quinta-feira, 26 de agosto de 2010

{o rei está morto}

adoro estudar: uma verdadeira marrona. desde menina que sou assim. nas férias grandes, levava sempre duas malas para trás-os-montes [onde passava todo o mês de agosto]: uma mala com roupa, a outra com os livros da escola. quando chegava às aulas, já tinha as lições quase todas estudadas e os exercícios quase todos resolvidos. e era assim com todas as matérias.

[bem, a minha relação com a matemática não era famosa: tinha um ódio de estimação pelos números porque o meu pai decidiu que eu tinha que ser como ele e, sempre que estava comigo, obrigava-me a recitar a tabuada (sempre salteada), a resolver problemas, adições, subtrações, multiplicações, divisões... uma verdadeira tortura. entretanto, vi-me obrigada a colocar o ódio à matemática de lado devido ao meu curso. e, confesso, que fiquei fã da dita]

uma das minhas matérias preferidas era a história de portugal. eu conseguia estar horas seguidas a ouvir aquelas histórias sobre as mulheres e os homens que tornaram o nosso país, a "cabeça" da europa. eu tinha um orgulho em ser portuguesa... descobrimos terras, enfrentámos medos, abrimos caminhos... sim, portugal era um povo nobre com heróis em terra e no mar... uma nação valente e imortal.

[imortal, não. o rei está morto]

da cabeça passámos para a cauda. o país tornou-se pequeno, ridiculamente, pequeno. os ricos [cada vez mais ricos] sufocam os pobres [cada vez mais pobres]; a violência junta-se à criminalidade e de mãos juntas com a impunidade, tomam conta da sociedade; o desemprego traz ainda mais fome para as mesas dos portugueses cada vez mais desesperados, mais desanimados... mais deprimidos; desactivam-se caminhos de ferro, as escolas fecham, as aldeias ficam desertas... a agricultura morre. o que não morre, o português [perdido, louco...] mata com um fósforo ou um isqueiro.

a cauda da europa...

e a culpa é nossa. porque o permitimos. todos, de uma maneira ou de outra, contribuímos para esta queda abismal: passámos de nação conhecida [temida por uns e admirada por outros] para um pedaço de terra que ninguém conhece. ou até conhece, porque somos parte integrante dos pigs .

estamos a cair a pique e nada nem ninguém parece conseguir amortizar a queda.

[o rei está morto. viva o rei. viva portugal]

recuperado para a fábrica de letras

16 comentários:

Poetic GIRL disse...

Estamos sim a cair vertiginosamente e parece que não haverá salvação possível depois. Mas sabes, provavelmente estaremos a nos preocupar mais do que quem se devia preocupar, quem foi eleito para tratar dos nossos interesses. beijoca

Theresa disse...

Andamos um bocado deprimiditas? Este não é o teu registo, sempre optimista... o que se passa? Mas, tenho que concordar com o que escreveu. Triste realidade, a nossa.

Lady in high heels disse...

O problema deste país são as décadas de maus governos que temos tido. O pior é que não temos qualquer alternativa. Quando não é rosa é laranja e vice-versa e não há pontinha por onde se pegue, tanto no governo como na oposição. O rei está definitivamente morto.

Madalena disse...

Visto assim até arrepia. Tens razão. Já fomos tão e grandes e agora nada somos.

Ritinha disse...

Deixaste-me deprimida. Chata.

Leolpoldo disse...

A cauda da Europa quando éramos nós a porta da Europa. Bom texto. Cru, mas muito bom.

Rosana disse...

Olá menina, vim retribuir a visita, volte sempre, beijos em seu coração.


Rosana!

relogio.de.corda disse...

Pois eu acho, que este texto é de uma pessoa realista!
É verdade... o que fomos no passado e o que somos no presente!... Será que alguma vez, iremos aprender com os nossos erros?!
Parabéns pelo texto.

Catsone disse...

Caminhante, infelizmente tenho que concordar. É incrível a forma como ouço as pessoas a conversar. Está tudo triste, sem esperanças, com os braços baixos. O português típico deixou de lutar, trabalhar, encosta-se a direitos e esquece-se dos deveres.
Ainda hoje estive a discutir o exemplo da educação. No meu tempo os professores eram admirados ou temidos. Havia dias em que a turma fazia fila para a reguada na mão. Hoje, os professores são desrespeitados por todos e ai daquele que ousar sequer elevar o tom de vós ao "menino"...
Isto caminha de forma obscura...
No entanto, bom fim de semana ;)

just me, an ordinary girl disse...

a culpa é nossa sim
acho que éramos, e continuamos a ser, bastante ambiciosos e audaciosos.
mas junto com a ambiçao, que nao tem nada de errado, sofremos de um grande mal: o desamor
desamor ao outro!
nao nos preocupamos com nada a nao ser com nossa propria vida
-temos uma casa boa, queremos uma melhor
-temos um bom emprego, olhamos milhentas vezes para o relogio à espera que o tempo passe e a hora de saída chegue
estamos nas tintas para as reformas dos idosos, a saude das crianças dos outros, a educaçao dos filhos dos vizinhos
queremos e procuramos o nosso bem estar, só e apenas.
e eu acho que deviamos querer, desejar, tentar, o bem estar de toda a sociedade em que estamos inseridos!
eu nao quero ganhar mais, nao quero ter ferias melhores prox ano, nao quero mudar para uma casa maior
queria que aumentassem as reformas minimas, queria que todas as crianças tivessem consultas de oftalmologia e dentista gratis, queria que a educaçao fosse mais acessivel, etc etc etc
é so a minha opiniao,claro
beijinho e parabens pelo texto!!!

Rei da Lã disse...

Estou bem vivo e recomendo-me!

:D

Olga disse...

Temos de manter a esperança caso contrário será o desespero total, muitas vezes precisamos olhar para outras situações extremas para perceber que apesar dos pesares a nossa situação não é assim tão má. Talvéz seja muito optimisto da minha parte, mas preciso de acreditar no futuro, não tanto por mim, mas pelos meus dois filhos. Quanto a mim, acredita já vive situações muito piores, já vivi em casas horríveis, já tive de andar à chuva e ao vento para chegar à escola e ao trabalho (3 km a pé) por isso a minha vida hoje é muito boa. Beijinhos.

Brown Eyes disse...

Sabes que fazia o mesmo? Logo que conseguia os livros do ano seguinte devorava aquilo tudo, não havia página que não conhecesse quando começavam as aulas, aulas que estava sempre ansiosa para que tivessem inicio. As férias eram longas demais. Como as coisas mudam, hoje são tão curtas.
Portugal só se vai endireitar como uma revolução. Há muita gente a comer e poucos a trabalhar. De um país sem valores o que se pode esperar? É o que somos hoje. Normal é fugir às obrigações, fugir, escolher a facilidade, não enfrentar as dificuldades. O fim aproxima-se, infelizmente é assim. Beijinhos

Miguel disse...

É triste mas tenho que concordar contigo. Aquele abraço.

mafaldinha disse...

E não é que tens razão? Estamos na merd@ upsss ;) tu não gostas de palavrões no teu blog. Se quiseres não publiques que eu não me importo

cc disse...

Infelizmente o retrato do nosso país :,(