segunda-feira, 24 de outubro de 2011

{adietar*: abrir as portas}

there's a reason i said i'd be happy alone. it wasn't 'cause i thought i'd be happy alone. it was because i thought if i loved someone and then it fell apart, i might not make it. it's easier to be alone, because what if you learn that you need love and you don't have it? what if you like it and lean on it? what if you shape your life around it and then it falls apart? can you even survive that kind of pain? losing love is like organ damage. it's like dying. the only difference is death ends. this? it could go on forever.
meredith grey

há uma década atrás, eu pensava, exactamente, desta maneira. éramos só eu e a luna, a minha gata[e estávamos muito bem assim]. sozinha, sim... mas nunca senti a solidão. era tão mais fácil viver...

se me apetecia comer uma taça cheia de esparguete regado com natas, comia. se me decidia por uma salada, porque não? tinha dias de andar só de boxers... outros, com o "pijama da avó". dançava sem parar, se estava para aí virada ou esfregava o chão, munida de escova de dentes e cif... ria e chorava com friends e se me apetecesse, dormia no sofá, estava horas no banho rodeada de velas aromáticas e ouvia aquela canção que eu adorava, vezes sem conta. sem nunca, nunca haver quem me dissesse que não concordava com isto ou aquilo. porque, lá está. éramos só eu e a luna[e estávamos muito bem assim]

nem sempre foi desta maneira. aquela casa já estivera cheia, muitas vezes. de um dia para o outro, porém, as pessoas foram afastando-se. até ficarmos eu e a luna, a minha gata[durante muito tempo culpei quem se fora. mais tarde, a doença. hoje sei que não houve culpados, apenas caminhos que se separaram]. adaptei-me depressa ao facto de sermos só nós. depressa e muito bem, diga-se. tão bem, que me sentia  feliz. afinal, existirá algo melhor que podermos andar somente de boxers? e o sossego. e o silêncio...

a liberdade.
@


[porque, quer queiremos, quer não, amar vem de certa forma privar-nos da doce liberdade...]

com o amar, vem o "dar-nos ao outro". para quem está habituada a viver assim, como eu estava[só eu e a luna], voltar a viver com alguém pode ser complicado. para mim, foi. ter de sair de minha casa para regressar à casa dos meus pais[devido à evolução da doença, fui obrigada a vender a minha casa], não foi nada pacífico. estava demasiado habituada a ter o meu espaço. onde me sentia protegida. protegida das visitas de familiares, das visitas dos amigos, protegida. ponto.

[não que eu não tivesse visitas. mas eram poucas. só da minha melhor amiga e marido e do meu amiguinho de infância. eram só. mas bastavam. o amor que temos uns pelos outros é grande, tão grande...]

o pior de tudo, era o que a minha mãe fazia. era ama. tinha crianças, bebés a seu cargo. sim... ali sentia-me completamente desarmada. até porque é humanamente impossível uma pessoa não se apaixonar por uma criança. e foi o que aconteceu.

depois[e apesar da promessa que fiz a mim mesma, que jamais voltaria a envolver-me com alguém], conheci o amor da minha vida[que me estava destinado pelos astros... a minha alma gêmea].

as portas estavam, assim, escancaradas e deixei entrar, de novo, mais vida, na minha vida. até agora, só entraram pessoas lindas. e dou graças por ter saído de minha casa e ter regressado a casa dos meus pais. se assim não tivesse sido, não teria encontrado a minha mana linda que tanto amo[e que está tão longe, que saudades].

hoje, uma década depois, continuo a pensar, exactamente, como pensava. porque é tão mais fácil viver sozinha. não é o "dar" que me assusta. é o adeus. já tive que dizer adeus e doeu. muito. e todos os dias sofro porque sei que, mais dia menos dia, terei de dizer adeus a mais vida, que por algum tempo foi minha vida.

hoje, uma década depois, continuo a pensar, exactamente, como pensava. porque perder o nosso amor[seja ele qual for: família, amigos...] dói.  e não se consegue sobreviver a esta forma de dor. esta dor é "como morrer. a única diferença é que a morte termina. isto? continuará para sempre ".

[mas, mesmo assim, as minhas portas mantêm-se escancaradas. porque mais vale cinco minutos de amor, que toda uma vida sossegada, com uma taça cheia de esparguete regado com natas no colo, só com os boxers vestidos, depois de estar horas no banho rodeada de velas aromáticas a ouvir aquela canção que eu adoro, vezes sem conta ]

4 comentários:

cc disse...

Ainda bem que tens as portas "escancaradas" senão não nos tinhamos conhecido :) um beijinho grande!!!

Amélia disse...

A ideia de andar só de boxers é tentadora, mas estou contigo quando dizes que mais valem 5 munitos... gostei muito deste teu "adietar". Bjo.

Brown Eyes disse...

Mais dia menos dia tens que dizer adeus? Esta não percebi. Vivi muitos anos só e durante a semana continuo a viver e ambas as situações me cativam. Digo adeus todas as segundas feiras e o que agora acontece é estar aqui com vontade de estar lá mas tenho saudades de um fim de semana sem nada fazer, melhor fazer o que me apetecer. O amor dá outro fôlego à vida mas estar sozinha dá-nos tempo. São situações bem diferentes a escolhe deve ser nossa, escolhi não ter tempo e ter amor. Beijinhos

Madalena disse...

Sei bem do que falas. Um beijo solidário...