terça-feira, 29 de junho de 2010

{ténis... ou avião?}


há muitas formas de fazer uma viagem. eu já caminhei muito mas também já andei de avião. viajar em primeira classe é diferente...

hoje, uma antiga companheira de viagem perguntou-me porque é que voltei à estrada, aos ténis. afinal [segundo ela], eu tinha tudo para voltar às viagens em primeira classe. fiquei a olhar para ela, por uns minutos...

voltar à primeira classe significa voltar ao poder, voltar ao jogo, à competição. eu gosto de competição: competir ajuda a crescer. mas... o mundo está tão diferente. a competição tornou-se suja. as pessoas, corrompidas pela sede de poder, não se importam de pisar e humilhar quem quer que seja para conseguirem alcançar os seus objectivos.

faz parte do jogo...
e eu não sei jogar.

[eu não quero jogar]

então, eu olhei para essa minha antiga companheira de viagem e disse-lhe que existem muitas maneiras de viajar. uns viajam em primeira classe, outros caminham. e assim está bem... nem todas as pessoas precisam de viajar de avião. há pessoas que caminham e gostam de o fazer. eu gosto.

ela não compreendeu. também não me esforcei muito para lhe explicar. há pessoas [principalmente, as que já viajaram em primeira classe] que acreditam que voltar a caminhar significa fracasso.
[how sad is it...]

a vida deu-me a hipótese de escolher: avião... ou ténis. eu escolhi os ténis. e estou feliz por isso. quem não compreender... uppss... paciência. as pessoas que são importantes para mim, os meus amigos e a minha família [a que importa, a que está e sempre esteve ao meu lado] entenderam a minha decisão. e isso para mim chega.

os outros... são os outros.

[tão longe de mim... os outros... felizmente, tão longe]

16 comentários:

Fê-blue bird disse...

Amiga caminhante:
A vida é sua, a estrada é sua, a escolhe é sua!
Nada mais importa, nada mais!

Um beijinho grande de uma companheira de ténis também.

Poetic GIRL disse...

É as pessoas não entendem que temos as nossas próprias escolhas que nem sempre vão de encontro ao que elas escolhem. Esquecem-se que têm é que respeitar o que nós queremos, afinal o caminho é nosso, trilhámos da maneira que sabemos, da maneira que nos parece melhor. Quer seja de avião, a pé, calçada, descalça... somos nós que escolhemos. beijo

Rita disse...

E gosto de caminhar :) caminhamos as duas?

xoxo

mafaldinha disse...

Num país de doutores é quase um escândalo não se ser um deles. E mais escandaloso se torna quando alguém se recusa a ser. Portugal é um país de doutores pobres de espírito. Eu também optei por uma profissão modesta e depois? Se me faz feliz, os outros que se lixem.

Leolpoldo disse...

Eu entendo-a quando fala nesta nova forma de competição. Isto já não é para mim que sou de uma outra geração. Ainda bem que não nasci por estes tempos porque eu não saberia viver assim. Caminhe que só lhe faz bem.

cc disse...

O meu local de trabalho é uma arena por isso eu compreendo-te e respeito a tua decisão. Como tu dizes, se te sentes bem contigo, os outros são os outros. Sê feliz que o resto vem por acréscimo. Foste tu que me ensinaste isso por isso está na hora de pores em prática.

Beijinho

Miguel disse...

Amém!

Aquele abraço

Rogério Pereira disse...

Alto aí
Os outros são os outros?
Eu pertenço ao mundo dos outros e não aceito esses termos!

Só fala assim porque vai de ténis!
Nem olha para mim
Descalço...

(Hoje, depois de ver a selecção perder, reajo mal ao individualismo... mas isto passa-me)

Bjs

Insana disse...

Que bom poder escolher
que bom ter escolhas.

bjs
Insana

Brown Eyes disse...

Suzana como eu te compreendo, não imaginas quanto. Escolho e escolhi sempre os ténis, nunca soube jogar. Para mim a claridade sempre teve que existir para me sentir feliz. As competições a que me propus foram sempre a nível intelectual e nunca as temi, nem tão pouco quis manipular o resultado. Quem merecer deve ficar com o prémio, seja quem for. Só admito o poder da inteligência, sem pisar nem humilhar. Linda vai em frente porque quem não te entende também não merece entender-te. Beijinho grande para ti

Madalena disse...

Entrar no jogo e jogar faz parte da vida. Não sei se consigo entender esta tua reflexão. Eu não sei viver sem jogar porque eu gosto de jogar e de preferência, ganhar. Nunca pisei ninguém para alcançar os meus objectivos mas que ninguém me tente pisar. Eu atropelo quem tentar. Gostei do teu blog, o meu é ainda um recém-nascido :)

caminhante disse...

fê, é isso. ponto. e obrigada pela companhia na caminhada :)

poetic girl, as pessoas insistem em querer decidir a nossa vida. mas, como dizes, somos nós que escolhemos. beijinhos...

mafaldinha, contesta para aí que tens toda a razão :)

ritinha... sempre :)

sim, leopoldo, é um mundo estranho. mas aprende-se a viver nele. um abraço...

catarina: já está posto em prática!!!

miguel, abraço retribuído...

rogério: os outros são todos aqueles que não me entendem e nem sequer se dão ao trabalho de me entender. o rogério já provou que mesmo não me entendendo em alguns aspectos, faz um esforço e respeita-me. para mim, o rogério não faz parte dos outros há muito tempo... abraçinho :)

insana: neste mundo insano é um privilégio poder-se fazer escolhas!!!

brown eyes, que bom ler-te de novo!!! fazias falta :) obrigada pelas palavras querida... um beijinho para ti também, linda :)

Boa, madalena: sem arrependimentos lol

Olga disse...

Os ténis são confortáveis, ajustam-se aos pés e permitem uma caminhada leve e calma. Quando estou lá em cima não consigo me esquecer que estou lá, mas cá em baixo é seguro e tranquilo. Falou e disse a colega de caminhada. Vamos? Beijinhos.

Joana disse...

Ténis, decididamente. Eu já andei de avião mas desisti. E estou contente por ter decidido fazê-lo. Não foi uma decisão fácil, mas só me trouxe vantagens. Por vezes, o estatuto (e tudo o que está intrínseco) não vale a pena.

caminhante disse...

então... vamos!

Gogo disse...

Caminhar de ténis sempre foi para mim sinónimo de felicidade e simplicidade. No dia em que olhar para trás e não me recordar disso, será um dia certamente triste.

Boas caminhadas ;)