terça-feira, 6 de março de 2012

São duas e dez da manhã e eu aqui, com uma vontade de de gritar ao mundo, a minha raiva. De tudo e de todos. Tanta que, andar à bofetada, não me chega. É mais espetar os dois dedos nas órbitas de cada um que me rodeia. Espetar devagarinho e rodar ainda mais degarinho. Far-ti-nha-que-es-tou de chicos espertos com a mania que sabem mais que todos os outros. Só lhes tenho a agradecer a crise em que estou. Não bastando ter o meu pai na cama de um hospital, numa situação grave. E eu, aqui. Porque só me resta este mundo para desabafar. Porque o mundo real... eu abomino-o. Ah, se eu pudesse ir para bem longe... o meu maior desejo? Ser eremita. Ah, como seria bom. Eu tento. Eu juro que tento. Sorrir, ser positiva, ter paciência de santa - que não sou, logo o esforço chega a ser descomunal - para com as pessoas. Mas, chega um ponto que, porra! Só espetando os dedos ns olhos, mesmo. As pessoas vivem para o seu próprio umbigo e atropelam todos com os seus "problemas" estando prefeitamente nas tintas para quem está à sua volta. E os idiotas como eu, como o meu pai - sim, porque nós dois, somos uns idiotas(eu herdei dele, que alegria) - somos obrigados a estar, cons-tan-te-men-te, preocupados, a tentar lidar com tudo e com todos da melhor maneira, para que todos estejam o melhor possível. Para que ninguém passe uma noite sem dormir . Nós passamos pelos "problemas" deles. Pronto. E fica assim. São tão bonzinhos. O tanas. Somos umas bestas, é o que somos. Umas bestas. Pai és uma besta e eu, sou uma besta ainda maior, porque permiti que meia dúzia de pessoas irritantes, que existem só para nos atezanar a vida, te levassem ao teu limite. E, agora, o que é que é suposto eu fazer sem ti? Eu não consigo levar o barco. Já levei uma vez, duas... não consigo fazê-lo de novo. Simplesmente, não consigo. Não, sem ti ao meu lado.