domingo, 12 de setembro de 2010

{looking down the road}



ontem, numa reportagem da sic, falava-se de desemprego. este desemprego, porém, era um desemprego diferente.




parece que o único denominador comum entre os ex-executivos e/ou ex-quadros de empresa e os outros desempregados é o facto de terem de se dirigir aos centros de emprego. tudo o resto que se segue é diferente.

fiquei a saber que os primeiros, quando despedidos, têm toda uma máquina que os auxilia em vários aspectos, de modo a que este novo estatuto não se prolongue por muito tempo e, acima de tudo, para que a sua auto-estima não seja afectada. após o despedimento, estes desempregados são encaminhados para uma empresa que os ajuda na requalificação de competências entre outras coisas.

a universidade nova de lisboa também contribui com formação gratuita e tem como objectivo desenvolver o potencial em gestão. além do curso ser gratuito, estes formandos têm acesso gratuito à formação, materiais, refeições e certificado.

um dos responsáveis por este projecto, com um sorriso nos lábios e de olhos a brilhar, dizia que estes formandos "são pessoas de qualidade que estão com professores de qualidade numa universidade de qualidade". o seu sonho, segundo suas palavras, era que estes homens e mulheres conseguissem retomar em breve a sua vida de executivos ou que conseguissem ter o seu próprio negócio..."e que daqui a algum tempo dissessem que foi naquele verão chuvoso que mudaram as suas vidas".
...

há muitos anos atrás - era eu uma criança - o canal 1 (único, na altura) passou, por várias vezes, um filme animado titulado "o triunfo dos porcos". tinha mais ou menos de 8\9 anos. aquele filme era muito triste: uns porcos maus comiam muito enquanto os outros animais morriam de fome. e, o pior, é que no fim matavam aquele cavalo velhinho, coitadinho.

eu era demasiado jovem e inocente para compreender a mensagem de george orwell. contudo, nunca esqueci aquela frase [apesar de não compreender o seu significado] que os porcos repetiam constantemente.

essa frase está cada vez mais presente na sociedade de hoje. o que eu não sabia era que, até no desemprego todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

um aparte: eu não estou, de modo algum, contra estas iniciativas. o que me revolta é que não seja para todos...

[post recuperado... porque passado um ano, tudo continua na mesma...]

16 comentários:

Miguel disse...

Tenho um amigo que não é desempregado executivo... pena para ele ;(

aquele abraço

Madalena disse...

Eu faço parte de "todos os outros" e começo a ficar sem saber o que fazer.

Insana disse...

Poderia ser feito por mais pessoas, asssim outras tambem poderia ter.

bjs
Insana

Anónimo disse...

Na mesma não, está muito pior. Tenho a minha família quase toda no desemprego e não sabemos o que fazer.

mafaldinha disse...

Na mesma como a lesma. Que país em que estamos!!! Entregues à bicharada é o que é! Porque se houver cunha há tacho! Ah! Pois é!!!

Rogério Pereira disse...

Na mesma?
Claro, apenas os porcos estão mais gordos...

Beijos

Atena disse...

O meu comentário é igual ao de todos aqui, caminhante... e sim as coisas, pelos visto t~em tendencia a piorar... Apenas pergunto: O que é que será preciso para a malta se "CHATEAR" a sério???? Até lá os porcos continuam na engorda, não tenham duvidas!

ricardo disse...

Impressionante mesmo é saber que essa reportagem passou há 1 ano e o estado do desemprego só piorou.

Joana disse...

Será que neste país as coisas só mudam para pior???

Leolpoldo disse...

Isto está um verdadeiro absurdo! Temos que fazer alguma coisa!!! Em França levantaram-se 4 milhões!!! 4 milhões só porque quiseram mexer na idade da reforma! Portugal está a passar fome e ninguém mexe um dedo!

Brown Eyes disse...

Caminhante ainda bem que recuperaste este post talvez assim haja mais pessoas a tomara consciência que este país está cada vez mais na mão dos engravatados inúteis, daqueles que a única coisa que sabem fazer é inscreverem-se num partido. Até os diplomas são comprados e quem trabalha, trabalhou está a ser posto no lixo. Ainda há pouco tempo o Sr. ministro das finanças veio dizer que as entradas na Função pública estavam fechadas, saiu ou vai sair legislação nesse sentido mas, dizia ele, vai haver excepções, excepções para os serviços em ruptura. Eu, que já sou velha disse para comigo:
Brown aí vêem as excepções para os fulanos de tal. Pois é as Câmaras vão abrir não sei quantos lugares para essas excepções, claro está que essas excepções não vão ganhar o ordenado mínimo, nem vão andar lá a marcar passo, como eu, com uma licenciatura para a qual nunca têm dinheiro, estamos em crise. Crise, crise que pagamos nós porque eles cada vez estão melhor, para eles nunca há crise e basta abrir o D.R. e ver os inúmeros concursos que são abertos. Com a palavra crise calam-nos pois anda por aí muita gente que continua a achar que devemos fazer sacrifícios. Pena que nós portugueses não tenhamos o mesmo fígado que os moçambicanos, se tivéssemos o sangue há muito que jorrava. Também li o livro, aliás ando a lê-lo novamente e aquele homem era visionário. Sabes o que penso: os portugueses são uns cobardes porque se não fossem já tinham acabado com estas desigualdades todas. Todos os animais são iguais mas uns são mais iguais que outros. Até quando? É que quem trabalha não são os executivos, é mesmo a formiguinha. Os outros só destróiem o trabalho dela. Beijinhos

Marta disse...

Para os outros há apenas falta de esperança...

Fê-blue bird disse...

Os comentários anteriores disseram tudo e bem.
Neste momento, veio-me ao pensamento o poema de Sophia de Mello Breyner:

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

..................

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado


Beijinhos

Antes Prefiro disse...

é a triste realidade deste nosso casa vez mais triste país...

há cada vez mais insucesso escolar, e em vez de se redirecionarem os fundos do estado para este problema - porque a longo prazo, vai afectar o mercado de trabalho - não, faz-se um "hospital do ego" para executivos.

o que não teria mal nenhum, não fosse dar-se o caso de só beneficiar uma pequeníssima parte da população.

enfim... politiquices! assim não vamos lá. não vamos, não...

Sopro leve disse...

Mais do que máquinas precisamos de humanidade.
Mais do que inteligência precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdido.
Charles Chaplin

cc disse...

Não vi esta reportagem mas deu-me náuseas aquela conversa do tal formador: "são pessoas de qualidade que estão com professores de qualidade numa universidade de qualidade" e "e que daqui a algum tempo dissessem que foi naquele verão chuvoso que mudaram as suas vidas". Nojento mesmo. As outras pessoas não são pessoas de qualidade???