução. a questão que eu me colocava antes, mantém-se... em quem?

as campanhas, mais uma vez, têm tido somente um exercício de ataques pessoais. não há nenhum candidato que não tenha atirado pedras ao telhado de um outro candidato. as campanhas eleitorais têm como função esclarecer os eleitores sobre as propostas que cada candidato tem para o seu país... pois. está bem. ainda não ouvi nenhuma proposta. nenhuma.

são estas campanhas[da treta] que me fazem desanimar. não há ideias novas, não há uma plano de trabalhos, não há nada. só se sabe que fulano fez aquilo e sicrano fez pior. ou então, não, porque são tudo calúnias... que por acaso[só por acaso], são provadas no dia seguinte.

[o nosso país é um paraíso para os mentirosos, incrível. será que ninguém - durante as suas infâncias - lhes contou a história do pedro e do lobo?]

há um descrédito total nos candidatos[e em tudo que gira à volta da política], por parte da população em geral. ouve-se, sente-se isso. claro está que, na minha opinião, nós[população em geral] somos os principais culpados. se não fossemos um povo de brandos costumes, se não estivéssemos tão[estranhamente] acomodados, serenos, quase tranquilizados, isto não teria chegado onde chegou.

cavaco silva diz que vai utilizar todos os seus poderes para que portugal encontre o rumo certo. bem... se é assim, porque é que não o fez ainda? já é presidente há tanto tempo... não tinha deixado o país chegar onde chegou. digo eu. não sei. já josé manuel coelho parece-me uma personagem saída do looney tunes. manuel alegre muda de opinião com uma facilidade que me assusta. defensor moura... muita parra... pouca uva? francisco lopes, o discurso camarada de sempre. escapa-se fernando nobre... mas também ele ainda não me explicou como irá pôr em prática tudo o que disse no seu discurso de apresentação de candidatura.

continuo como touro no meio da ponte[que, muito provavelmente, não vai dar a nenhum lado]. espero que até dia 23 de janeiro, alguém consiga mostrar querer, de facto, fazer alguma coisa por um país à beira-mar plantado, muito perto de morrer...
[afogado]

domingo, 9 de janeiro de 2011

{ipod}




Dido
in your life, your mad
in your car, your sad
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses

A R R
if I rise, they are on my drive
if I believe, it's more than it is
more than it is

Dido
if i rise, one more chance
all our dreams, more than this
o' your taller now i've found
hold your fire course
o' your fallen out
go and sow your courses

A R R
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is

Child Chorus
if I thought i wanted more
get the life more
just one more call
though i've never lost
believe i don't care
never again

A R R & Dido
if i rise, they are on my drive
of i believe, it's more than it is
it's more than it is

Child Chorus
if i thought i wanted more
get the life more
just one more call

Dido
if i believe, there's more than this
anymore than this

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

{safe trip home}

mais um ano que começa, mais uns quantos passos na caminhada...

cada vez mais perto de casa.


o caminho torna-se mais fácil de se fazer. menos íngreme, as pedras são muito poucas. e pequenas. os meus pés adaptaram-se, finalmente, à forma dos novos sapatos.

também não estou mais sozinha com o caminhante que me ajudou a dar início a esta caminhada. muitos outros caminhantes juntaram-se a nós e, agora, somos cada vez mais e mais unidos.

sinto-me bem[e tu?], feliz. segura.

[o medo. o tal medo que me castrava, ficou para trás. não cabia na mochila. tal como não havia lugar para as desilusões (comigo/com os outros). as feridas, tratadas, já não doem mais. não as esqueço, sei disso... as cicatrizes não o permitem. mas, como disse, já não doem mais]

um novo ano começa. e a viagem continua...

sábado, 1 de janeiro de 2011

{receita do ano novo}

para você ganhar belíssimo ano novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
ano novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
é dentro de você que o ano novo
dorme e espera desde sempre.

carlos drummond de andrade


...feliz ano novo...