sábado, 8 de outubro de 2011

{adietar*: "a second chance" }

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conheci algumas pessoas[minhas amigas] a quem lhes foi proferida a sentença. de morte. estádio terminal da doença. sem qualquer hipótese de remissão. nada a fazer... contudo, destas pessoas, três sobreviveram à dita[sentença\doença].

hoje, falam da nova vida onde tudo faz mais sentido. tudo tem uma nova cor, em tudo existe um outro brilho, muito mais intenso, muito mais vivo. falam da segunda hipótese que a vida lhes ofereceu. um renascimento.

[a second chance]

eu também senti isso. os médicos não me disseram que iria morrer da doença. iria, porém, desejar morrer por causa dela. e isso, é quase como uma sentença. e, sim. assim foi. desejei morrer. inclusivé, tentei morrer.

[felizmente, não morri. e, então,  meti os pés ao caminho e procurei a resposta. e encontrei. não foi fácil, confesso. mas, se tudo fosse fácil, hoje não existiriam vitórias a celebrar... e, sem celebrações, a vida ficaria sem graça]

hoje, olho para trás e sinto que a vida me ofertou, de igual modo, uma segunda hipótese. tudo mudou, graças a isso. a maneira como vivo o meu dia-a-dia é diferente da maneira como o fazia, antes da doença.

apesar desta mudança, há dias em que me sinto ruir. há dias em que me apetece desistir. a doença deu tréguas, é verdade. mas a dor crónica ficou. não dói como doía. felizmente. se doesse, sei que essa vontade de morrer, voltaria. não dói ao ponto de ficar durante dias, acamada. mas dói. há dias que dói tanto que o medo regressa. regressam os fantasmas. regressa o desespero. contudo, nestes dias, apesar de doer tanto assim, não dói o suficiente para me reter dentro dos lençóis. vou à minha vida. a custo. mas vou. porque a minha vontade de viver também sofreu a derradeira alteração. hoje, acordo a sorrir e com vontade de a viver. já consigo saltar[sem exageros], dançar, brincar. e correr[sim, também consigo correr].

é. posso dizer que sim.
a vida ofertou-me,
de igual modo,
uma segunda hipótese.
e faço tudo por tudo
para não me esquecer disso.

conheço muitas pessoas que deambulam pela vida[tal como eu deambolei antes da doença chegar, tal como aquelas pessoas[minhas amigas], antes de se apereceberem que a vida chegaria ao fim, em breve]. e, todos os dias, cruzo-me com outras tantas pessoas, verdadeiros autómatos: não vivem a vida. a vida vive por elas.

olho para estas pessoas, olho para as minhas amigas, olho para mim... e pergunto-me porquê?... porque é que temos que passar por algo tão terrível como uma sentença à morte, para acordarmos?

[eu já acordei... e tu?]