quarta-feira, 19 de maio de 2010

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lembro-me de estarmos a meio da viagem, em pleno tejo. longe das margens, pertinho do bugio. um inglês mantinha-te seguro, entre as suas mãos. perguntei-lhe. respondeu-me que voavas... e que caíste. e o que vai fazer com ele? quando chegássemos a terra, deixar-te-ia num relvado. [mas, tu não irias sobreviver sozinho, num relvado]. posso ficar com ele?

todos os dias, mal acordava, assobiavas. e eu assobiava. brincávamos, sempre, antes de sair para a escola. à noite, chegava do trabalho e lá estavas tu, à minha espera: batias as asas, saudando-me com o teu lindo assobio... antes de nos deitarmos, limpava a tua casita, trocava-te a água e a comida, enquanto brincavas com as minhas mãos. e beijavas-me o nariz com o teu biquinho [que saudade apertadinha...].

lembras-te?

[uma manhã, acordei. silêncio. assobiei. nada. corri... o teu corpo deixara de ser animado pelo teu espírito. voaste para um outro céu, numa outra dimensão diferente da minha. mas sei que continuas a visitar-me, a saudar os meus dias. a dar-me biquinho de boas-noites. até um dia... meu lindo periquitinho beethoven]

10 comentários:

Poetic GIRL disse...

Oh que ternura! um post carregado de saudades e emoção! bjs

AR disse...

Que linda essa amizade entre duas dimensões da vida.

Rosa Carioca disse...

Bem... fiquei triste... Saudades...

Rogério Pereira disse...

Bom, a partir de agora, quando chegar à minha janela (da qual avisto o Bugio) vou lembrar-me do Beethoven, da sua relação com ele.
Tãm amigo da minha amiga, meu bom amigo poderia ser...

Atena disse...

Os animais domésticos irracionais têm quase sempre algo de tão especial, que quando partem deixam uma tremenda saudade! Compreendo bem o que aqui transmite. Valha-nos que esta é talvez uma das saudades mais puras, porque estes nossos amigos estão sempre connosco e jamais nos decepcionam, ficando apenas boas recordações no seu lugar!

Olga disse...

Triste a morte dele, mas talvéz não seja morte seja um grande voo para outra dimensão. Muito lindo! Beijinhos.

Antes Prefiro disse...

adoro a filosofia que gere este teu cantinho, que é simultaneamente acolhedor e libertador. gosto tanto! :)

Fê-blue bird disse...

Nostalgia da infância, lindo e libertador o seu texto amiga!
Jinhos mil

caminhante disse...

não vou dizer que não se soltou uma lágrima enquanto escrevi estas palavras... sinto saudade, é verdade.

mas não vejo a sua ausência como uma "morte". ele só não está cá fisicamente. todos somos energia. e a energia dele, continua por todo lado.

num sorriso de uma criança, no olhar terno de um velho, nas cores das asas das borboletas ou no aroma das flores campestres.

o meu passarinho azul e branco está comigo... tal como estão a pantufa, a pitucha, o pierre, a milu, o net, a raíza, o gorby, o polo... e tantos outros... cuja a saudade, por vezes, chega a ser dolorosa...

mas, nesses instantes, opto por celebrar as suas vidas e agradecer ao universo a bênção que ele me deu, em poder ter desfrutado das suas companhias, do seu amor incondicional... e acabo sempre por sorrir...

um beijinho...

Insana disse...

Eu sempre tive um verdadeiro pânico de tudo aquilo que diz o silencio.

bjs
Insana