domingo, 31 de outubro de 2010

{chove... e então?}

você é uma dessas pessoas que acordam numa certa manhã,
vêem que está chovendo e dizem:






"que dia miserável?”






não é um dia miserável. é apenas um dia molhado. se usarmos as roupas apropriadas e mudarmos nossa atitude, podemos nos divertir bastante num dia chuvoso. agora, se nossa crença for a de que dias de chuva são miseráveis, sempre receberemos a chuva de mau humor. lutaremos contra o dia em vez de acompanharmos o fluxo do que está acontecendo no momento.

não existe "bom" ou "mau" tempo, existe somente o clima e nossas reacções individuais a ele.

se quisermos uma vida alegre, precisamos ter pensamentos alegres. se quisermos uma vida próspera, precisamos ter pensamentos de prosperidade. se quisermos uma vida com amor, precisamos ter pensamentos de amor. tudo o que enviamos para o exterior, mental ou verbalmente, voltará a nós numa forma igual.


louise l. hay


post recuperado daqui...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

{dicionário de bolso | a}

[ribeira das forcadas - cheires, trás-os-montes]
aipo

s. m.
bot. planta apiácea muito conhecida e de aplicação culinária.

in priberam

eu costumo utilizar o aipo para perfumar caldos, sopas, molhos. gosto de o preparar com alguma calma, deixar que o seu perfume se espalhe pela cozinha e envolva todos os meus sentidos, enquanto fecho os olhos e inspiro.

sei onde estou. à minha volta, uma miríade de sons, cores, aromas. pertinho da ribeira das forcadas, está uma pequena horta. tomates vermelhos[cheios], pimentos[de todas as cores], malaguetas[vermelhas... picantes] e pepinos verdes. no chão, gordas abóboras cujos braços se estendem pela terra, preguiçosos.

e o aipo.

esse cresce selvagem,
bem perto dos agriões [também eles, selvagens],
ao lado da ribeira.

e
x
p
l
o
s
ã
o

de

c
h
e
i
r
o
s

e desta explosão que invade aquele espaço mágico, há um que se destaca. e é por isso. é só por isso que, sempre que posso, cozinho qualquer coisa com aipo.

não pelas suas presumíveis propriedades afrodisíacas, não pela sua reconhecida fonte de potássio nem porque combina bem com couves, frango, pepino, peixe, salada de batata e em sumos com maçã e cenoura.

só pelo aroma penetrante[com notas de noz moscada, citrinos e salsa]. aquele que me leva a viajar, que me ajuda a fazer perto de quinhentos quilómetros em segundos. que me leva para junto da ribeira das forcadas. onde eu sou completamente, feliz.

domingo, 24 de outubro de 2010

{short cut}


farda branca ou verde, socas azuis leves e confortáveis. seringas, agulhas, adesivo canetas, papeis sei lá mais o quê nos bolsos. pernas doridas... ah!(já me esquecia) mal pago!


é assim que miguel se apresenta.

cheirinho a éter, fala-nos da realidade crua e dura do dia-a-dia de um enfermeiro. sem eufemismos [como eu gosto], alguns textos são verdadeiros "murros no estômago". mas todos mostram-nos a enorme capacidade que este enfermeiro tem de se dar ao seu semelhante. uma vez, num comentário, disse-lhe que jamais poderia enveredar por essa carreira por falta de vocação. é assim mesmo. conseguir subtrair-se em prol do outro é algo que nem todos são capazes.

miguel está de partida. o seu caminho, neste pequeno país à beira mar plantado, chegou a uma "espécie" de beco sem saída. porém, um outro caminho o espera, lá pelos lados do grande lago de genebra. e precisa da nossa ajuda. criou o blog asas para voar.
onde colocarei os artigos que serão postos à venda, por uma verdadeira pechincha, e que poderão ser empregues nas vossas casas, em casas de férias, casas para alugar, quintas, quintais, cozinhas rústicas. Não peço que comprem mas peço que passem a palavra!
[comprem! vamos ajudar a conseguir os sapatos certos para esta família!]

e quem passou grande parte de uma vida a ajudar os outros, nada mais certo que poder contar com a nossa ajuda.


e há o gastão. esse cão lindo da fotografia. infelizmente, para grande tristeza de todos, o gastão não pode acompanhar a família, nesta nova caminhada. ele precisa de um lar. e sei, no fundo do meu ser, que conseguiremos encontrar a família certa.



caminhante, não há caminho. faz-se o caminho ao andar: miguel, toda a força do mundo, é o que desejo a ti e aos teus!

sábado, 16 de outubro de 2010

{baby steps}

[fotografia tirada num areal, guincho. a modelo é a minha irmã caçula]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

{o passarinho azul}

@

depois do médico ter-me dito que o meu caminho terminaria numa rua sem saída, senti-me perdida. sem rumo, deambulei pela estrada [com os pés cada vez mais feridos] durante muito tempo. um certo dia, o tal caminhante que me estendeu a mão, ajudou-me a procurar uns sapatos que adequassem melhor àquela jornada que tinha pela frente. os sapatos eram magníficos e as dores tinham desaparecido, tal milagre.

feliz, resolvi gritar aos sete ventos que o caminho não terminava numa rua sem saída e que era possível caminhar, sem estar de mão dada com aquela dor que me atormentava a caminhada [que segundo o médico (e com o tempo, viria a revelar-se assim), seria cada vez mais lenta, cada vez mais tortuosa, cada vez mais difícil].

um passarinho passava e ouviu-me. de asas feridas, juntou-se a mim.

depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. guardei a minha no bolso. e fui.

caio f. abreu


e isto foi o que aconteceu comigo... o passarinho, apesar da sua asa ferida, esteve sempre do meu lado. de cor azul, o passarinho chilreava sons tão belos que me embalavam nas horas mais difíceis [que foram muitas, porque nem sempre os sapatos produziam efeito e as recaídas repetiam-se, umas atrás das outras].

durante a minha caminhada, o passarinho azul foi, tantas e tantas vezes, o meu abrigo, o foco luminoso que me ajudava nos dias mais enevoados e nas noites mais escuras. a este passarinho devo a minha vida. porque, com a sua ajuda, cheguei ao fim do caminho e descobri que, afinal, não era um fim... apenas, um novo começo. e que este novo começo era cheio de flores amarelas.

[obrigada, meu lindo passarinho azul... gosto tanto de ti...]

sei que o meu amigo passarinho azul anda um pouco triste e isso deixa-me sem saber o que fazer. gostaria de pintar o céu de azul cintilante, encher o sol de amarelo quente e as flores, pintá-las de todas as cores do arco-íris.

passarinho azul, como eu não sei pintar... um abraçinho apertadinho acompanhado de muitos beijinhos, ajudará?

domingo, 10 de outubro de 2010

{a arte de ser feliz}


houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. nesse ovo costumava pousar um pombo branco. ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. no canal oscilava um barco. um barco carregado de flores. para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. à sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. e contava histórias. eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. perto da janela havia um pequeno jardim seco. era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. e eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

cecília meiréles

terça-feira, 5 de outubro de 2010

{rewind}

lembro-me de acordar sobressaltada. a cama estava aos soluços e as paredes sentiam-se tremer. pressentia-se um rebuliço, lá fora. levantei-me e corri para os braços da minha mãe. é só uma tempestade. ah, então está bem.

a porta da rua estava aberta e a janela da sala de jantar também [porque um raio pode entrar em casa e assim tem por onde sair, dizia a minha tia]. subi ao sofá e debrucei-me no parapeito. a casa dos meus tios, em trás-os-montes, fica mesmo em cima de uma montanha, rodeada por outras tantas montanhas... sim, eu acordara mesmo a tempo de assistir à soirée e ocupava o melhor lugar da sala.

o céu, qual tela pintada por um artista enraivecido: chicotadas de dourado e prateado rasgavam o negro e transformavam a noite em dia. a banda sonora, tenebrosa, ensurdecedora.

sai daí, rapariga, que é perigoso! mas, tia... pronto, está bem. [chata].

a minha mãe voltara-se a deitar. está frio, vou dormir. a minha tia, expressão fechada, parecia rezar. o meu tio, enfiado na cama... deixa-o lá, sabes que ele tem medo da trovoada. um adulto com medo da trovoada... [hihihi!!!].

o meu pai colocou meio copo de água em cima da mesa. em cima do copo de água, um pedaço de pão. em cima do pão, uma faca. é para cortar a trovoada. ah... cortar a trovoada. boa.

a tempestade começou a amainar e eu fui-me deitar que o sono começava a pesar-me nos olhos.

de manhã, acordei com o barulho do povo, na estrada. geralmente, aquelas pessoas falam alto, mas naquele dia, falavam ainda mais alto. pareciam agitados, nervosos... corri para a rua. a trovoada dessa noite destruíra quase todas as culturas. as vinhas, as oliveiras... depressa, porém, abstraí-me daquele lamento e olhei à minha volta.

as montanhas, com cores mais nítidas do que o costume. cintilantes. fechei os olhos e respirei fundo. o aroma... aquele que fica depois da chuva beijar a terra...

hoje, quando sinto o cheiro da chuva, lembro-me daquela noite. em que a minha tia rezava e o meu tio [medroso, hihihih] se escondia debaixo dos lençóis. e, principalmente, da mágica que o meu pai fez com meio copo de água, um pedaço de pão e uma faca:

ele conseguira cortar a trovoada...

para a fábrica de letras, sob o tema: o cheiro da chuva

sábado, 2 de outubro de 2010

{short cut}

mulher, mãe, amiga... uma comum mortal. é assim que atena se descreve. eu prefiro usar outros adjectivos: forte, generosa, persistente, corajosa... e capaz de um amor que nos contagia e nos faz render.

peso dos sentidos fala-nos de uma mãe, de um filho e de uma causa, o autismo.

eu não posso falar sobre este tema porque pouco sei sobre ele. dizem que são seres especiais. uma coisa eu tenho a certeza... depois de conhecer o pequeno vasco, através das palavras de sua mãe, sinto que este menino é especial, sim. mas, também a sua mãe o é [de uma coragem e força que me arrebata e me faz sentir pequena].

este é um blog a visitar diariamente. eu visito e não há dia em que não saia com uma lágrima teimosa e com um sorriso cheio de ternura.

obrigada, atena por partilhar connosco tanto que tem aprendido, que tem vivido, que tem amado.

e um beijinho ao vasco...

["O Luizinho é castanho e cheira a chocolate" - disse o Vasco de um amiguinho. Ora digam-me: haverá algo mais... que estas palavras?]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

{às 7 da manhã, disse "boa tarde" ao motorista}










areia. fina. escorre pelo crivo dos meus dedos...

momento de

l
u
c
i
d
e
z

esvai-se.

não sei. não sinto. não quero.

d
e
m
ê
n
c
i
a

d
e
c
a
d
ê
n
c
i
a
overdose de mim.


[estou tão cansada... vou dormir. até amanhã...]