terça-feira, 29 de junho de 2010

{ténis... ou avião?}


há muitas formas de fazer uma viagem. eu já caminhei muito mas também já andei de avião. viajar em primeira classe é diferente...

hoje, uma antiga companheira de viagem perguntou-me porque é que voltei à estrada, aos ténis. afinal [segundo ela], eu tinha tudo para voltar às viagens em primeira classe. fiquei a olhar para ela, por uns minutos...

voltar à primeira classe significa voltar ao poder, voltar ao jogo, à competição. eu gosto de competição: competir ajuda a crescer. mas... o mundo está tão diferente. a competição tornou-se suja. as pessoas, corrompidas pela sede de poder, não se importam de pisar e humilhar quem quer que seja para conseguirem alcançar os seus objectivos.

faz parte do jogo...
e eu não sei jogar.

[eu não quero jogar]

então, eu olhei para essa minha antiga companheira de viagem e disse-lhe que existem muitas maneiras de viajar. uns viajam em primeira classe, outros caminham. e assim está bem... nem todas as pessoas precisam de viajar de avião. há pessoas que caminham e gostam de o fazer. eu gosto.

ela não compreendeu. também não me esforcei muito para lhe explicar. há pessoas [principalmente, as que já viajaram em primeira classe] que acreditam que voltar a caminhar significa fracasso.
[how sad is it...]

a vida deu-me a hipótese de escolher: avião... ou ténis. eu escolhi os ténis. e estou feliz por isso. quem não compreender... uppss... paciência. as pessoas que são importantes para mim, os meus amigos e a minha família [a que importa, a que está e sempre esteve ao meu lado] entenderam a minha decisão. e isso para mim chega.

os outros... são os outros.

[tão longe de mim... os outros... felizmente, tão longe]

domingo, 27 de junho de 2010

{cair faz parte da caminhada... tal como levantar}

{and I get nosebleed
but I always get up}



hoppipolla by sigur ros


[é como se voltássemos a ser meninos e meninas, novamente. saltamos felizes nas poças de água e celebramos pequenas [grandes] vitórias com a alegria de uma criança. e mesmo com feridas nos joelhos e o nariz a sangrar... levantamo-nos sempre porque temos a vida toda pela frente...]

quarta-feira, 23 de junho de 2010

{o presente envenenado}

esta semana, a lição foi-me dada por uma criança de nove anos. a mãe recebeu um email ofensivo que a deixou bastante triste. ao ver a mãe, assim tão abalada, disse-lhe:



"recebeste um presente envenenado.
mas podes
decidir se o aceitas...
ou não"




todos os dias recebemos presentes envenenados. doença, desemprego, decepções que nos ferem de morte. a vida encarrega-se disso.

mas a pequena [grande] inês, com a sua sabedoria de criança, tem a resposta certa para estes presentes envenenados: nós temos o poder de decisão. podemos aceitar estes presentes... ou não.

não aceitar. não baixar os braços, ir à luta. jamais desistir perante um não. porque há sempre a possibilidade de existir um sim. acreditar no sim que existe em nós mesmos... desconfiar sempre no não dos outros.

quando fui diagnosticada, eu ouvi o não do médico: não, não existe cura. mas sim. ela existe. eu sou a prova. e existem mais provas por esse mundo fora. também me disseram que não conseguiria voltar a trabalhar. sim, estou a trabalhar [mais que alguma vez trabalhei]. ao meu pai, disseram-lhe que ele não voltaria a andar, depois daquele acidente terrível que ele teve. mas, sim ele voltou a andar [aliás, não pára quieto]. à otília pires de lima, disseram-lhe que não teria mais que três semanas de vida... e já lá vão anos...

e tantos outros não, que eu ouvi [tanto a mim, como a pessoas que eu conheço] que foram transformados em sim...

cabe-nos a nós decidir.


[e tu? aceitaste o teu presente envenenado?]

quinta-feira, 17 de junho de 2010

{os perigos da web, o pavilhão 29 e eu}


[o meu pai já teve alta e já está em casa... ]

enquanto esperava pelo meu pai, folheei uma revista que ali estava. susana santos escreve sobre a internet, sobre o perigo que pode estar escondido nos blogs, no twitter e nas redes sociais como o facebook. defende que, "muitas vezes, desconectar é a melhor opção".

segundo a socióloga maria de lurdes fonseca, do instituto superior de ciências sociais, "a internet estimula o narcisismo porque gera nos utilizadores uma necessidade constante de criar interesse sobre eles próprios. como se, de repente, todas as pessoas fossem muito talentosas, permanentemente informadas e superiormente inteligentes".

esta socióloga adverte para o perigo da desilusão. porque os amigos virtuais são meros números, que, na realidade não existem. e, se por acaso existir um contacto fora da web, "conhecer a pessoa cara-a-cara pode ser um choque".

eu já tive muitos amigos... não consigo precisar quantos, mas eram mesmo muitos. todos os dias era visitada, na óptica onde trabalhava, por dois, três amigos. havia jantares, saídas, viagens. posso dizer que eu era socialmente bastante activa.

quando fiquei doente, os amigos foram desaparecendo. das muitas dezenas de amigos ficaram três: a minha melhor amiga [há mais de 25 anos], o marido e o meu amiguinho de berço [eu tinha um ano quando ele nasceu e crescemos juntos]. todos os outros...

estava confinada a uma cama, com dores excruciantes. precisava de ajuda de terceiros para tudo.[eu caía vertiginosamente num poço que parecia não ter fundo, tentava agarrar-ma às paredes, mão não conseguia...]. a família também ficou reduzida. os meus pais, a minha irmã e uma amiga da minha irmã [que hoje é a minha irmã do coração]... e pouco [muito pouco mesmo] mais.

cheguei a ouvir de alguns elementos da família, autênticas barbaridades como "a trabalhar, isso passa".

quando me apercebi que os meus amigos, quase toda a minha família e o meu irmão [ele tratava-me por mana, éramos "unha e carne"], simplesmente, deixaram de existir, desisti de tentar agarrar-me. deixei-me cair... quando mais depressa caísse, mais depressa chegaria ao fundo. escuro, sem vida [porque eu quis morrer, porque doía demasiado. a doença e solidão]. estive tão perto do pavilhão 29... tão, assustadoramente, perto.

até que a minha irmã me apresentou a internet, nos finais de 2006. não sabia nada de nada. gmail, hotmail, blog... palavras que me eram totalmente estranhas, começaram a fazer parte do meu quotidiano, sempre que a doença dava uma trégua.

conheci o meu marido num fórum. o nosso namoro começou numa mensagem no gmail. e fui ter com ele [coisa que nunca, jamais se deve fazer... eu fiz porque tinha a minha melhor amiga do meu lado]. e quando fiquei cara-a-cara com ele, não foi um choque. foi ele que me estendeu a mão, foi ele que me devolveu a vontade de lutar, a vontade de me agarrar à parede.

foi na internet que descobri o tratamento da minha doença, conhecida por crónica [logo, incurável], incapacitante e degenerativa. os médicos de portugal não conhecem [ou não querem conhecer] uma saída diferente para a doença, que não seja a resignação.

também encontrei uma amiga. uma amiga na doença, uma amiga na procura da cura. uma amiga na cura. uma amiga que não consegue estar mais que algumas horas sem saber de mim. que me apoia incondicionalmente. meu porto de abrigo, muitas vezes, quando me se sentia perdida, no caminho. uma amiga virtual que se tornou real e, quando fiquei cara-a-cara com ela, não foi um choque.

hoje, à minha lista de amigos reais [poucos, mas verdadeiros], juntaram-se alguns virtuais. já começam a ser bastantes. os meus amigos virtuais são\estão mais presentes que os outros alguma vez estiveram. os tais reais que desapareceram assim que se aperceberam que eu já não lhes podia dar aquilo que eles queriam.

não... desconectar não é a melhor opção. como é que eu poderia desconectar-me de algo que me devolveu a vida? estimula o narcisismo? não faz mal... aliás, só me faz é bem.

[a internet pode ser perigosa, sim... tal como tudo na vida. temos que ser inteligentes e saber consumir moderadamente...]

aproveito por agradecer aos meus amigos virtuais todo o apoio que me têm dado. principalmente, nestas últimas semanas. cada mensagem foi preciosa, como gotas de orvalho em lábios ressequidos. obrigada pelo vosso apoio, pelo vosso carinho, pelas palavras amigas. eu não vos conheço, na vida real, mas têm sido todos muito importantes nesta etapa da minha vida...

e aos meus amigos reais... não são necessárias palavras, não é?

domingo, 13 de junho de 2010

{baby steps}



always look at what you have left.
never look at what you have lost.

Robert H. Schulle


[porque, na realidade, o que se ganha consegue superar o que se perde...]

sexta-feira, 11 de junho de 2010

{rotinas ou a sucessão dos dias...}

todos os dias, de manhã, acordo: arranjo-me, tomo o pequeno-almoço e vou trabalhar. ao fim do dia, de volta a casa, trato de tudo que tenho a tratar, janto e deito-me. é assim, a minha rotina.

[e é assim a rotina de quase todas as pessoas que eu conheço]

até há pouco tempo, nem me dava conta da passagem das horas, dos dias. segunda-feira... domingo; 6 da manhã, meia-noite...

e também não me apercebia do mundo vivo que me rodeava. se chovia ou fazia sol. se estava frio, amaldiçoava o tempo e vestia um casaco. se estava calor, as sandálias... mas pouco mais.

acordar. trabalhar. comer. e dormir [ou, pelo menos, tentar]. sempre a correr: o relógio não dá tréguas. sem tempo para parar, para respirar...

[para viver]

estas duas semanas não foram fáceis para mim, confesso. voltei a sentir-me perdida... logo agora, que eu me entendia estar no caminho certo.

[mas... nada é certo. nada é garantido...]

as pessoas que eu conheci, nestes últimos dias, mostraram-me muito. umas com palavras, outras com gestos, olhares [ou a ausência deles]. para a maioria destas mulheres e destes homens, o hoje foi igual ao ontem e repetir-se-á amanhã. tal qual uma rotina.

uma rotina sem sol, sem nuvens. sem flores. sem pássaros. sem a brisa do mar ou os beijos suaves das ondas calmas da praia de cascais. sem o aroma da relva acabada de cortar ou o cheiro da terra molhada após uma noite de chuva. não há amanhecer ou pôr-do-sol. ou pastéis de nata. e, se uma criança lhes sorrir, eles jamais compreenderão esse sorriso. porque não o vêem, não o sentem.

estas mulheres e estes homens não estão cá. só o corpo. o olhar vazio revela que a alma já se foi há muito. para onde... ninguém sabe.

as horas passam. dia após dia. noite após noite. tudo igual. tudo na mesma. as mesmas paredes, os mesmos corredores. a mesma comida sem sabor [porque também o paladar se apagou].

[ontem, fui visitar o meu pai. foi uma surpresa: eu adoro fazer-lhe surpresas... ele está bem. muito bem, até. felizmente. penso que irá voltar em breve. e ainda bem porque estamos todos ansiosos por isso...]

ontem, cheguei à porta do pavilhão 29. espreitei. lá estava o rapaz da cor do chocolate, parado em frente à porta, de olhar perdido numa dimensão que eu desconheço. a senhora do caminho errante, mantinha-se firme no seu itinerário habitual... e a menina do gorro pediu colo. apesar dos seus dezoito anos, é tão frágil como uma bebé. precisa do toque como de ar, para [sobre]viver.

[dois mundos. o nosso, cá fora. o deles, lá dentro]

é sexta-feira. depois de um feriado, custou acordar para ir trabalhar. fazia frio, muito frio, aliás. e chovia tanto. sim, a cama, os lençóis e os cobertores estavam deliciosamente quentinhos. conforto... mas a rotina fala mais alto. porque tem que ser. porque há muito que fazer.

[hoje, contudo, algo mudou]

olhei-me no espelho e, em vez de dizer que gosto muito de mim, senti esse amor... não foram precisas palavras. o pequeno-almoço não foi engolido: saboreado... lentamente. não corri para o autocarro: senti a chuva na cara. cheirei a terra molhada do jardim por onde passo, todos os dias. e as flores... que cores tão vivas [pareciam gratas pelas gotas de água lançadas lá de longe, do céu cinzento que esconde o sol brilhante]. sorri para as pessoas, no autocarro. umas retribuíram os sorriso. outras, absortas nas suas rotinas, olhavam para o vazio - tal zombies.

[é pouca a diferença existente entre tantas pessoas cá de fora e as pessoas lá de dentro: todos caminham sonâmbulos pela vida]

cheguei ao trabalho e sorri, novamente. cada gesto, cada pessoa que vi, cada tarefa. desta vez, a minha rotina foi alterada. fiz tudo o que tinha de fazer, claro, porque o trabalho tem que ser feito. mas não daquela forma automática de se fazer, de se falar. de se Ser. fiz tudo como se fosse a primeira vez. e tudo teve um sabor diferente... como se me sentisse um pouco mais acordada. mais viva.

[a rotina - necessária, eu sei - não precisa de ser rotineira... tudo o que fazemos pode ser feito com o entusiasmo de uma criança: para elas, tudo são experiências novas. ver, saborear, sentir e o mais importante, amar tudo pela primeira vez]

cheguei a casa há pouco. o jantar já está pronto. fiz uma receita nova, que trouxe do pingo doce: postas de garoupa com azeite de coentros. cheira bem.

vamos jantar...

[desde que conheci a mundo do pavilhão 29, senti que tinha uma missão muito importante: jamais permitir-me entrar nele. sei que eu sou uma privilegiada. tenho a noção da vida... então, sinto-me na obrigação de não a deixar fugir de mim. só eu tenho esse poder. só eu posso decidir qual o melhor caminho. e só eu posso dar o primeiro passo. o sol brilha sempre: mesmo que as nuvens não nos deixem senti-lo na nossa pele, o sol está lá... cabe a mim [a ti] fazer de tudo para que o sol jamais deixe de iluminar a vida]

quinta-feira, 10 de junho de 2010

{partimos. vamos. somos.}


pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
chegamos? não chegamos?
haja ou não haja frutos, pelo sonho é que vamos.
basta a fé no que temos.
basta a esperança naquilo que talvez não teremos.
basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia.
chegamos? não chegamos?
- partimos. vamos. somos.
Sebastião da Gama

segunda-feira, 7 de junho de 2010

{caminhos errantes}

ontem, eu e a minha mãe fomos visitar o meu pai. o médico deu-lhe autorização para sair do pavilhão, passear pelos jardins. mas, fomos muito para além dos jardins do hospital. saímos pelo portão e fomos passear, à toa. andámos, andámos.... e o meu pai parecia um passarinho, a quem tinham devolvido as asas e queria mais. até que tivemos de voltar.





ao pavilhão 29.




nem todos têm a sorte do meu pai. a grande maioria é considerada perigosa, de risco. ficam confinados àquelas paredes, completamente alheios de tudo o que se passa cá fora.

há esta senhora, uns sessenta e muitos anos: passeia-se pelos corredores com o olhar perdido. pára em frente de todas as portas. desenha qualquer coisa com as mãos, no vazio... e volta ao seu caminho errante. sempre a caminhar... sem desvio qualquer ou, muito menos, um amanhã. caminha por caminhar. sempre o mesmo itinerário. os corredores do pavilhão 29.

chegou a hora da despedida. ficas bem? fico... e eis que salta uma menina [linda] e abraça-me como se me conhecesse há anos. a menina do gorro tem 18 anos e uma história terrível demais para ser contada aqui. mas tem, também, um sorriso que enche uma sala. não sei até que ponto ela conseguirá voltar ao caminho... mas rezo para que isso aconteça. ela é tão novinha... e tão bonita. não sou nada, disse-me. és, sim.

à noite, deitei-me. e chorei.

por causa da senhora do caminho errante, por causa da menina do gorro e por causa de todos os outros caminhantes perdidos pelos corredores do pavilhão 29. mas, também, chorei porque senti medo. muito medo.

[dava tudo para não deixar o meu pai ali, trancado. e tenho medo. que também ele perca o rumo da sua viagem]

domingo, 6 de junho de 2010

{rewind}


lembro-me de estar deitada a dormir. a noite ia alta. foste até ao meu quarto e acordaste-me. olhei para ti, com os olhos meio enevoados do sono.

vi o pai natal, lá fora: mandou-me dar-te isto, disseste-me.

um coelho de peluche gigante! saltei da cama e abracei o meu coelho gigante, muito maior do que eu, que era tão pequenina, ainda. e enchi-te de beijos. deitei-me com o meu coelho gigante que mal cabia na minha cama. porque é que o pai natal me deu este coelho tão grande? ainda falta mesmo muito tempo para o natal, a mãe disse-me que ainda é verão e o pai natal só vem no inverno... olhaste para mim e sorriste.

vá, agora dorme...

e eu dormi... com um sorriso do tamanho do meu coelho gigante.

lembras-te?

[vê se melhoras rápido... fazes falta...]

terça-feira, 1 de junho de 2010

{na bagagem}


afinal, o caminho não era difícil... a minha mochila é que estava demasiado cheia.

pessoas. experiências. silêncios. confidências. sentimentos. desilusões. pensamentos. ideias. opiniões. planos. emoções. sucessos. derrotas. alegrias. tristezas. perdas. ganhos. lágrimas. saudade...

e eis que a minha bagagem tomou conta da minha vida. porque a mochila estava demasiado pesada, caminhar tornara-se árduo...

[auto-sabotagem]

esvaziar a mochila. compreender. perdoar. esquecer. aceitar. chorar. sorrir. acreditar. amar[me].

e... de mochila quase vazia - há sempre um lugar para as boas recordações [pessoas, sorrisos, alegrias] porque, essas, não pesam nas costas - voltar à estrada...

que o caminho faz-se caminhado.


recuperado para a fábrica de letras, sob o tema vazio

segunda-feira, 31 de maio de 2010

{viver despenteada}

o mundo é louco, definitivamente louco…
o que é bom, engorda.
o que é lindo, custa caro.
o sol que ilumina o teu rosto, enruga.

hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie. por isso, decidi aproveitar a vida com mais intensidade…








E o que é realmente bom nesta vida,
despenteia…







- fazer amor : despenteia.

- rir às gargalhadas : despenteia.

- viajar, voar, correr, entrar no mar : despenteia.

- tirar a roupa : despenteia.

- beijar a pessoa amada : despenteia.

- brincar : despenteia.

- cantar até ficar sem ar : despenteia.

- dançar até duvidar se foi boa ideia calçar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa o cabelo irreconhecível…

então, como sempre, cada vez que nos vejamos, eu vou estar com o cabelo despenteado… mas podes ter certeza que estarei a passar pelo momento mais feliz da minha vida.

é a lei da vida: vai estar sempre mais despenteada, a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir.

pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável, toda arrumada por dentro e por fora…

o aviso das páginas amarelas deste mundo
exige boa presença:

penteia o cabelo,
põe,
tira,
compra,
corre,
emagrece,
come coisas saudáveis,
caminha direita,
fica séria…

e talvez até devesse seguir as instruções, mas… quando me vão dar a ordem para ser feliz? por acaso não se dão conta que para ficar bonita, eu tenho que me sentir bonita???

a pessoa mais bonita que posso ser!

a única coisa que realmente importa é que ao me olhar no espelho, veja a mulher que devo ser.

por isso, a minha recomendação a todas as mulheres:

entrega-te,
come coisas boas,
beija,
abraça,
dança,
apaixona-te,
relaxa,
viaja,
salta,
dorme tarde,
acorda cedo,
corre,
voa,
canta,
arranja-te para ficares linda,
arranja-te para ficares confortável,
admira a paisagem,
aproveita,

e acima de tudo:

deixa a vida despentear-te!!!!

o pior que pode acontecer é que, rindo em frente ao espelho...

...precises pentear-te de novo.


autor desconhecido
pics @

domingo, 30 de maio de 2010

{twittering}

sexta-feira, 28 de maio de 2010

{egocêntrica, sim... mas no bom sentido}


toda a minha vida vivi para o Outro. eu era uma espécie de bombeira e estava sempre de serviço. dia, noite... vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. família, amigos, colegas, escola, trabalho. todos sabiam que podiam contar comigo... e contavam. cheguei a fazer verdadeiras loucuras, só para apagar incêndios alheios...

um dia, enquanto caminhava, caí. a queda foi feia. fiquei extremamente ferida. não me conseguia mexer. tão pouco, levantar-me.

nessa hora, precisei de mim. precisei de me ajudar a levantar, a tratar das minhas feridas... contudo, não sabia como fazê-lo. e pior, poucos sobraram para me ajudar...

tive que [re]aprender, da forma mais dolorosa possível, a olhar para mim. para dentro de mim. não gostei. tive medo do que poderia ver. mas, insisti e insisti... chorei muito, quis desistir [não gostei daquilo que vi]... e continuei a insistir.

demorou... e foi tão difícil. mas, consegui: [re]aprendi a amar-me.

a vida tem mudado muito, para mim. a caminhada tem sido muito mais suave. e como eu [re]aprendi a amar-me [verdadeiramente, de coração], só atraio caminhantes amorosos... sei que jamais estarei sozinha. sei que se cair, alguém vai estar ao meu lado e irá dar-me a mão.

e [extremamente importante] eu poderei tratar das minhas feridas. porque saberei como fazê-lo.

o amor atrai amor...

[quando nascemos, nascemos perfeitos. amamos cada pedacinho de nós mesmos. e isso, faz-nos crescer felizes... com a socialização, porém, desaprendemos tudo. os adultos incutem-nos o medo da imperfeição e acabamos por perder nosso bem mais precioso: a nossa auto-estima]

temos que ser egocêntricos, sim... só nos faz bem :)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

{quando me amei de verdade...}

quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exacto. e então, pude relaxar.

hoje sei que isso tem nome...




auto-estima






quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.


hoje sei que isso é...


autenticidade



quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

hoje chamo isso de...





a
madurecimento







quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.

hoje sei que o nome disso é...


respeito


quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. de início, a minha razão chamou essa atitude de egoísmo.

hoje sei que se chama...




amor-próprio





quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projectos megalómanos de futuro. hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.

hoje sei que isso é...





simplicidade







quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.

hoje descobri a...


humildade

quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.

hoje vivo um dia de cada vez e isso é...




plenitude







quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

tudo isso é...


saber viver

Charles Chaplin

pics by tere arigo

terça-feira, 25 de maio de 2010

{toca-te...}

@

tocar uma flor,

tocar um animal,

tocar uma pessoa,











quanto mistério há no toque?

quanto se dá de si?










quanto se recebe?

tocar,

mistura energética,

ligação d’ alma.

tocar, tocar,




todos precisam de dar e receber,





todos necessitam do calor do toque,




tocar com as mãos,

tocar com palavras,

tocar ao sorrir,

tocar ao ouvir,




nosso coração precisa de toques,

ele vive por toques rítmicos.








quão importante é o toque entre os seres!






toques dos amantes,

toques dos amigos,

toques de fraternidade,

toques de amor.


não se vive sem toques,



toques da família,

toques da natureza,

toque do Sol em nossa pele,

toques dos raios lunares à noite.




ninguém vive sem toques,


sem toques humanos,


sem toques de deus em nosso espírito.


Moacir Sader

segunda-feira, 24 de maio de 2010

{so... i'm flying with my own wings}


and you know what?
when you least expect it,
something great might come along.
something better
than you ever planned for.
Along Came Polly


semana longa, a que passou... muito positiva, contudo. consegui superar todos os obstáculos sem qualquer hesitação [ou recaída]. não foi fácil, confesso. e, por isso, esta sensação de vitória.

sinto-me realizada [como nunca senti, indescritível]... a todos os níveis. e isso é bom. tem um gostinho especial... depois de tanta luta, de tantas batalhas perdidas... a vitória na batalha final.

um caminho terminado dá lugar a um novo caminho a caminhar...

também árduo, é certo. com barreiras, entraves... contrariedades. mas são estes tropeções dados [ou evitados] que nos ajudam a crescer.

as dificuldades existem... e ainda bem que existem. porque tudo passa a ter um sabor, uma cor, um aroma diferentes. hoje vejo\sinto tudo de uma maneira tão diferente que, por vezes, tenho pena de tudo o que se passou, não tivesse acontecido mais cedo...

[esta urgência de viver]

ah... hoje é segunda-feira...

[i'm a monday person... i just love it...]

domingo, 23 de maio de 2010

{faz de ti... o teu herói}


uma mulher [que conheci muito recentemente] fez as malas do marido e deixou-as no lado de fora da casa. pediu-me ajuda. mais malas para fazer, mudar fechaduras...

uma mulher linda. culta. inteligente. uma filha extraordinária. profissionalmente realizada... vítima do seu companheiro de viagem.

diz que não o reconhece. dez anos de vida de sonho, transformaram-se num pesadelo.

o que mudou susana? eu não sou assim, nunca precisei de medicamentos para nada. sempre achei que os psicólogos e os que deles precisavam só podiam ser malucos... e agora, sou eu que tenho psicóloga e vivo cheia de drogas... até a alegria do trabalho, ele conseguiu tirar-me...
o que mudou? diga-me...

não sei. só sei que está na hora.

caminhos diferentes. a única solução.

porque tu és importante... só tu importas. se não te mimas, ninguém te mimará. se tu te esqueces de amar-te, ficas seca. tu precisas de amor: do teu amor.

e vive. como se não existisse amanhã...

ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de te magoar...
jamais o permitas...


tu és linda...

sábado, 22 de maio de 2010

{gosto}



dos venenos os mais lentos










das bebidas as mais fortes








dos cafés os mais amargos







dos delírios os mais loucos







Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

e daí?


eu adoro voar!!!

Clarice Lispector

quinta-feira, 20 de maio de 2010

{renascer, renovar, recomeçar, voltar...}


voltar a ser
onda que enlaça a praia
e logo dela se desprende
arrastando uns pós de areia
no engano de levar da praia um beijo

ou uma ideia

ou alegria do amor
simplesmente.
António Branco

quarta-feira, 19 de maio de 2010

{rewind}


lembro-me de estarmos a meio da viagem, em pleno tejo. longe das margens, pertinho do bugio. um inglês mantinha-te seguro, entre as suas mãos. perguntei-lhe. respondeu-me que voavas... e que caíste. e o que vai fazer com ele? quando chegássemos a terra, deixar-te-ia num relvado. [mas, tu não irias sobreviver sozinho, num relvado]. posso ficar com ele?

todos os dias, mal acordava, assobiavas. e eu assobiava. brincávamos, sempre, antes de sair para a escola. à noite, chegava do trabalho e lá estavas tu, à minha espera: batias as asas, saudando-me com o teu lindo assobio... antes de nos deitarmos, limpava a tua casita, trocava-te a água e a comida, enquanto brincavas com as minhas mãos. e beijavas-me o nariz com o teu biquinho [que saudade apertadinha...].

lembras-te?

[uma manhã, acordei. silêncio. assobiei. nada. corri... o teu corpo deixara de ser animado pelo teu espírito. voaste para um outro céu, numa outra dimensão diferente da minha. mas sei que continuas a visitar-me, a saudar os meus dias. a dar-me biquinho de boas-noites. até um dia... meu lindo periquitinho beethoven]

terça-feira, 18 de maio de 2010

{quando a caminhada é boa...}

...o cansaço sabe tão bem.

enchi a banheira. água quente, sal marinho e vinagre [as minhas pernas e os meus pés estavam a pedir um bom banho quente, relaxante]. fechei as luzes. acendi uma pequena vela e um incenso de jasmim. deixei as pálpebras serem vencidas pelo seu peso. e ali fiquei...

hoje, o caminho tornou-se um pouco mais árduo de se fazer. mas a caminhada fez-me tão bem. como se tivesse renascido. não é exagero. é a realidade.

estou feliz. cansada. mas feliz.

e é tudo.

{pés na terra}

...cabeça nas nuvens...

sou céu

sou sol

sou vento
sou eu
solta
no

f
i
r
m
a
m
e
n
t
o

segunda-feira, 17 de maio de 2010

{no coração de um beija-flor}

comecei a minha viagem no coração de um beija-flor em 1999.

desde então, viajei no coração do mocho, da águia, do falcão... com todos eles fui aprendendo as lições da vida.

quando pensei que já sabia tudo, descobri que estava errada: faltava-me viajar com a gaivota...

com ela, aprendi que há um lugar, no nosso coração, que conhece todas as verdades [“o facto de não ser reconhecida, não faz com que a verdade deixe de ser verdadeira*”].

só é necessário acordarmos o menino adormecido que existe dentro de nós. assim, a verdade fica mais clara aos nossos olhos.

agora posso dizer que já sei muito, mas que não sei tudo. e que não faz mal. afinal, tenho a vida inteira para continuar a aprender. e isso é o essencial, o “anel invisível”.

obrigada por me teres levado no teu coração.

estaremos sempre juntos, porque estamos sempre lá, entre um voo e outro.


[para am... porque a minha vitória é também a tua vitória...]


* richard bach in não há longe nem distância

domingo, 16 de maio de 2010

{quero é viver }


Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

António Variações

sábado, 15 de maio de 2010

{cut the cake...}


bolo da leonor , claro... que eu cá sou muito exigente

já não festejo o dia dos meus anos. nem o dia nem os anos. festejo-me a mim.

ivone fernandes.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

{de um comentário à atena, surgiu este post*}

há uma necessidade [crescente] de algo por parte das pessoas. sentem-se perdidas e procuram-no desesperadas. seja [a recuperação de poder] através do futebol, seja [o conforto de acreditar que alguém está olhar por si] através do papa.

para mim, o papa não passa de um homem, igual a tantos outros. não o considero santidade. só um homem. com as suas virtudes, com os seus defeitos.

acredito, porém, que este homem poderia fazer muito mais, devido à posição que ocupa. poderia lutar para melhorar muita coisa. fazer mais, colocar a doutrina que tanto prega, em prática.

faz-me confusão [muita], tanta ostentação... por isso, e por tantas outras coisa, o papa pouco me diz.

existem, sim, santidades... madre teresa foi uma delas. à sua frente, eu me ajoelho e peço-lhe a sua bênção. peço-lhe que me ensine a sentir jesus, tal como ela o sente.

madre teresa já não está entre nós [fisicamente] mas estará sempre connosco, pois o que esta mulher simples e humilde nos deixou, foi muito além do que aquilo que todos os homens comuns, que se sentaram naquela, esplendorosa e poderosa, cadeira do vaticano, nos deixaram de herança.

sou uma pessoa de fé. mas não nesta igreja. confesso que já senti falta daquela fé que tinha quando era menina... fé na mãe que nos ampara, no mano que está sempre ao nosso lado [era assim que eu chamava jesus]. não vou dizer que a igreja matou essa fé... mas fez estragos, imensos.

hoje, a minha fé está curar-se a si própria. porque a [verdadeira] religião está em nós, dentro de nós. descobri isso, quando me afastei da igreja. quando fiquei sozinha e senti que não estava sozinha... [afinal, a mãe carinhosa e mano protector continuavam ao meu lado].

o [verdadeiro] cristianismo [dos chinelos de tiras e túnica humilde] é o caminho, penso.

por isso, não venero o papa. não aceito o vaticano. não concordo com os [exageradamente ricos] paramentos.

na terça, fui ver o papa. porque era um desejo do meu pai e eu adoro mimar o meu pai. fiquei feliz... não por ver o papa [confesso, nada senti], mas por estar com o meu pai. por ter passado um dia fantástico ao seu lado.

apanhámos a molha do ano [choveu a potes], passámos um frio de rachar [bem, eu passei um frio de rachar: fui de alças.. mas, por favor, estamos em maio!!!], corremos, rimos muito, tirámos fotografias, fomos a pé desde o mosteiro dos jerónimos até ao calvário.

e...


...foi mesmo muito bom...

acredito que é aqui que reside a verdade: mimar [muito] quem está ao nosso lado, ajudar quem precisa, emprestar o ombro... sem críticas... só com muito amor.

*cristina, querida, espero que não te aborreças ;)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

{já te olhaste ao espelho, hoje?}


mas qual é o 'eu' que sobrevive?
aquele que as pessoas vêem,
ou aquele que eu julgo ser?

yukio mishima



ao longo dos últimos tempos, tanto que mudou em mim. a mudança mais considerável foi, sem dúvida, a maneira como eu passei a ver o outro.

a opinião dessa pessoa foi [sempre] essencial para mim. o que pensavam, como me julgavam. também me preocupava demasiado em ajudar este e aquele, fossem quais fossem as situações. eu vivia para ver\fazer os outros felizes... mesmo, em detrimento da minha felicidade.

hoje sei que estive errada, grande parte da minha vida.

os tropeções que fui dando, pelo caminho, ajudaram-me a perceber que essa não é a melhor maneira de viver. muito pelo contrário. viver em prol do outro, não é viver. é deixar que a vida passe por nós.


note to self:
primeiro eu...

não se trata de egoísmo. apenas, auto-estima, auto-preservação. tal como no anúncio: se eu não gostar de mim, quem gostará? e é isso mesmo.

todos podemos ajudar quem nos rodeia, aliás... devemos ajudar quem nos rodeia. contudo, primeiro temos que olhar para nós.

médico, cura-te a ti mesmo
(jesus)

há que fazer uma pausa. há que olhar para dentro de nós mesmos. há que tratar as feridas e deixá-las "ao ar", como diz a minha mãe. deixar que o sol e o vento fresco as beije, limpando-se, de uma vez por todas.
como fazer isso?

ao acordar, antes de qualquer coisa, agradecer. a vida, o hoje, o eu. a seguir: olhar ao espelho. e sorrir. amar quem está à nossa frente e dizer-lhe que sim, que confia plenamente em si.

as pessoas vivem [sobrevivem] cegas, como se num coma profundo. o sonambulismo tomou conta das suas vidas. acordam, trabalham, engolem comida, deitam-se, dormem... ou não.

a percentagem de pessoas com doenças mentais tem aumentado, consideravelmente, no nosso país. eu já fiz parte dessa lista de sonâmbulos que [sobre]viviam, arrastando-se pela vida. uma lista que cresce a cada dia que passa. cada cabeça, o seu motivo: família, finanças, saúde, trabalho...

e onde fica o eu? não fica.

se cada pessoa desse 5 minutos do seu tempo a si mesmo, muita coisa poderia mudar. cinco minutos à frente do espelho...

não é fácil. eu sei. eu vivia para o trabalho, para o outro... não sobrava tempo, simplesmente, não sobrava.

[até ao dia em que uma doença parou-me e deu-me todo o tempo do mundo]

levei muito tempo para perceber que eu estava errada. mas, o que verdadeiramente interessa, é que eu percebi que eu sou importante.

eu sou...

e se eu sou, tu és.

[de que estás à espera para te ires ver ao espelho?]

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