sábado, 24 de setembro de 2011

{adietar*: quando o sonho fica para trás...}


o meu sonho era ser bailarina. desde menina. não eram o tutu de cor branca ou as sapatilhas de meia ponta que apelavam aos meus sentidos. ser leve como uma pluma, desafiar a gravidade e dançar com o vento, sem imposições do meu corpo. desmaterializar-me. transformar-me numa entidade etérea, volátil.

trabalho constante. auto-controle. persistência. disciplina. [eterna]busca do prefeccionismo. coragem. determinação. técnica. precisão. equilíbrio. flexibilidade. liberdade. sensibilidade. suavidade. subtileza. sublimação.

comunicar-me através do meu corpo, exprimir os meus sentimentos com os braços e as mãos e, em cada movimento, sentir o toque da minha alma, na tua alma.
sim... eu queria ser bailarina

eu queria ser bailarina. mas a vida desviou-me do meu caminho. e, no lugar das sapatilhas de meia ponta, nos meus pés, uns sapatos rasos. com palmilhas especiais para atenuar a caminhada.

[numa aula de anatomia, lembro-me do professor dizer que os pés das bailarinas são os pés mais feios, completamente, deformados. os meus pés, que não são de bailarina, estão também deformados. e há dor, em cada passo que dou... todas as articulações do meu corpo estão afectadas e a flexibilidade é algo que eu deixei de ter há algum tempo. sim... eu queria ser bailarina. mas, não sou bailarina e jamais poderei vir a ser]

a flexibilidade deu lugar à rigidez muscular. e esta rigidez deu lugar ao medo. o medo de voar. o medo de querer ser feliz.

e, quando o sonho fica para trás...

ontem, acordei triste. na noite anterior, tinha assitido a uma entrevista feita à primeira bailarina do new york city ballet, jenifer ringer. as suas palavras tocaram o mais íntimo do meu ser. uma lágrima deslizou, desliguei a televisão, apaguei a luz... e tentei esquecer. mas, não esqueci[mais uma noite de sono pertubado\perturbante...desta vez, não foi a dor física, mas uma outra dor para a qual não há analgésicos ou anti-inflamatórios susceptíveis de ajudar a apaziguar essa mágoa, esse pesar].

ontem, estava assim. hoje, foi um novo dia, porém. apesar de só me apetecer ficar dentro dos meus lençóis, vesti-me e, contra a minha vontade, saí. fui ter com as manas e andamos por aí. ao sabor do vento, sem rumo. só por andar. elas não estavam melhor do que eu. e, desabafo aqui, desabafo ali, chegamos lá. 

[esta dieta tem destas coisas. quando a comecei, estava longe de pensar que teria tanto trabalho pela frente. que tantas gavetas iria abrir, que tantas feridas teria de tratar. não obstante, sinto-me grata por ter tido a coragem de enveredar por este caminho. do auto-conhecimento. acredito, cada vez mais, que sim... há que abrir as gavetas, tirar os lençóis velhos que tapam as memórias e sacudi-los para tirar esse pó que nos tolda a visão]

quando o sonho fica para trás...  resta-nos, somente, procurar, procurar... até encontrar um novo sonho. 

e correr atrás...

obrigada, manas, pela ajuda :)