terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

{looking down the road}

grande carnaval que estão a fazer em torno do dito. este país, realmente, tem o que merece. com tanta razão mais que válida para se preocupar... 

ah, e tal, direitos dos trabalhadores e coise.

aumento generalizado de preços; diminuição dos salários; desemprego galopante; remunerações em atraso; falências; fome; número crescente dos sem-abrigo...

sim, isto sim. é preocupante. digo eu. não sei...  

ah, e tal, direitos dos trabalhadores e coise

direito dos trabalhadores? os trabalhadores perderam todos os direitos e a culpa é deles. é nossa. 

durante décadas e décadas, fomos governados por porcos e nada fizemos. os rosa faziam estragos, votavasse nos laranja. os laranja não faziam melhor, voltavasse a votar rosa. as outras cores muito pouco ou quase nada faziam para mostrar que podiam ser uma alternativa válida. quem deveria proteger os trabalhadores, em vez de negociarem como deveria ser, ameaçavam com greves atrás de greves. e depois, eleições atrás de eleições. personagens da treta que tinham mostrado durante décadas que não valiam o prato de comida que lhes punham à frente, elegidos a presidente da república[seja lá o que isso signifique]. um dançar de cadeiras absurdo. ciclo sem fim, uma verdadeira pescadinha de rabo na boca.

ah, e tal, o povo é quem mais ordena

ah, e tal, o pai natal e o coelhinho da páscoa existem e, neste preciso momento, estão a apanhar sol no meu quintal, à sombra do limoeiro. há muito que o povo não é quem mais ordena[se é que alguma vez o fez]. é ordenhado. isso sim.

o que fazer? manifestações e greves? sim, é o que este país irá continuar a fazer. não sabem fazer mais nada. são uns burros tristes, cada vez mais magros, que continuam a acreditar no tal prado verde para onde irão descansar, quando chegarem à reforma. 

Islândia

islãndia. pois. não se fala nela. claro. nem os meios de comunicação, nem nas paragens de autocarro. muito menos, na padaria. fala-se de carnaval. porque o caranaval é o que importa. trabalhar mais ou menos um dia é que é relevante para o futuro deste país. palhaçada...

Crise leva ex-primeiro-ministro a julgamento por negligência

Crescimento económico triplica em relação à UE em 2012

O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão

A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura 

A revolução silenciada
Uma revolução está ocorrendo na Europa.

Recentemente surpreenderam-nos os acontecimentos de Tunísia que desembocaram na fugida do tirano Ben Ali, tão democrata para ocidente até anteontem e aluno exemplar do FMI. No entanto, outra “revolução” que tem lugar desde faz dois anos foi convenientemente silenciada pelos meios de comunicação ao serviço das plutocracias europeias.

Ocorreu na mesmíssima Europa (no sentido geopolítico), num país com a democracia provavelmente mais antiga do mundo, cujas origens remontam ao ano 930, e que ocupou o primeiro lugar no relatório da ONU do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007/2008. Adivinhais de que país se trata? Estou seguro de que a maioria não tem nem ideia, como não a tinha eu até que tomei conhecimento por acaso (apesar de ter estado ali em 2009 e 2010). Trata-se de Islândia, onde se fez demitir a um governo ao completo, nacionalizaram-se os principais bancos, decidiu-se não pagar a dívida que estes criaram com Grã-Bretanha e Holanda por causa de sua execrável política financeira e se acaba de criar uma assembleia popular para reescrever a sua constituição.

E todo isso de forma pacífica: a base de caçarola, gritos e certeiro lançamento de ovos. Esta foi uma revolução contra o poder político-financeiro neoliberal que nos conduziu até a crise actual. Aqui está o motivo por que não se deram a conhecer estes factos durante dois anos ou se informou frivolamente e de passagem: Que passaria se o resto de cidadãos europeus tomasse exemplo? E com isto também confirmamos, uma vez mais por se ainda não estava claro, ao serviço de quem estão os meios de comunicação e como nos restringem o direito à informação na plutocracia globalizada de Planeta S.A.

Esta é, brevemente, a história dos factos:


  • - No final de 2008, os efeitos da crise na economia islandesa são devastadores. Em Outubro nacionaliza-se Landsbanki, principal banco do país. O governo britânico congela todos os activos da sua subsidiaria IceSave, com 300.000 clientes britânicos e 910 milhões de euros investidos por administrações locais e entidades públicas do Reino Unido. A Landsbanki seguir-lhe-ão os outros dois bancos principais, o Kaupthing e o Glitnir. Seus principais clientes estão nesse país e na Holanda, clientes aos que seus estados têm que reembolsar suas poupanças com 3.700 milhões de euros de dinheiro público. Por então, o conjunto das dívidas bancárias de Islândia equivale a várias vezes seu PIB. Por outro lado, a moeda desaba-se e a carteira suspende sua actividade depois de um afundamento de 76%. O país está em bancarrota.
  • - O governo solicita oficialmente ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprova um empréstimo de 2.100 milhões de dólares, completado por outros 2.500 milhões de alguns países nórdicos.
  • - Protestantes em frente ao parlamento em Reykjavik sempre a aumentar. Em 23 de Janeiro de 2009 convocam-se eleições antecipadas e três dias depois, as caçaroladas já são multitudinárias e provocam a demissão do primeiro-ministro, o conservador Geir H. Haarden, e de todo seu governo em bloco. É o primeiro governo que cai vítima da crise mundial.
  • - 25 de Abril celebram-se eleições gerais das que sai um governo de coalizão formado pela Aliança Social-democrata e o Movimento de Esquerda Verde, encabeçado pela nova Primeira Ministra Jóhanna Sigurðardóttir.
  • - Ao longo de 2009 continua a péssima situação econômica do país e no ano fecha com uma queda do PIB de 7%.
  • - Mediante uma lei amplamente discutida no parlamento propõe-se a devolução da dívida a Grã-Bretanha e Holanda mediante o pagamento de 3.500 milhões de euros, soma que pagarão todas as famílias islandesas mensalmente durante os próximos 15 anos ao 5,5% de interesse. Os cidadãos voltam à rua e solicitam submeter à lei a referendo. Em Janeiro de 2010 o Presidente, Ólafur Ragnar Grímsson, nega-se a ratificá-la e anuncia que terá consulta popular.
  • - Em Março celebra-se o referendo e o NÃO ao pagamento da dívida arrasa com um 93% dos votos. A revolução islandesa consegue uma nova vitória de forma pacífica.
  • - O FMI congela as ajudas económicas à Islândia, à espera de que se resolva a devolução da sua dívida.
  • - A tudo isto, o governo iniciou uma investigação para dirimir juridicamente as responsabilidades da crise. Começam as detenções de vários banqueiros e altos executivos. A Interpol dita uma ordem internacional de detenção contra o ex-Presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson.
  • - Neste contexto de crise, elege-se uma assembleia constituinte no passado mês de Novembro para redigir uma nova constituição que recolha as lições aprendidas da crise e que substitua a actual, uma cópia da constituição dinamarquesa. Para isso, recorre-se directamente ao povo soberano. Elegem-se 25 cidadãos sem filiação política dos 522 que se apresentaram às candidaturas, para o qual só era necessário ser maior de idade e ter o apoio de 30 pessoas. A assembleia constitucional começa o trabalho este mês de Fevereiro de 2011 e apresentará um projecto de carta magna a partir das recomendações acordadas em diferentes assembleias, que celebrar-se-ão por todo o país. Deverá ser aprovada pelo actual Parlamento e pelo que se constitua depois das próximas eleições legislativas.
  • - E para terminar, outra medida "revolucionária" do parlamento islandês: a Iniciativa Islandesa Moderna para Meios de Comunicação (Icelandic Modern Média Initiative), um projecto de lei que pretende criar um marco jurídico destinado à protecção da liberdade de informação e de expressão. Pretende-se fazer do país, um refúgio seguro para o jornalismo de investigação e a liberdade de informação onde se protejam fontes, jornalistas e provedores de Internet que hospedem informação jornalística; o inferno para EEUU e o paraíso para Wikileaks.


Pois esta é a breve história da Revolução Islandesa: demissão de todo um governo em bloco, nacionalização da banca, referendo para que o povo decida sobre as decisões económicas transcendentais, encarceramento de responsáveis da crise, reescritura da constituição pelos cidadãos e um projecto de blindagem da liberdade de informação e de expressão.

Disseram algo os meios de comunicação europeus? Comentou-se nas repugnantes tertúlias radiofónicas de políticos de médio cabelo e mercenários da desinformação? Viram-se imagens dos factos pela TV?

Claro que não. Deve ser que aos Estados Unidos de Europa não lhes parece suficientemente importante que um povo pegue as rédeas da sua soberania e plante contra o rolo neoliberal. Ou quiçá temam que se lhes caia a cara de vergonha ao ficar uma vez mais em evidência que converteram a democracia num sistema plutocrático onde nada mudou com a crise, excepto o início de um processo de socialização das perdas com recortes sociais e precarização das condições de trabalho. É muito provável também que pensem que ainda fique vida inteligente entre as suas unidades de consumo, que tanto gostam em chamar cidadãos, e temam um efeito contágio. Ainda que o mais seguro é que esta calculada desvalorização informativa, quando não silêncio clamoroso, se deva a todas estas causas juntas.

Alguns dirão que Islândia é uma pequena ilha de tão só 300.000 habitantes, com uma estrutura social, política, económica e administrativa muito menos complexa que a de um grande país europeu, pelo que é mais fácil organizar-se e levar a cabo este tipo de mudanças. No entanto é um país que, ainda que tem grande independência energética graças a suas centrais geotérmicas, conta com muito poucos recursos naturais e tem uma economia vulnerável cujas exportações dependem num 40% da pesca.

Também haverá quem dirá que viveram acima de suas possibilidades endividando-se e especulando no casino financeiro. Igual que o fizeram o resto dos países guiados por um sistema financeiro liberado até o infinito pelos mesmos governos irresponsáveis e suicidas que agora se jogam as mãos à cabeça. Eu simplesmente penso que o povo islandês é um povo culto, solidário, optimista e valente, que soube rectificar-lhe mostrando valentia, indo contra ao sistema e dando uma lição de democracia ao resto do mundo.

O país já iniciou negociações para entrar na União Européia. Aguardo, por seu bem e tal e como se estão a pôr as coisas no continente com a praga de vigaristas que nos governam, que o povo islandês complete sua revolução recusando a adesão. E oxalá ocorresse o contrário, que fosse a Europa a aderir à Islândia, porque essa sim seria a verdadeira Europa dos povos.

Fonte: NSMB
Tradução do Diário Liberdade, rectificado
carnaval, carnaval... venha de lá mais uma manifestação... e quem sabe, umas grevezitas? uhmm... boa ideia? sim? boa! mais um dia em que terei de pedir a alguém que leve ao trabalho. eu sei que não fica bonito dizer mas, eu sou contra as greves. não levam a lugar nenhum. nunca levou...

já, repetir islãndia... ah, não... dá trabalho.

3 comentários:

Ritinha disse...

É que tens toda a razão! Parece que só isso é que importa quando o país está quase a passar fome! Eu não entendo esta gente! O Cavaco que ajudou a por este país na rota da miséria foi eleito a Presidente! O Portas que ajudou, Ministro! O Sócrates que afundou o país de vez, está a estudar Filosofia! E nós em vez de fazermos alguma coisa contra esta situação, estamos preocupados com o Carnaval!!!!!!

Fê-blue bird disse...

Pois é mana, o povo não quer quer saber da Islândia, e cada vez caímos mais fundo :(

E viva o Carnaval :(


beijinhos

Brown Eyes disse...

Que dizer mais sobre isto? Disseste tudo. Beijinhos